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O MARQUES DE POMBAL SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO (1699 - 1782) POR ANTONIO TEIXEIRA LOPES EM1882 - FÁBRICA DAS DEVESAS. GRANDE E RARA HERMA EM FAIANÇA DA FABRICA DAS DEVESAS DAQUELE QUE FOI UM DOS MAIORES GOVERNANTES DE PORTUGAL. O MARQUES É APRESENTADO CINGINDO A ORDEM DE CRISTO E FARDÃO DE CORTE. UMA ESCULTURA MAGNIFICA DE GRANDE DIMENSÃO. PORTUGAL E O BRASIL NÃO SERIAM OS MESMO SEM O GOVERNO DE SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO. PORTUGAL, SEC. XIX. 77 CM DE ALTURA.NOTA: Em 1723, o português Sebastião José de Carvalho e Melo raptou Teresa de Noronha e Bourbon Mendonça e Almada, uma formosa viúva pertencente à mais alta elite de seu país. Casaram-se contra a vontade da família dela, que não via com bons olhos sua união com um obscuro membro da pequena nobreza. O matrimônio não gerou filhos, mas foi uma amostra da ousadia do homem que mudaria o destino de Portugal. O futuro marquês de Pombal era tudo, menos um romântico sonhador. Da mesma maneira que traçou com mão de ferro as linhas de sua vida pessoal, Carvalho e Melo conduziu os portugueses após um dos mais terríveis desastres naturais da história da humanidade: o terremoto de Lisboa, que devastou a capital portuguesa em 1755. A figura do marquês entrou de modo ambíguo nos livros de história. Ora retratado como déspota esclarecido, ora como ditador sanguinário, muitos foram os adjetivos usados para descrever o poderoso ministro, que comandou Portugal durante o reinado de José I. Ninguém questiona, entretanto, o fato de que Pombal tornou-se um marco na história do império português que, na época, incluía o Brasil. Nascido em 1699, Carvalho e Melo não deu mostras na juventude de que seria um grande líder. Por influência de seu tio Paulo de Carvalho, que dava aula na Universidade de Coimbra, ele conseguiu se matricular naquela instituição. Mas logo abandonou os estudos para entrar no exército, onde não conseguiu passar do posto de cabo. Desiludido, decidiu estudar Direito e História o que lhe rendeu, aos 34 anos, um posto na Academia Real da História. Depois do casamento, Carvalho e Melo se mudou de Lisboa para a vila de Soure, onde a família de Teresa tinha propriedades. Em 1738, graças a uma indicação do tio, ele conseguiu o posto de embaixador português na Inglaterra. Sua esposa, muito doente, não pôde acompanhá-lo e acabou morrendo no ano seguinte. Carvalho e Melo ficou na Grã-Bretanha por cinco anos, onde se mostrou um grande negociador e aproveitou para conhecer a fundo as instituições inglesas. Retornou a Portugal e, em 1745, foi enviado como diplomata à Áustria. Lá, casou-se pela segunda vez, desposando a condessa Maria Leonor Ernestina Daun. O segundo casamento de Carvalho e Melo, abençoado pela imperatriz austríaca Maria Tereza, permitiu-lhe subir mais um degrau no complicado jogo de xadrez da corte portuguesa. Ao ver o ambicioso político se casar com uma conterrânea, a esposa de João V, Ana da Áustria, resolveu torná-lo seu protegido. Em 