Peças para o próximo leilão

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  • MONUMENTAL FISH BOWL  EM PORCELANA CHINESA DA DINASTIA QING REINADO DAOGUANG (1821-1850). DECORADO EXTERNAMENTE  COM ESMALTES DA FAMÍLIA ROSA  COM A TÉCNICA DU DIAO (ESCULTURA POR EMPILHAMENTO) MODELADA EM CAMADAS APRESENTADO RELEVO COM FIGURA DE AVES FENIX (FENGHUANG) POUSADAS SOBRE ROCHAS ORNAMENTAIS DE JARDIM E CERCADAS POR PEÔNIAS FLORESCENDO.  ESSA COMBINAÇÃO É AUPÍCIO DE PROSPERIDADE, BELEZA, VIRTUDE NOBRE E BOA FORTUNA. PREDOMINAM OS ESMALTES DA FAMÍLIA ROSA, VERDE OLVAM AZUL E AMARELO PASTEL TÍPICOS DESTE PERÍODO.  A ABA SUPERIOR É DECORADA COM MÍRIADE DE INSETOS , FLORES E RAMAGENS. NA BORDA UM BARRADO COM FIGURAS DE MORCEGOS ENTREMEADOS COM A COR VERDE E ROUGE DE FEUR. PARA OS CHINESES, O MORCEGO É UM ANIMAL INTELIGENTE E SÁBIO. O MOTIVO PELO QUAL VOAM DE CABEÇA PARA BAIXO DECORRE DO CÉREBRO AVANTAJADO QUE ELES POSSUEM. A IMAGEM DO MORCEGO PODE SER USADA COMO AMULETO DE SORTE E PROTEÇÃO. POR SER UM ANIMAL NOTURNO, ELE SIMBOLIZA O DESAFIO DE ATRAVESSAR A ESCURIDÃO, ENFRENTANDO AS DIFICULDADES PARA ENCONTRAR O CAMINHO DA LUZ E DO BEM. O INTERIOR POSSUI ACABAMENTO LISO E CLARO, FREQUENTEMENTE USADO PARA DESTACAR PEIXES ORNAMENTAIS QUANDO CHEIOS DE ÁGUA. A BASE É PLANA, NÃO ESMALTADA MOSTRANDO A QUALIDADE DA QUEIMA E SEU ENVELHECIMENTO  NATURAL. DURANTE O REINADO DO IMPERADOR DAOGUANG TEVE INICIO UM GRANDE RENASCIMENTO NA PRODUÇÃO DE PORCELANA FAMILE ROSE VOLTADAS PRINCIPALMENTE PARA A EXPORTAÇÃO E PARA A CLASSE ALTA. TAMBÉM ESSE ESTILO DE DECORAÇÃO EM CAMADAS DE RELEVO FOI RETOMADA RESGATADA DE ESTILOS IMPERIAIS MUITO ANTIGOS. A ORIGEM DO AQUÁRIO COMEÇA PRIMEIRO COM OS ROMANOS E DEPOIS EM 1300 DC NA CHINA. NAQUELA ÉPOCA, OS CHINESES ESTAVAM APENAS DESENVOLVENDO A CARPA DOURADA QUE CONHECEMOS HOJE.  ELES MANTINHAM LAGOS CHEIOS DE PEIXES DOURADOS EM SUAS CASAS. FOI ASSIM QUE SURGIRAM ESSAS  GRANDES TIGELAS EM PORCELANA COM LINDOS PADRÕES DE PEIXES POR DENTRO E POR FORA. QUANDO RECEBIAM VISITAS OU EM OCASIÕES ESPECIAIS, TIRAVAM OS PEIXES  DOURADOS DO LAGO E OS COLOCAVAM NESSAS TIGELAS. QUANDO O EVENTO ACABAVA, AQUELES PEIXES VOLTARAM PARA SEU GRANDE LAGO. AO LONGO DAS DÉCADAS, ESPECIALMENTE POPULARES EM 1800, ESSAS TIGELAS SE TRANSFORMARAM EM TIGELAS DE VIDRO E TER UM PEIXINHO EM CASA APOIADO SOBRE UMA MESA TORNOU-SE UM HÁBITO TAMBÉM OCIEDENTAL. ESTA É UMA PEÇA SURPREENDENTE, MAGNIFICA E EM EXCELENTES CONDIÇÕES! CHINA, MEADOS DO SEC. XIX. 44 X 51 CMNOTA: Como o nome sugere esses grandes bowls eram usados como aquários nos salões das casas ricas chinesas, lá eram criadas carpas, um auguro de boa sorte, perseverança e vida longa. Segundo a cultura chinesa, a carpa tinha que atingir a fonte do rio que corta a China, o Huang Ho(Rio Amarelo), na época da desova. Para isso, tinha que nadar contra a correnteza e saltar cascatas até à montanha Jishinhan. A carpa que alcançasse o topo tornava-se um dragão. Por causa dessa crença, acredita-se que as carpas subindo significa força, coragem e determinação para alcançar objetivos e superar dificuldades, e a carpa descendo significa objetivos alcançados, cumpridos
