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LOTE RETIRADO ATENDENDO INTERESSE DO ARQUIVO NACIONAL.CARTA DE PAULO BARBOSA DA SILVA, MORDOMO DA CASA IMPERIAL ESCRITA EM 9 DE JUNHO DE 1842 DIRIGIDA AO CORONEL ALVARES DE TOLEDO RIBAS, GUARDA ROUPA DE SUA MAJESTADE IMPERIAL DANDO INSTRUÇÃO DA PARTE DO SOBERANO SOBRE A CAUDELARIA IMPERIAL (CRIAÇÃO DE CAVALOS DESTINADOS A CASA IMPERIAL) E AUTORIZANDO DESPESAS NO ANO FINANCEIRO DE ATÉ CINCO CONTOS DE RÉIS. EXCERTOS DO TEXTO: ILMO SR. TIVE A HONRA DE BEIJAR AS MÃOS DE SUA MAGESTADE E ALTEZAS IMPERIAIS DA PARTE DE VOSSA SENHORIA A QUE ACOLHERAM COM A BENIGNIDADE QUE LHES É PRÓPRIA. RESPONDENDO AOS SEUS OFICIOS DE 10 DE MARÇO, 5 DE ABRIL E 17 DE MAIO QUE TIVE A HONRA DE LEVAR A AUGUSTA PRESENÇA DE VOSSA MAGESTADE IMPERIAL. SIGA AS ORDENS DO MESMO AUGUSTO SENHOR, 1 - PODE CONSERVAR O CONSELHEIRO MENDES RIBEIRO NO PALÁCIO DA CACHOEIRA DA MESMA MANEIRA COMO TEM ESTADO ATÉ AGORA. 2 QUE SUA MAGESTADE IMPERIAL APROVOU AS OBRAS E CONSERTOS APRESENTADAS POR VOSSA SENHORIA EM SEU ÚLTIMO OFÍCIO. 3- QUE VOSSA SENHORIA VÁ COMPRANDO ÉGUAS ATÉ O NÚMERO DE CINCOENTA PARA AUMENTAR A CRIAÇÃO DO GADO CAVALLAR E QUE SEJAM BEM ESCOLHIDAS. 4-QUE VOSSA SENHORIA PROCEDA A VENDA DAS ÉGUAS VELHAS E PODROS DEFEITUOSOS QUE SE POSSAM DISPENSAR DOS CUSTOS. 5 QUE FAÇA AMANSAR OS DOZE POLDROS QUE TEM DO ANNO DE 1837, E QUE QUANDO ESTIVEREM EM ESTADO DE DESCEREM PARA CORTE ME ESCREVER. ...DEUS GUARDE A VOSSA SENHORIA MORDOMIA DA CASA IMPERIAL 4 DE JUNHO DE 1842. NOTA: O COROREL TOLEDO RIBAS era irmão da Viscondessa de Castro portanto tio da MARQUESA DE SANTOS; O CONSELHEIRO JOÃO LOPES MENDES RIBEIRO Contraiu segundas núpcias com D. Mariana de Toledo Ribas, filha de José Bonifácio Ribas e D. Ana Maria de Toledo, sendo irmã de D. Escolástica Bonifácia de Toledo Ribas, Viscondessa de Castro, e tia da Marquesa de Santos. PAULO BARBOSA DA SILVA, MORDOMO DA CASA IMPERIAL: pois nasceu a 25 de janeiro de 1774, Paulo Barbosa da Silva era filho do Coronel de milícias Antonio Barbosa da Silva e Ana Maria de Jesus, filha de Antonio Ribeiro Pinto. Aos 14 anos entrava para o exército português no Brasil na categoria de cadete, em que se viu efetivado em 1808. sua promoção a alferes deu-se durante 1810. Matriculou-se na Academia Militar em 1818. No ano de 1819 ascendia ao posto de tenente e em 1822 ao de capitão. Nesta graduação passou para o Imperial Corpo de Engenheiros. Destinado para estudos, em 1825 realizou uma viagem à Europa, onde de novo se encontrou em 1829, não como militar, mas partícipe do problema complicado que acabou sendo o segundo casamento de D. Pedro I. Caindo o extraordinário José Bonifácio de Andrada e Silva, exerceu Paulo Barbosa da Silva o cargo de mordomo da Casa Imperial. Dom Pedro II em 1840, confirmou-o nesta posição, quando transpusera ele em 1837 o posto de major e, em 1839, o de tenente coronel. Então deputado, Paulo Barbosa da Silva achava-se profundamente empenhado nas intrigas partidárias da monarquia. O povo atribuía-lhe desmedida capacidade de remexer as águas turvas da política, e, à sua residência denominada anonimamente o Clube da Joana, acorriam os amantes dos fuxicos no começo do reinado de Dom Pedro II, imperador jovem ainda e inexperiente quiçá. Em 1843, Paulo Barbosa da Silva, no auge de sua carreira na corte, é promovido a coronel e um ano depois reformado como brigadeiro. É a época em