1749, após assumir o governo por causa do péssimo estado de saúde do rei, ela convocou Carvalho e Melo de volta a Portugal para fazer parte do ministério. Aos 50 anos, ele assistia ao início do auge de sua vida pública. Com a morte de João V, em 1750, José I assumiu o trono e tomou as rédeas de um dos maiores e mais ricos impérios da Europa. Teve medo e, em vez de encarar a tarefa, preferiu a vida fácil das óperas e das caçadas. Deixou o trabalho pesado de governar nas mãos de seus assessores. Foi quando Carvalho e Melo tomou posse no cargo de secretário dos Negócios Estrangeiros, um dos três ministérios que concentravam as decisões do reino. Seus trunfos eram a experiência diplomática e um círculo de amigos que incluía eminentes cientistas, em especial membros da comunidade de expatriados portugueses muitos deles tinham sido forçados a deixar o país por causa da Inquisição. Quando dois terços de Lisboa ruíram com o terremoto, a situação ficou tão caótica que José I transferiu praticamente todo o poder para as mãos de seu ministro predileto. Carvalho e Melo coordenou o socorro às vítimas e rapidamente iniciou a reconstrução da cidade afinal, era preciso que se cuidasse dos vivos e se enterrassem os mortos, conforme ele teria dito na ocasião. Em 1759, quando foi nomeado conde de Oeiras, o ministro já tinha se tornado praticamente um governante absoluto. O título sob o qual seria eternizado, marquês de Pombal, lhe foi dado por José I em 1769. Portugal dependia das riquezas brasileiras para sustentar os gastos luxuosos da corte. Em 1755, um jovem membro da Armada francesa, Chevalier des Courtils, resumiu a situação em seu diário de viagem: Portugal é mais uma província do que um reino. Pode-se dizer que o rei de Portugal é um potentado das Índias que habita em terras europeias. E prosseguiu, atribuindo a grandeza do país apenas às suas colônias: Os Estados vastos e ricos sob sua soberania no Novo Mundo, como o Brasil, o Rio de Janeiro, Bahia de Todos os Santos, Goa, a Madeira na África e os Açores na Europa, tornaram-no um príncipe considerável e colocaram-no entre as grandes potências europeias, se considerarmos o valor de suas possessões. O primeiro dia de novembro de 1755 brindou Lisboa com uma linda manhã de outono. O ar estava tépido e as igrejas, apinhadas de gente era o dia de Todos os Santos. Súbito, um ronco vaporoso, enorme trovão subterrâneo. Cavalgada de ciclopes, que se aproxima em doida correria, arrastar de carros gigantes nos abismos da terra. Nos altares, oscilavam as imagens; as paredes bailam; dessoldam-se traves e colunas; ruem paredes, com o abafado som da caliça que esboroa, e de corpos humanos esmagados; no chão, onde os mortos repousam, aluem-se os covais para tragar os vivos. Na descrição clássica do historiador português João Lúcio de Azevedo, o terremoto de Lisboa alcança todo seu terror e magnitude. Um dos maiores desastres naturais na história, o evento intrigou filósofos e cientistas durante o século 18 e marcou a ascensão do marquês de Pombal. Acuado e com medo das hordas