  • GRANDE JARDINIERE JAPONESA DO PERIODO EDO TOCUGAWA (DEC. 1860) ,   EM BRONZE COM ESMALTES CLOISONEE  ENRIQUECIDA COM MONTURE EM BRONZE ORMOLU ESTILO E ÉPOCA NAPOLEÃO III.  OS EXUBERANTES ESMALTES APRESENTAM CRISANTEMOS, PEONIAS, CEREJEIRAS E PÁSSAROS. O MONTURE TEM FIGURAS DE DRAGÕES A GUISA DE ALÇAS;. OS PÉS APRESENTAM FIGURAS DE CABEÇAS DE FERAS MÍTICAS ORIENTALISTAS.  ESTE CACHEPOT É REPLETO DE HISTÓRIA E TÉCNICAS ARTÍSTICAS FASCINANTES. M CASAMENTO ARTÍSTICO ENTRE O JAPÃO E A FRANÇA. ESTA PEÇA REPRESENTA O ÁPICE DO JAPONISME NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX, UM MOVIMENTO EM QUE A EUROPA FICOU TOTALMENTE OBCECADA PELA ARTE ASIÁTICA. O VASO CENTRAL DE ESMALTE FOI PRODUZIDO POR ARTESÃOS NO JAPÃO (DA ERA MEIJI), MAS A RICA ESTRUTURA METÁLICA EXTERNA, COM OS GRIFOS E ADORNOS RENDADOS, FOI FUNDIDA E MONTADA POR RENOMADOS PRATEIROS E BRONZISTAS NA FRANÇA. ERA COMUM QUE GRANDES FUNDIÇÕES FRANCESAS, COMO A MAISON BARBEDIENNE OU A FAMOSA LOJA L'ESCALIER DE CRISTAL, COMPRASSEM AS PEÇAS ORIENTAIS PARA CRIAR ESSAS MONTAGENS LUXUOSAS PARA A ELITE EUROPEIA. FRANÇA E JAPÃO DEC. DE 1860/70. 45 X 29 CMNOTA: NOTA: A Técnica do Cloisonné é Puro Trabalho de Paciência. O termo Cloisonné vem do francês cloison, que significa "partição" ou "divisão".O desenho dos pássaros, crisântemos e borboletas não é apenas pintado: o artesão cola delicados fios metálicos (geralmente de latão, cobre ou prata) sobre o corpo de metal da peça para formar as silhuetas. Em seguida, cada pequeno espaço criado pelos fios é preenchido manualmente com uma pasta de pó de vidro colorido (o esmalte).A peça vai ao forno a cerca de 800C, o vidro derrete e encolhe, exigindo que o processo de preenchimento e queima seja repetido várias vezes até ficar plano. Por fim, a superfície é polida exaustivamente até atingir o brilho do vidro. Na cultura oriental, os elementos retratados no esmalte azul turquesa carregam fortes simbolismos: Crisântemos brancos e flores: Representam a longevidade, a nobreza e o outono. O crisântemo é, inclusive, o símbolo da família imperial japonesa. Borboletas e Pássaros: Simbolizam a alegria, a transformação, a liberdade e a renovação da vida. As  alças e pés de bronze dourado dessas peças trazem figuras mitológicas (como dragões ou grifos estilizados). Na tradição asiática, o dragão é um ser celestial associado à proteção, à boa sorte e ao poder sobre as águas (o que faz todo sentido para um vaso feito para conter plantas e terra). Os franceses adaptaram essa estética ao gosto ocidental, adicionando asas e detalhes robustos inspirados no estilo renascentista e barroco.  O acabamento dourado do bronze (conhecido como ormolu) era feito através de uma técnica francesa clássica que misturava ouro com mercúrio. A mistura era aplicada ao bronze e depois aquecida para que o mercúrio evaporasse, deixando apenas uma camada reluzente de ouro puríssimo. Devido à extrema toxicidade dos vapores de mercúrio exalados pelos artesãos, esse método de douramento foi proibido na França ainda no século XIX, tornando as peças remanescentes autênticas relíquias de uma era artesanal extinta.