que, por iniciativa do major Julio Frederico Koeler, que se manifestara antigo defensor da colonização germânica da Serra da Estrela, adere à causa do incansável fundador de Petrópolis, com o qual assina um contrato em sua qualidade de mordomo da Casa Imperial não conforme engano de impressão do mesmo em folhetinho como decreto.Seria isto se houvesse sofrido debates e emendas no Parlamento, para depois de sua aprovação ir à firma de S.M. D. Pedro II, Imperador do Brasil. Instrumento particular, nele o mordomo da Casa Imperial Paulo Barbosa da Silva, aluga ao major Julio Frederico Koeler, sob condições claras e determinadas, a fazenda que adquirira Dom Pedro I chamada Córrego Seco, em cujo interior ninguém jamais pensara erguer cidade nenhuma, até que o ilustre e decidido colonizador alemão o fizesse. Ameaçado de morte e odiado por certos políticos do segundo reinado, Paulo Barbosa da Silva vê-se meio forçado pelos amigos, a exercer cargo na diplomacia. Esteve na Rússia, Alemanha, Áustria e, muito enfermo, França, onde lhe caiu a demissão da função em 1851. Regressou ao Brasil no ano de 1854, para voltar à mordomia agora sem a autonomia e a importância do passado e morrer a 28 de janeiro de 1868. Embora não lhe compita o título de o fundador de Petrópolis, não há dúvida que ele se apaixonara pelo ideal de Júlio Frederico Koeler e lhe consagrou todo o seu prestígio, por sinal nada pequeno, ao dar-se o primeiro avanço no projeto de levantar-se aqui uma cidade privilegiada. Seja lá como for, o certo é que Paulo Barbosa da Silva, não só entre os petropolitanos, mas também no âmbito dos estudiosos dá política durante o período monárquico, sempre despertou interesse e nunca deixou de ser objeto de polêmica. Numa outra vertente, Alberto Rangel no seu No Rolar do Tempo, vol. 6 da Coleção Documentos Brasileiros, ocupa-se de Paulo Barbosa da Silva, valendo-se das impressões de diplomatas franceses que estiveram no Rio de Janeiro dos anos 40 e 50 do século XIX e que acompanharam o desempenho do Mordomo da Casa Imperial da urdidura da trama política no alvorecer do Segundo Reinado. O Conde Ney, por exemplo, em nota de 24 de março de 1844 ao governo de França, comentava que Paulo Barbosa havia se tornado procurador do Príncipe de Joinville e que era um dos homens mais influentes da corte. Disse que o Clube da Joana era sinônimo de poder e que ele funcionava na casa de campo de Paulo Barbosa da Silva, em São Cristovão. Era difícil avaliar-se até onde o Mordomo se ocupava dos temas políticos; mas era incontestável que na altura ele estava muito ligado ao Ministro do Exterior, a quem dava conselhos. Segundo o parecer de Ney, Barbosa era um homem prudente que não se comprometeria com facilidade e que apesar de seus freqüentes encontros com o Imperador, mantinha-se sempre reservado na presença deste. Era o que se poderia chamar um songa-monga, o patriarca do tipo clássico do político. Quem sai aos seus não degenera. A 4 de abril voltava o Conde Ney, sempre se ocupando do mesmo tema: M. Paulo Barbosa começa a se tornar um homem muito importante, pelo que eu o faço conhecer a V. Excia. seu pai era coronel: ingressando ainda jovem no serviço militar, serviu na cavalaria e depois na engenharia e veio para o Rio de Janeiro como tenente nesta arma. Ele se aliou a inúmeros republicanos célebres da época e redigiu com eles um jornal denominado A Verdade. Ele