famintas de sobreviventes, o rei, José I, de seu palácio em Belém, deu plenos poderes ao único de seus ministros que se mostrou capaz de lidar com a tragédia. Pombal não perdeu tempo. Ordenou que os saqueadores fossem sumariamente enforcados, fixou os preços dos alimentos e do material de construção nos níveis anteriores ao desastre e fez com que os corpos das vítimas fossem amarrados a pesos e jogados no oceano. Calcula-se que entre 8 mil e 30 mil pessoas tenham morrido na tragédia. Quem sobreviveu ao tremor teve de enfrentar o maremoto que veio depois segundo escreveu o então cônsul britânico em Portugal, Edward Hay, as águas elevaram-se de 6 a 9 metros. As perdas materiais foram incalculáveis. O Real Teatro da Ópera, terminado no mês anterior, ficou em ruínas. Trinta e cinco igrejas desabaram sobre os fiéis que rezavam o tremor ocorreu bem no horário da missa. Em uma única mansão da cidade, perderam-se 200 pinturas (incluindo um Ticiano e um Rubens) e uma biblioteca com aproximadamente 18 mil volumes. Depois do socorro às vítimas, Pombal convocou engenheiros e topógrafos e tratou logo de reconstruir a cidade. Lisboa, depois das ações do marquês, tornou-se um exemplo da arquitetura iluminista: traçados retos substituíram as antigas vielas medievais e edificações monumentais foram erguidas para sediar a administração pública. A Biblioteca Real foi reorganizada, a partir de aquisições de livros, mapas e documentos em toda a Europa. Quando a corte portuguesa veio para o Brasil, em 1808, o acervo foi trazido para o Rio de Janeiro. A dependência da metrópole com relação ao Brasil tornou-se tão aguda no século 18 que Luís da Cunha, um dos diplomatas e pensadores políticos portugueses mais influentes no período, anteviu a transferência da corte para o Rio de Janeiro (que ocorreria no século seguinte). Segundo ele, o rei tomaria o título de Imperador do Ocidente e nomearia um vice-rei para governar Lisboa. É mais seguro e conveniente estar onde há abundância de tudo do que onde é preciso esperar pelo que se quer, escreveu. Foi Pombal, aliás, quem tirou a sede do governo-geral brasileiro de Salvador, transferindo-a para o Rio em 1763. Estava claro, portanto, que era preciso reorganizar todo o império para fazer frente à ascensão das outras potências europeias. As chamadas reformas pombalinas mudaram drasticamente a economia do reino e das colônias. Inspirado em modelos mercantilistas ingleses, franceses e holandeses, Pombal criou várias companhias de comércio a partir de 1753: da Ásia, do Grão-Pará e Maranhão, da Pesca das Baleias, das Vinhas do Alto Douro e de Pernambuco e Paraíba. Controladas pelo Estado, elas comandavam as atividades econômicas e monopolizavam os negócios. A das Vinhas do Alto Douro, por exemplo, controlava a produção e a venda do vinho do Porto produto do qual os ingleses eram os principais compradores. No Brasil, a gestão de Pombal estimulou a diversificação agrícola. A colônia, que se dedicava essencialmente à produção de açúcar, passou a plantar mais arroz, tabaco, algodão e cacau. Ele