estaria muito feliz nos dias que correm se jamais tivesse escrito para tal periódico, já que ali maltratara fortemente o primeiro imperador. Não se sabe como ele obteve anteriormente permissão para viajar a Paris com uma dezena de jovens oficiais brasileiros, que aí foram se aperfeiçoar nos estudos de engenharia e artilharia. Ele foi encarregado a seguir de exercer algumas missões diplomáticas em Paris e Viena e finalmente voltou à pátria antes do 7 de abril; tomou parte então numa revolução conduzida pelo senhor Aureliano, ao qual estava ligado e que o nomeou Mordomo. Suas funções fizeram-no aproximar-se sobremodo do Imperador, menino ainda quando da partida de seu pai. Tal contato fez com que Paulo Barbosa exercesse certa influência sobre o espírito do jovem monarca, sobre o meio palaciano e sobretudo sobre o tutor do pequeno imperador, o senhor de Itanhaem, homem fraco e desprovido de meios: a administração das terras imperiais tornou-se mais regular, cresceram as rendas e desse ponto de vista, nada mais resta que aplaudir a maneira com que o senhor Barbosa cumpria suas funções. Ele tornou-se então capitão de engenheiros; mas levando-se em conta que o Imperador tão jovem ainda, havia já aprendido a conduzir-se conforme seu pai, o coração de S. Majestade tornou-se inacessível à amizade e assim o senhor Barbosa teve seus passos de certo modo bloqueados, tendo que fazer alguns malabarismos para manter-se no cargo. Teve entre os poderosos e influentes de então muitos invejosos que ele soube neutralizar, deixando manhosamente de se envolver nos negócios públicos, limitando-se apenas às suas ocupações no âmbito da economia. O tempo que ele passou na França e a educação que ai recebeu, deixaram-lhe uma boa lembrança do nosso país, o que o impedia de ocultar sua simpatia pela Legação da França. Na oportunidade da primeira viagem do Príncipe de Joinville ao Brasil, o sr. Barbosa não poupou esforços para receber condignamente o filho do Rei dos franceses, que havia dado asilo, segundo ele, ao pai de seu Imperador! Durante toda a estada do Príncipe no Brasil, Paulo Barbosa desdobrou-se em zelo e atenção e eu creio que S. Alteza Real, tomou-se de amizade por ele. Desde essa época, o sr. Barbosa sonhou com o casamento de S. Alteza Real com a Princesa Francisca e este desejo, que o preocupava, fez ainda mais aumentar suas relações com o sr. Barão Rouen. O casamento realizou-se e o Príncipe, reconhecido aos bons serviços que lhe foram prestados pelo Sr. Barbosa, nomeou-o seu procurador, com poderes para cuidar de seus interesses e remeter suas rendas à França. Entretanto, o sr. Barbosa tornou-se Coronel de Engenheiros acumulando inúmeras outras funções. Ele acabou por ser promovido a General, aposentando-se com uma pensão conveniente. O depoimento insuspeito do representante diplomático da França no Rio de Janeiro de 1844, dá bem a dimensão do perfil psicológico de Paulo Barbosa da Silva. Contemporâneo do alvorecer do projeto Petrópolis, o Conde Ney si quer tangencia o tema, o que leva a crer que à época, o assunto não despertava o mínimo interesse nas altas esferas do poder. O tema Petrópolis, deveria estar circunscrito à epígrafe administração dos próprios imperiais, em cuja função, segundo o Conde Ney, Paulo Barbosa da Silva, no cargo de Mordomo, dera provas de incontestável talento, já que aumentara sobremodo as rendas de S. Majestade.