também foi responsável pelo aumento na arrecadação de impostos sobre o garimpo medida cada vez mais impopular, principalmente quando o ouro de Minas Gerais começou a se exaurir, a partir de 1760. Empenhado em taxar todas as riquezas que eram retiradas do solo brasileiro, Pombal aumentou a fiscalização nas capitanias (principalmente nos portos exportadores). No período em que esteve no topo, Pombal acumulou poder, riquezas e inimigos. Com seus opositores, ele foi implacável: alguns foram condenados à prisão, outros, à morte. O caso mais emblemático de sua gestão foi a execução do marquês e da marquesa de Távora e do duque de Aveiro, em 1759, acusados de tramar um atentado fracassado contra José I no ano anterior. Ao permitir que eles fossem condenados à morte, Pombal deixou claro que seu poder não se sujeitava às antigas convenções e conchavos da política de Lisboa. Diante do ímpeto de Pombal, ser nobre não significava estar seguro. Enquanto José I reinou, Pombal foi soberano. Mas, após a morte do monarca, em novembro de 1776, seu poder ruiu. Rapidamente, seus inimigos conseguiram neutralizar sua influência na corte. Demitido por decreto real no ano seguinte, acuado e sem apoio, Pombal foi forçado a abandonar a capital e partir para sua propriedade em Oeiras. A regente, a rainha dona Maria I (a mãe de João VI, que ficaria conhecida como a Louca), atendendo às solicitações do povo, proibiu o ex-ministro de sair de sua propriedade. A reclusão, entretanto, não foi suficiente para acalmar a reação dos nobres e populares que, durante anos, haviam tido que aceitar sua tirania. Muitos dos que haviam colaborado com o governo de Pombal foram exilados, presos, torturados ou mortos. Nas ruas de Lisboa, ecoavam palavras de ordem como: Patrícios meus, clamai sobre o tirano/ saiba o mundo que foi o tal marquês/ ladrão, traidor, cruel e desumano. Renegado até pelos filhos, sozinho na enorme casa semi-abandonada, não tardou para que Pombal adoecesse. Velho e com lepra, ele lutou com abnegação nos processos movidos contra ele nos tribunais. Ainda possuía forças para escrever em sua própria defesa incluindo nos textos vários elogios à monarca, numa vã tentativa de agradá-la. Em maio de 1782, ele descreveu seu estado numa declaração pública: Presentemente me acho quase todo entrevado, sem poder pôr os pés no chão, nem sustentar-me sobre as pernas. Cheio de dores e feridas no corpo, Pombal morreu logo depois, no dia 8. Antes que seu corpo fosse embalsamado, passou por uma autópsia, assim descrita pelo historiador português João Lúcio de Azevedo em O Marquês de Pombal e a sua Época: O coração, que abrigara tantos ódios, hipertrofiado, era enorme; o cérebro, onde nasceram ambições, também era volumoso. Até a invasão napoleônica de Portugal, no início do século 19, a memória de Pombal ficou no ostracismo. Mas, após João VI e sua corte transferirem para o Rio de Janeiro a sede do reino, em 1808, muitos portugueses com orgulho ferido recuperaram a imagem do ministro como um grande líder que fora capaz de conduzir a nação.

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O MARQUES DE POMBAL SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO (1699 - 1782) POR ANTONIO TEIXEIRA LOPES EM1882 - FÁBRICA DAS DEVESAS. GRANDE E RARA HERMA EM FAIANÇA DA FABRICA DAS DEVESAS DAQUELE QUE FOI UM DOS MAIORES GOVERNANTES DE PORTUGAL. O MARQUES É APRESENTADO CINGINDO A ORDEM DE CRISTO E FARDÃO DE CORTE. UMA ESCULTURA MAGNIFICA DE GRANDE DIMENSÃO. PORTUGAL E O BRASIL NÃO SERIAM OS MESMO SEM O GOVERNO DE SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO. PORTUGAL, SEC. XIX. 77 CM DE ALTURA.NOTA: Em 1723, o português Sebastião José de Carvalho e Melo raptou Teresa de Noronha e Bourbon Mendonça e Almada, uma formosa viúva pertencente à mais alta elite de seu país. Casaram-se contra a vontade da família dela, que não via com bons olhos sua união com um obscuro membro da pequena nobreza. O matrimônio não gerou filhos, mas foi uma amostra da ousadia do homem que mudaria o destino de Portugal. O futuro marquês de Pombal era tudo, menos um romântico sonhador. Da mesma maneira que traçou com mão de ferro as linhas de sua vida pessoal, Carvalho e Melo conduziu os portugueses após um dos mais terríveis desastres naturais da história da humanidade: o terremoto de Lisboa, que devastou a capital portuguesa em 1755. A figura do marquês entrou de modo ambíguo nos livros de história. Ora retratado como déspota esclarecido, ora como ditador sanguinário, muitos foram os adjetivos usados para descrever o poderoso ministro, que comandou Portugal durante o reinado de José I. Ninguém questiona, entretanto, o fato de que Pombal tornou-se um marco na história do império português que, na época, incluía o Brasil. Nascido em 1699, Carvalho e Melo não deu mostras na juventude de que seria um grande líder. Por influência de seu tio Paulo de Carvalho, que dava aula na Universidade de Coimbra, ele conseguiu se matricular naquela instituição. Mas logo abandonou os estudos para entrar no exército, onde não conseguiu passar do posto de cabo. Desiludido, decidiu estudar Direito e História o que lhe rendeu, aos 34 anos, um posto na Academia Real da História. Depois do casamento, Carvalho e Melo se mudou de Lisboa para a vila de Soure, onde a família de Teresa tinha propriedades. Em 1738, graças a uma indicação do tio, ele conseguiu o posto de embaixador português na Inglaterra. Sua esposa, muito doente, não pôde acompanhá-lo e acabou morrendo no ano seguinte. Carvalho e Melo ficou na Grã-Bretanha por cinco anos, onde se mostrou um grande negociador e aproveitou para conhecer a fundo as instituições inglesas. Retornou a Portugal e, em 1745, foi enviado como diplomata à Áustria. Lá, casou-se pela segunda vez, desposando a condessa Maria Leonor Ernestina Daun. O segundo casamento de Carvalho e Melo, abençoado pela imperatriz austríaca Maria Tereza, permitiu-lhe subir mais um degrau no complicado jogo de xadrez da corte portuguesa. Ao ver o ambicioso político se casar com uma conterrânea, a esposa de João V, Ana da Áustria, resolveu torná-lo seu protegido. Em 1749, após assumir o governo por causa do péssimo estado de saúde do rei, ela convocou Carvalho e Melo de volta a Portugal para fazer parte do ministério. Aos 50 anos, ele assistia ao início do auge de sua vida pública. Com a morte de João V, em 1750, José I assumiu o trono e tomou as rédeas de um dos maiores e mais ricos impérios da Europa. Teve medo e, em vez de encarar a tarefa, preferiu a vida fácil das óperas e das caçadas. Deixou o trabalho pesado de governar nas mãos de seus assessores. Foi quando Carvalho e Melo tomou posse no cargo de secretário dos Negócios Estrangeiros, um dos três ministérios que concentravam as decisões do reino. Seus trunfos eram a experiência diplomática e um círculo de amigos que incluía eminentes cientistas, em especial membros da comunidade de expatriados portugueses muitos deles tinham sido forçados a deixar o país por causa da Inquisição. Quando dois terços de Lisboa ruíram com o terremoto, a situação ficou tão caótica que José I transferiu praticamente todo o poder