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LOTE RETIRADO ATENDENDO INTERESSE DO ARQUIVO NACIONAL.CARTA DE PAULO BARBOSA DA SILVA, MORDOMO DA CASA IMPERIAL ESCRITA EM 9 DE JUNHO DE 1842 DIRIGIDA AO CORONEL ALVARES DE TOLEDO RIBAS, GUARDA ROUPA DE SUA MAJESTADE IMPERIAL DANDO INSTRUÇÃO DA PARTE DO SOBERANO SOBRE A CAUDELARIA IMPERIAL (CRIAÇÃO DE CAVALOS DESTINADOS A CASA IMPERIAL) E AUTORIZANDO DESPESAS NO ANO FINANCEIRO DE ATÉ CINCO CONTOS DE RÉIS. EXCERTOS DO TEXTO: ILMO SR. TIVE A HONRA DE BEIJAR AS MÃOS DE SUA MAGESTADE E ALTEZAS IMPERIAIS DA PARTE DE VOSSA SENHORIA A QUE ACOLHERAM COM A BENIGNIDADE QUE LHES É PRÓPRIA. RESPONDENDO AOS SEUS OFICIOS DE 10 DE MARÇO, 5 DE ABRIL E 17 DE MAIO QUE TIVE A HONRA DE LEVAR A AUGUSTA PRESENÇA DE VOSSA MAGESTADE IMPERIAL. SIGA AS ORDENS DO MESMO AUGUSTO SENHOR, 1 - PODE CONSERVAR O CONSELHEIRO MENDES RIBEIRO NO PALÁCIO DA CACHOEIRA DA MESMA MANEIRA COMO TEM ESTADO ATÉ AGORA. 2 QUE SUA MAGESTADE IMPERIAL APROVOU AS OBRAS E CONSERTOS APRESENTADAS POR VOSSA SENHORIA EM SEU ÚLTIMO OFÍCIO. 3- QUE VOSSA SENHORIA VÁ COMPRANDO ÉGUAS ATÉ O NÚMERO DE CINCOENTA PARA AUMENTAR A CRIAÇÃO DO GADO CAVALLAR E QUE SEJAM BEM ESCOLHIDAS. 4-QUE VOSSA SENHORIA PROCEDA A VENDA DAS ÉGUAS VELHAS E PODROS DEFEITUOSOS QUE SE POSSAM DISPENSAR DOS CUSTOS. 5 QUE FAÇA AMANSAR OS DOZE POLDROS QUE TEM DO ANNO DE 1837, E QUE QUANDO ESTIVEREM EM ESTADO DE DESCEREM PARA CORTE ME ESCREVER. ...DEUS GUARDE A VOSSA SENHORIA MORDOMIA DA CASA IMPERIAL 4 DE JUNHO DE 1842. NOTA: O COROREL TOLEDO RIBAS era irmão da Viscondessa de Castro portanto tio da MARQUESA DE SANTOS; O CONSELHEIRO JOÃO LOPES MENDES RIBEIRO Contraiu segundas núpcias com D. Mariana de Toledo Ribas, filha de José Bonifácio Ribas e D. Ana Maria de Toledo, sendo irmã de D. Escolástica Bonifácia de Toledo Ribas, Viscondessa de Castro, e tia da Marquesa de Santos. PAULO BARBOSA DA SILVA, MORDOMO DA CASA IMPERIAL: pois nasceu a 25 de janeiro de 1774, Paulo Barbosa da Silva era filho do Coronel de milícias Antonio Barbosa da Silva e Ana Maria de Jesus, filha de Antonio Ribeiro Pinto. Aos 14 anos entrava para o exército português no Brasil na categoria de cadete, em que se viu efetivado em 1808. sua promoção a alferes deu-se durante 1810. Matriculou-se na Academia Militar em 1818. No ano de 1819 ascendia ao posto de tenente e em 1822 ao de capitão. Nesta graduação passou para o Imperial Corpo de Engenheiros. Destinado para estudos, em 1825 realizou uma viagem à Europa, onde de novo se encontrou em 1829, não como militar, mas partícipe do problema complicado que acabou sendo o segundo casamento de D. Pedro I. Caindo o extraordinário José Bonifácio de Andrada e Silva, exerceu Paulo Barbosa da Silva o cargo de mordomo da Casa Imperial. Dom Pedro II em 1840, confirmou-o nesta posição, quando transpusera ele em 1837 o posto de major e, em 1839, o de tenente coronel. Então deputado, Paulo Barbosa da Silva achava-se profundamente empenhado nas intrigas partidárias da monarquia. O povo atribuía-lhe desmedida capacidade de remexer as águas turvas da política, e, à sua residência denominada anonimamente o Clube da Joana, acorriam os amantes dos fuxicos no começo do reinado de Dom Pedro II, imperador jovem ainda e inexperiente quiçá. Em 1843, Paulo Barbosa da Silva, no auge de sua carreira na corte, é promovido a coronel e um ano depois reformado como brigadeiro. É a época em