para as mãos de seu ministro predileto. Carvalho e Melo coordenou o socorro às vítimas e rapidamente iniciou a reconstrução da cidade afinal, era preciso que se cuidasse dos vivos e se enterrassem os mortos, conforme ele teria dito na ocasião. Em 1759, quando foi nomeado conde de Oeiras, o ministro já tinha se tornado praticamente um governante absoluto. O título sob o qual seria eternizado, marquês de Pombal, lhe foi dado por José I em 1769. Portugal dependia das riquezas brasileiras para sustentar os gastos luxuosos da corte. Em 1755, um jovem membro da Armada francesa, Chevalier des Courtils, resumiu a situação em seu diário de viagem: Portugal é mais uma província do que um reino. Pode-se dizer que o rei de Portugal é um potentado das Índias que habita em terras europeias. E prosseguiu, atribuindo a grandeza do país apenas às suas colônias: Os Estados vastos e ricos sob sua soberania no Novo Mundo, como o Brasil, o Rio de Janeiro, Bahia de Todos os Santos, Goa, a Madeira na África e os Açores na Europa, tornaram-no um príncipe considerável e colocaram-no entre as grandes potências europeias, se considerarmos o valor de suas possessões. O primeiro dia de novembro de 1755 brindou Lisboa com uma linda manhã de outono. O ar estava tépido e as igrejas, apinhadas de gente era o dia de Todos os Santos. Súbito, um ronco vaporoso, enorme trovão subterrâneo. Cavalgada de ciclopes, que se aproxima em doida correria, arrastar de carros gigantes nos abismos da terra. Nos altares, oscilavam as imagens; as paredes bailam; dessoldam-se traves e colunas; ruem paredes, com o abafado som da caliça que esboroa, e de corpos humanos esmagados; no chão, onde os mortos repousam, aluem-se os covais para tragar os vivos. Na descrição clássica do historiador português João Lúcio de Azevedo, o terremoto de Lisboa alcança todo seu terror e magnitude. Um dos maiores desastres naturais na história, o evento intrigou filósofos e cientistas durante o século 18 e marcou a ascensão do marquês de Pombal. Acuado e com medo das hordas famintas de sobreviventes, o rei, José I, de seu palácio em Belém, deu plenos poderes ao único de seus ministros que se mostrou capaz de lidar com a tragédia. Pombal não perdeu tempo. Ordenou que os saqueadores fossem sumariamente enforcados, fixou os preços dos alimentos e do material de construção nos níveis anteriores ao desastre e fez com que os corpos das vítimas fossem amarrados a pesos e jogados no oceano. Calcula-se que entre 8 mil e 30 mil pessoas tenham morrido na tragédia. Quem sobreviveu ao tremor teve de enfrentar o maremoto que veio depois segundo escreveu o então cônsul britânico em Portugal, Edward Hay, as águas elevaram-se de 6 a 9 metros. As perdas materiais foram incalculáveis. O Real Teatro da Ópera, terminado no mês anterior, ficou em ruínas. Trinta e cinco igrejas desabaram sobre os fiéis que rezavam o tremor ocorreu bem no horário da missa. Em uma única mansão da cidade, perderam-se 200 pinturas (incluindo um Ticiano e um Rubens) e uma biblioteca com aproximadamente 18 mil volumes. Depois do socorro às vítimas, Pombal convocou engenheiros e topógrafos e tratou logo de reconstruir a cidade. Lisboa, depois das ações do marquês, tornou-se um exemplo da arquitetura iluminista: traçados retos substituíram as antigas vielas medievais e edificações monumentais foram erguidas para sediar a administração pública. A Biblioteca Real foi reorganizada, a partir de aquisições de livros, mapas e documentos em toda a Europa. Quando a corte portuguesa veio para o Brasil, em 1808, o acervo foi trazido para o Rio de Janeiro. A dependência da metrópole com relação ao Brasil tornou-se tão aguda no século 18 que Luís da Cunha, um dos diplomatas e pensadores políticos portugueses mais influentes no período, anteviu a transferência da corte para o Rio de Janeiro (que ocorreria no século seguinte). Segundo ele, o rei tomaria o título de Imperador do Ocidente e nomearia um vice-rei para governar Lisboa. É mais seguro e conveniente estar onde há abundância de tudo do que onde é preciso esperar pelo que se quer, escreveu. Foi Pombal, aliás, quem tirou a sede do governo-geral brasileiro de Salvador, transferindo-a para o Rio em 1763. Estava claro, portanto, que era preciso reorganizar todo o império para fazer frente à ascensão das outras potências europeias. As chamadas reformas pombalinas mudaram drasticamente a economia do reino e das colônias. Inspirado em modelos mercantilistas ingleses, franceses e holandeses, Pombal criou várias companhias de comércio a partir de 1753: da Ásia, do Grão-Pará e Maranhão, da Pesca das Baleias, das Vinhas do Alto Douro e de Pernambuco e Paraíba. Controladas pelo Estado, elas comandavam as atividades econômicas e monopolizavam os negócios. A das Vinhas do Alto Douro, por exemplo, controlava a produção e a venda do vinho do Porto produto do qual os ingleses eram os principais compradores. No Brasil, a gestão de Pombal estimulou a diversificação agrícola. A colônia, que se dedicava essencialmente à produção de açúcar, passou a plantar mais arroz, tabaco, algodão e cacau. Ele também foi responsável pelo aumento na arrecadação de impostos sobre o garimpo medida cada vez mais impopular, principalmente quando o ouro de Minas Gerais começou a se exaurir, a partir de 1760. Empenhado em taxar todas as riquezas que eram retiradas do solo brasileiro, Pombal aumentou a fiscalização nas capitanias (principalmente nos portos exportadores). No período em que esteve no topo, Pombal acumulou poder, riquezas e inimigos. Com seus opositores, ele foi implacável: alguns foram condenados à prisão, outros, à morte. O caso mais emblemático de sua gestão foi a execução do marquês e da marquesa de Távora e do duque de Aveiro, em 1759, acusados de tramar um atentado fracassado contra José I no ano anterior. Ao permitir que eles fossem condenados à morte, Pombal deixou claro que seu poder não se sujeitava às antigas convenções e conchavos da política de Lisboa. Diante do ímpeto de Pombal, ser nobre não significava estar seguro. Enquanto José I reinou, Pombal foi soberano. Mas, após a morte do monarca, em novembro de 1776, seu poder ruiu. Rapidamente, seus inimigos conseguiram neutralizar sua influência na corte. Demitido por decreto real no ano seguinte, acuado e sem apoio, Pombal foi forçado a abandonar a capital e partir para sua propriedade em Oeiras. A regente, a rainha dona Maria I (a mãe de João VI, que ficaria conhecida como a Louca), atendendo às solicitações do povo, proibiu o ex-ministro de sair de sua propriedade. A reclusão, entretanto, não foi suficiente para acalmar a reação dos nobres e populares que, durante anos, haviam tido que aceitar sua tirania. Muitos dos que haviam colaborado com o governo de Pombal foram exilados, presos, torturados ou mortos. Nas ruas de Lisboa, ecoavam palavras de ordem como: Patrícios meus, clamai sobre o tirano/ saiba o mundo que foi o tal marquês/ ladrão, traidor, cruel e desumano. Renegado até pelos filhos, sozinho na enorme casa semi-abandonada, não tardou para que Pombal adoecesse. Velho e com lepra, ele lutou com abnegação nos processos movidos contra ele nos tribunais. Ainda possuía forças para escrever em sua própria defesa incluindo nos textos vários elogios à monarca, numa vã tentativa de agradá-la. Em maio de 1782, ele descreveu seu estado numa declaração pública: Presentemente me acho quase todo entrevado, sem poder pôr os pés no chão, nem sustentar-me sobre as pernas. Cheio de dores e feridas no corpo, Pombal morreu logo depois, no dia 8. Antes que seu corpo fosse embalsamado, passou por uma autópsia, assim descrita pelo historiador português João Lúcio de Azevedo em O Marquês de Pombal e a sua Época: O coração, que abrigara tantos ódios, hipertrofiado, era enorme; o cérebro, onde nasceram ambições, também era volumoso. Até a invasão napoleônica de Portugal, no início do século 19, a memória de Pombal ficou no ostracismo. Mas, após João VI e sua corte transferirem para o Rio de Janeiro a sede do reino, em 1808, muitos portugueses com orgulho ferido recuperaram a imagem do ministro como um grande líder que fora capaz de conduzir a nação.