que, por iniciativa do major Julio Frederico Koeler, que se manifestara antigo defensor da colonização germânica da Serra da Estrela, adere à causa do incansável fundador de Petrópolis, com o qual assina um contrato em sua qualidade de mordomo da Casa Imperial não conforme engano de impressão do mesmo em folhetinho como decreto.Seria isto se houvesse sofrido debates e emendas no Parlamento, para depois de sua aprovação ir à firma de S.M. D. Pedro II, Imperador do Brasil. Instrumento particular, nele o mordomo da Casa Imperial Paulo Barbosa da Silva, aluga ao major Julio Frederico Koeler, sob condições claras e determinadas, a fazenda que adquirira Dom Pedro I chamada Córrego Seco, em cujo interior ninguém jamais pensara erguer cidade nenhuma, até que o ilustre e decidido colonizador alemão o fizesse. Ameaçado de morte e odiado por certos políticos do segundo reinado, Paulo Barbosa da Silva vê-se meio forçado pelos amigos, a exercer cargo na diplomacia. Esteve na Rússia, Alemanha, Áustria e, muito enfermo, França, onde lhe caiu a demissão da função em 1851. Regressou ao Brasil no ano de 1854, para voltar à mordomia agora sem a autonomia e a importância do passado e morrer a 28 de janeiro de 1868. Embora não lhe compita o título de o fundador de Petrópolis, não há dúvida que ele se apaixonara pelo ideal de Júlio Frederico Koeler e lhe consagrou todo o seu prestígio, por sinal nada pequeno, ao dar-se o primeiro avanço no projeto de levantar-se aqui uma cidade privilegiada. Seja lá como for, o certo é que Paulo Barbosa da Silva, não só entre os petropolitanos, mas também no âmbito dos estudiosos dá política durante o período monárquico, sempre despertou interesse e nunca deixou de ser objeto de polêmica. Numa outra vertente, Alberto Rangel no seu No Rolar do Tempo, vol. 6 da Coleção Documentos Brasileiros, ocupa-se de Paulo Barbosa da Silva, valendo-se das impressões de diplomatas franceses que estiveram no Rio de Janeiro dos anos 40 e 50 do século XIX e que acompanharam o desempenho do Mordomo da Casa Imperial da urdidura da trama política no alvorecer do Segundo Reinado. O Conde Ney, por exemplo, em nota de 24 de março de 1844 ao governo de França, comentava que Paulo Barbosa havia se tornado procurador do Príncipe de Joinville e que era um dos homens mais influentes da corte. Disse que o Clube da Joana era sinônimo de poder e que ele funcionava na casa de campo de Paulo Barbosa da Silva, em São Cristovão. Era difícil avaliar-se até onde o Mordomo se ocupava dos temas políticos; mas era incontestável que na altura ele estava muito ligado ao Ministro do Exterior, a quem dava conselhos. Segundo o parecer de Ney, Barbosa era um homem prudente que não se comprometeria com facilidade e que apesar de seus freqüentes encontros com o Imperador, mantinha-se sempre reservado na presença deste. Era o que se poderia chamar um songa-monga, o patriarca do tipo clássico do político. Quem sai aos seus não degenera. A 4 de abril voltava o Conde Ney, sempre se ocupando do mesmo tema: M. Paulo Barbosa começa a se tornar um homem muito importante, pelo que eu o faço conhecer a V. Excia. seu pai era coronel: ingressando ainda jovem no serviço militar, serviu na cavalaria e depois na engenharia e veio para o Rio de Janeiro como tenente nesta arma. Ele se aliou a inúmeros republicanos célebres da época e redigiu com eles um jornal denominado A Verdade. Ele estaria muito feliz nos dias que correm se jamais tivesse escrito para tal periódico, já que ali maltratara fortemente o primeiro imperador. Não se sabe como ele obteve anteriormente permissão para viajar a Paris com uma dezena de jovens oficiais brasileiros, que aí foram se aperfeiçoar nos estudos de engenharia e artilharia. Ele foi encarregado a seguir de exercer algumas missões diplomáticas em Paris e Viena e finalmente voltou à pátria antes do 7 de abril; tomou parte então numa revolução conduzida pelo senhor Aureliano, ao qual estava ligado e que o nomeou Mordomo. Suas funções fizeram-no aproximar-se sobremodo do Imperador, menino ainda quando da partida de seu pai. Tal contato fez com que Paulo Barbosa exercesse certa influência sobre o espírito do jovem monarca, sobre o meio palaciano e sobretudo sobre o tutor do pequeno imperador, o senhor de Itanhaem, homem fraco e desprovido de meios: a administração das terras imperiais tornou-se mais regular, cresceram as rendas e desse ponto de vista, nada mais resta que aplaudir a maneira com que o senhor Barbosa cumpria suas funções. Ele tornou-se então capitão de engenheiros; mas levando-se em conta que o Imperador tão jovem ainda, havia já aprendido a conduzir-se conforme seu pai, o coração de S. Majestade tornou-se inacessível à amizade e assim o senhor Barbosa teve seus passos de certo modo bloqueados, tendo que fazer alguns malabarismos para manter-se no cargo. Teve entre os poderosos e influentes de então muitos invejosos que ele soube neutralizar, deixando manhosamente de se envolver nos negócios públicos, limitando-se apenas às suas ocupações no âmbito da economia. O tempo que ele passou na França e a educação que ai recebeu, deixaram-lhe uma boa lembrança do nosso país, o que o impedia de ocultar sua simpatia pela Legação da França. Na oportunidade da primeira viagem do Príncipe de Joinville ao Brasil, o sr. Barbosa não poupou esforços para receber condignamente o filho do Rei dos franceses, que havia dado asilo, segundo ele, ao pai de seu Imperador! Durante toda a estada do Príncipe no Brasil, Paulo Barbosa desdobrou-se em zelo e atenção e eu creio que S. Alteza Real, tomou-se de amizade por ele. Desde essa época, o sr. Barbosa sonhou com o casamento de S. Alteza Real com a Princesa Francisca e este desejo, que o preocupava, fez ainda mais aumentar suas relações com o sr. Barão Rouen. O casamento realizou-se e o Príncipe, reconhecido aos bons serviços que lhe foram prestados pelo Sr. Barbosa, nomeou-o seu procurador, com poderes para cuidar de seus interesses e remeter suas rendas à França. Entretanto, o sr. Barbosa tornou-se Coronel de Engenheiros acumulando inúmeras outras funções. Ele acabou por ser promovido a General, aposentando-se com uma pensão conveniente. O depoimento insuspeito do representante diplomático da França no Rio de Janeiro de 1844, dá bem a dimensão do perfil psicológico de Paulo Barbosa da Silva. Contemporâneo do alvorecer do projeto Petrópolis, o Conde Ney si quer tangencia o tema, o que leva a crer que à época, o assunto não despertava o mínimo interesse nas altas esferas do poder. O tema Petrópolis, deveria estar circunscrito à epígrafe administração dos próprios imperiais, em cuja função, segundo o Conde Ney, Paulo Barbosa da Silva, no cargo de Mordomo, dera provas de incontestável talento, já que aumentara sobremodo as rendas de S. Majestade.