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    1ª. As peças que compõem o presente LEILÃO, foram cuidadosamente examinadas pelos organizadores que, solidários com os proprietários das mesmas, se responsabilizam por suas descrições.

    2ª. Em caso eventual de engano na autenticidade de peças, comprovado por peritos idôneos, e mediante laudo assinado, ficará desfeita a venda, desde que a reclamação seja feita em até 5 dias após o término do leilão. Findo o prazo, não será mais admitidas quaisquer reclamação, considerando-se definitiva a venda.

    3ª. As peças estrangeiras serão sempre vendidas como Atribuídas.

    4ª. O Leiloeiro não é proprietário dos lotes, mas o faz em nome de terceiros, que são responsáveis pela licitude e desembaraço dos mesmos.

    5ª. Elaborou-se com esmero o catálogo, cujos lotes se acham descritos de modo objetivo. As peças serão vendidas NO ESTADO em que foram recebidas e expostas. Descrição de estado ou vícios decorrentes do uso será descrito dentro do possível, mas sem obrigação. Pelo que se solicita aos interessados ou seus peritos, prévio e detalhado exame até o dia do pregão. Depois da venda realizada não serão aceitas reclamações quanto ao estado das mesmas nem servirá de alegação para descumprir compromisso firmado.

    6ª. Os leilões obedecem rigorosamente à ordem do catalogo.

    7ª. Ofertas por escrito podem ser feitas antes dos leilões, ou autorizar a lançar em seu nome; o que será feito por funcionário autorizado.

    8ª. Os Organizadores colocarão a título de CORTESIA, de forma gratuita e confidencial, serviço de arrematação pelo telefone e Internet, sem que isto o obrigue legalmente perante falhas de terceiros.

    8.1. LANCES PELA INTERNET: O arrematante poderá efetuar lances automáticos, de tal maneira que, se outro arrematante cobrir sua oferta, o sistema automaticamente gerará um novo lance para aquele arrematante, acrescido do incremento mínimo, até o limite máximo estabelecido pelo arrematante. Os lances automáticos ficarão registrados no sistema com a data em que forem feitos. Os lances ofertados são IRREVOGÁVEIS e IRRETRATÁVEIS. O arrematante é responsável por todos os lances feitos em seu nome, pelo que os lances não podem ser anulados e/ou cancelados em nenhuma hipótese.

    8.2. Em caso de empate entre arrematantes que efetivaram lances no mesmo lote e de mesmo valor, prevalecerá vencedor aquele que lançou primeiro (data e hora do registro do lance no site), devendo ser considerado inclusive que o lance automático fica registrado na data em que foi feito. Para desempate, o lance automático prevalecerá sobre o lance manual.

    9ª. O Organizador se reserva o direito de não aceitar lances de licitante com obrigações pendentes.

    10ª. Adquiridas as peças e assinado pelo arrematante o compromisso de compra, NÃO MAIS SERÃO ADMITIDAS DESISTÊNCIAS sob qualquer alegação.

    11ª. O arremate será sempre em moeda nacional. A progressão dos lances, nunca inferior a 5% do anterior, e sempre em múltiplo de dez. Outro procedimento será sempre por licença do Leiloeiro; o que não cria novação.

    12ª. Em caso de litígio prevalece a palavra do Leiloeiro.

    13ª. As peças adquiridas deverão ser pagas e retiradas IMPRETERIVELMENTE em até 48 horas após o término do leilão, e serão acrescidas da comissão do Leiloeiro, (5%). Não sendo obedecido o prazo previsto, o Leiloeiro poderá dar por desfeita a venda e, por via de EXECUÇÃO JUDICIAL, cobrar sua comissão e a dos organizadores.

    14ª. As despesas com as remessas dos lotes adquiridos, caso estes não possam ser retirados, serão de inteira responsabilidade dos arrematantes. O cálculo de frete, serviços de embalagem e despacho das mercadorias deverão ser considerados como Cortesia e serão efetuados pelas Galerias e/ou Organizadores mediante prévia indicação da empresa responsável pelo transporte e respectivo pagamento dos custos de envio.

    15ª. Qualquer litígio referente ao presente leilão está subordinado à legislação brasileira e a jurisdição dos tribunais da cidade de Campinas - SP. Os casos omissos regem-se pela legislação pertinente, e em especial pelo Decreto 21.981, de 19 de outubro de 1932, Capítulo III, Arts. 19 a 43, com as alterações introduzidas pelo Decreto 22.427., de 1º. de fevereiro de 1933.

  • CONDIÇÕES DE PAGAMENTO

    À vista, acrescido da taxa do leiloeiro de 5 %.

    Através de depósito ou transferência bancária em conta a ser informada através do e-mail de cobrança.

    Não aceitamos cartões de crédito.

    Para depósitos em cheque, as peças serão liberadas para retirada/envio somente após a compensação.

  • FRETE E ENVIO

    Enviamos através dos Correios para todo o Brasil.

    As despesas com retirada e remessa dos lotes, são de responsabilidade dos arrematantes.

    Em caso de envio por transportadoras, esta deverá ser providenciada pelo Arrematante.