Informações

Lance

Termos e Condições
Condições de Pagamento
Frete e Envio
  • TERMOS E CONDIÇÕES

    O presente instrumento, denominado "Termos e Condições do Leilão", tem por objetivo regular a participação de usuários (arrematantes) no sistema online de leilões.

    1. As obras que compõem o presente LEILÃO foram periciadas pelos organizadores que,solidários com os proprietários das mesmas, se responsabilizam por suas descrições.

    2. Em caso eventual de engano na expertise de obras, comprovado por peritos idôneos, e mediante laudo assinado, ficará desfeita a venda, desde que a reclamação seja feitaem até 5 dias após o fim do leilão e/ou acesso à mercadoria. Findo este prazo, não mais serão admitidas quaisquer reclamação, considerando-se definitiva a venda.

    3. Obras estrangeiras serão sempre vendidas como "Atribuídas".

    4. O Leiloeiro(a) não é proprietário dos lotes, mas o faz em nome de terceiros, que são responsáveis pela licitude e desembaraço dos mesmos.

    5. Elaborou-se com esmero o catálogo, cujos lotes se acham descritos de modo objetivo.

    As obras serão vendidas "NO ESTADO" em que foram recebidas e expostas. Descrição de estado ou vícios decorrentes do uso será descrito dentro do possível, mas sem obrigação.

    Pelo que se solicita aos interessados ou seus peritos, prévio e detalhado exame até o dia do pregão.

    Depois da venda realizada não serão aceitas reclamações quanto ao estado das mesmas, nem servirá de alegação para descumprir o compromisso firmado.

    6. O leilão obedecerá rigorosamente à ordem dos lotes apresentada no catalogo. Todos os lotes poderão receber lances prévios antes da data de realização do pregão(*).

    Contudo, o lance vencedor será registrado somente durante o pregão ao vivo (data e horário divulgado no catálogo).

    É somente nesta data que o Leiloeiro(a) "baterá o martelo", formalizando cada lote como "Lote vendido".

    Os lances efetuados após a apresentação do lote no pregão, terão seu aceite ou não submetidos ao crivo do Leiloeiro(a) responsável.

    7. Ofertas por escrito podem ser feitas antes dos leilões, ou autorizar a lançar em seu nome; o que poderá ser feito por funcionário autorizado pelo Leiloeiro(a).

    8. O Leiloeiro(a) colocará, a titulo de CORTESIA, de forma gratuita e confidencial, serviço de arrematação pelo telefone e Internet, sem que isto o obrigue legalmente perante falhas de terceiros.

    8.1. LANCES PELA INTERNET: Para a participação nos leilões online faz-se necessário possuir um cadastro válido e ativo.

    Caso não possua cadastro, este poderá ser efetuado diretamente através do site do respectivo leilão, sendo certo que este deverá ser atualizado sempre que necessário.

    8.1.1 O acesso ao sistema de leilões online pelo usuário poderá ser cancelado ou suspenso a qualquer tempo e sob o exclusivo critério do Leiloeiro(a), não havendo direito a qualquer reclamação ou indenização.

    8.2. O arrematante poderá efetuar lances automáticos, de tal maneira que, se outro arrematante cobrir sua oferta, o sistema automaticamente gerará um novo lance para aquele arrematante,

    acrescido do incremento mínimo, até o limite máximo estabelecido pelo arrematante. Os lances automáticos ficarão registrados no sistema com a data em que forem efetuados.

    Os lances ofertados são IRREVOGÁVEIS e IRRETRATÁVEIS. O arrematante é responsável por todos os lances feitos em seu nome, os quais somente poderão ser anulados e/ou cancelados de acordo com autorização do leiloeiro(a) responsável.

    8.3. Em caso de empate entre arrematantes que efetivaram lances no mesmo lote e de mesmo valor, prevalecerá vencedor aquele que lançou primeiro (data e hora do registro do lance no site),devendo ser considerado inclusive que o lance automático fica registrado na data em que foi feito. Para desempate, o lance automático prevalecerá sobre o lance manual.

    9. O Leiloeiro(a) se reserva o direito de não aceitar lances de licitante com obrigações pendentes.

    10. Adquiridas as obras e assinado pelo arrematante o compromisso de compra, NÃO MAIS SERÃO ADMITIDAS DESISTÊNCIAS sob qualquer alegação.

    11. O arremate será sempre em moeda nacional. A progressão dos lances, nunca inferior a 5% do anterior, e sempre em múltiplo de dez. Outro procedimento será sempre por licença do Leiloeiro(a); o que não cria novação.

    12. As obras adquiridas deverão ser pagas e retiradas IMPRETERIVELMENTE em até 72 horas após o término do leilão, e serão acrescidas da comissão do Leiloeiro(a), (5%).

    Não sendo obedecido o prazo previsto, o Leiloeiro poderá dar por desfeita a venda e efetuar o bloqueio da respectiva cartela até respectiva quitação de taxas e multas equivalentes.

    13. As despesas com as remessas dos lotes adquiridos, caso estes não possam ser retirados, serão de inteira responsabilidade dos arrematantes.

    O cálculo de frete, serviços de embalagem e despacho das mercadorias deverão ser considerados como Cortesia e serão efetuados pelas Galerias e/ou Organizadores mediante prévia indicação pelo arrematante da empresaresponsável pelo transporte e respectivo pagamento dos custos de envio, ficando o Leiloeiro(a) e as Galerias e/ou Organizadores isentos de qualquer responsabilidade em caso de extravio, furto e/ou dano à mercadoria.

    14. O Leiloeiro(a) reserva-se ao direito de cancelar o lance, caso o arrematante adote posturas consideradas ofensivas, desrespeitosas ou inapropriadas, seja antes ou durante a realização de leilão.

    Poderá haver cancelamento de qualquer oferta de compra, sempre que não for possível comprovar a identidade do usuário ou caso este venha a descumprir quaisquer condições estabelecidas no presente contrato,dentre elas, a utilização de cadastros paralelos objetivando se eximir das responsabilidades previstas neste Termo.

    15. - O arrematante assume neste ato, expressamente, que responderá, civil e criminalmente, pelo uso de qualquer equipamento, programa ou procedimento que vise interferir no funcionamento do site.

    16. - O arrematante, ao clicar ACEITO declara ter lido e aceito o conteúdo do presente "termos e condições", sem nenhuma oposição, inclusive, não tem ressalva a fazer sobre as condições aqui estabelecidas.

    Também declara ter capacidade, autoridade e legitimidade para assumir responsabilidades e obrigações através do presente instrumento.

    17. Todas as controvérsias oriundas ou relacionadas ao presente Termo, deverão ser resolvidas, primeiramente, por negociação e/ou mediação entre as Partes.

    Não logrando êxito, a controvérsia poderá vir a ser resolvida por interpelação judicial.

    18. A Parte interessada em iniciar o procedimento de negociação/mediação deverá comunicar a outra parte por escrito, detalhando a sua reclamação, bem como apresentando proposta para a solução da questão,sendo concedido prazo de até 10 (dez) dias para a outra Parte apresentar sua manifestação.

    Fica eleito o foro do estado do Comarca da Capital, para dirimir qualquer controvérsia oriunda deste instrumento não equacionada via negociação e/ou mediação,com a expressa renuncia a outro por mais privilegiado que seja ou venha a ser.

    Leilão - forma de alienação de bens.

    *Pregão - forma de licitação pública, em data e horário pré-definidos, onde é validado a escolha do melhor candidato pelo respectivo leiloeiro(a) responsável.

  • CONDIÇÕES DE PAGAMENTO

    À vista, acrescido da taxa do leiloeiro de 5 %.

    Através de depósito ou transferência bancária em conta a ser informada através do e-mail de cobrança.

    Não aceitamos cartões de crédito.

    Para depósitos em cheque, as peças serão liberadas para retirada/envio somente após a compensação.

  • FRETE E ENVIO

    Enviamos através dos Correios para todo o Brasil.

    As despesas com retirada e remessa dos lotes, são de responsabilidade dos arrematantes.

    Em caso de envio por transportadoras, esta deverá ser providenciada pelo Arrematante.