  • PORCELANA CHINESA  TAIPINGYOXIANG  EX COLEÇÃO ANTONIO ALVES VILLARES DA SILVA -  FORMIDÁVEL PAR DE AUSPICIOSOS SUPORTES PARA VASO COM FEITIO DE ELEFANTES DITOS TAIPINGYOXIANG. ESMALTES DA FAMÍLIA VERDE  REINADO QIANLONG  SEGUNDA METADE DO SEC. XVIII. ESSES DOIS SUPORTES TAIPINGYOXIANG APRESENTAM SELOS DA COLEÇÃO DE ANTONIO ALVES VILLARES DA SILVA. ESTÃO MESMAS PEÇAS  ESTÃO REPRODUZIDAS EM UMA FOTOGRAFIA DA COLEÇÃO TOMADA NO INTERIOR DO PALACETE VILLARES DA SILVA AINDA NA DECADA DE 1920 (VIDE IMAGEM NOS CRÉDITOS  EXTRAS DESSE LOTE). OS ELEFANTES NA COR VERDE ÁGUA TEM NAS COSTAS O SUPORTE PARA OS VASOS COM FEITIO DE FLOR DE LÓTUS EM ROUGE DE FEUR E BERINGELA. PENDE DOS ANIMAIS ARREMATE EMULANDO  BROCADO DE SEDA DECORADO COM FLORES. A BASE É ENXADREIZADA EM VERDE. A PARTE SUPERIOR TEM ESMALTES FLORAIS  WUCAI. UM PAR DE TAIPINGYOXIANG AUGURO DE UM REINADO PACÍFICO, COMPÕE A SALA DO TRONO DO DRAGÃO NA CIDADE PROIBIDA (VIDE EM: https://happy-wanderings.com/2018/04/08/but-what-about-the-bathroom-the-forbidden-city-day-4-in-beijing/). CHINA, SEGUNDA METADE DO SEC. XVIII. 49 X 41 CMNOTA: "Taipingyouxiang" é uma expressão chinesa que significa literalmente "há um elefante em tempos de paz". É um provérbio que funciona como um jogo de palavras e um símbolo de boa sorte, referindo-se a um período de paz e prosperidade. A expressão é representada visualmente por um elefante carregando um vaso (ping) nas costas, uma combinação que soa como o desejo de um reinado pacífico.  A expressão é um trocadilho fonético. "Xiang" significa "elefante" e também "sinal" ou "auspicioso", enquanto "ping"  é "vaso". "Taiping" significa "paz" ou "tranquilidade". Representação visual: A imagem de um elefante com um vaso (ping) nas costas, carregando água, simboliza o desejo por paz e sorte. A água no vaso é um símbolo tradicional de boa fortuna e prosperidade. É um provérbio popular na cultura chinesa, usado como um símbolo auspicioso.
  • DINASTIA MING (1368-1644)   PALÁCIO DE VERÃO NA CIDADE PROIBIDA SAQUEADO E DESTRUÍDO POR TROPAS BRITÂNICAS E FRANCESAS NOS CONFLITOS DA SEGUNDA GUERRA DO OPIO EM 1860.   ELEMENTOS ARQUITETURAIS - PAR DE ESCULTURAS EM TERRACOTA, GUARDIÕES DE TELHADOS DUAS FIGURAS DE QILINS  (DECORAÇÃO IMPERIAL)  QUE GUARNECERAM O PALÁCIO DE VERÃO DA CIDADE PROIBIDA.  ESTE NOTÁVEL PAR DE GRANDES PEÇAS DE CERÂMICA DA DINASTIA MING (1368-1644) CONSTITUIA PARTE DA  DECORAÇÃO IMPERIAL DOS TELHADOS. DATADAS DO SÉCULO XV/XVI OU ANTERIOR. AS PEÇAS FIGURATIVAS REPRESENTAM O MÍTICO QILIN (CÃO DE FU/LEÃO GUARDIÃO), A CRIATURA AGACHADA COM AS PATAS TRASEIRAS E O CORPO EM CHAMAS, PRONTA PARA ATACAR. SÃO RECOBERTOS COM ESMALTE EM NEGRO. NA CHINA IMPERIAL, A COR NEGRA POSSUÍA UM SIGNIFICADO COMPLEXO, PRINCIPALMENTE COMO A COR DO NORTE E O ELEMENTO ÁGUA, REPRESENTANDO PODER, MISTÉRIO E AUTORIDADE. DE ACORDO COM A TEORIA DOS CINCO ELEMENTOS, O PRETO É A COR DA ÁGUA, QUE REPRESENTA O NORTE. ESSA ASSOCIAÇÃO TAMBÉM ESTÁ LIGADA AO CÉU E AO IMPERADOR DO CÉU, SIMBOLIZANDO A CONEXÃO DIVINA E O PODER DA COR . ERA A COR DA REALEZA E DO ALTO STATUS DEVIDO À DIFICULDADE DE CRIAR ESMALTES DESSA COR. ERA A COR DO IMPERADOR E DO PODER. NOTE QUE AS ESCULTURAS NÃO FORAM FEITAS COM MOLDES MAS SIM UMA A UMA POR ISSO TEM PEQUENAS DIFERENÇAS ENTRE SI.   O ANTIGO PALÁCIO DE VERÃO (YUANMINGYUAN) FOI DESTRUÍDO PELAS FORÇAS COMBINADAS BRITÂNICAS E FRANCESAS EM OUTUBRO DE 1860, DURANTE A SEGUNDA GUERRA DO ÓPIO.A DESTRUIÇÃO OCORREU APÓS UM PERÍODO DE SAQUES, E OS INCÊNDIOS FORAM PROVOCADOS COMO REPRESÁLIA PELA TORTURA E MORTE DE ALGUNS SOLDADOS ANGLO-FRANCESES CAPTURADOS. EM 6 DE OUTUBRO DE 1860, FORÇAS BRITÂNICAS E FRANCESAS SAQUEARAM O PALÁCIO DE VERÃO DO IMPERADOR XIANFENG, NOS ARREDORES DA CAPITAL. TRATAVA-SE DE UM COMPLEXO DE BELOS EDIFÍCIOS E JARDINS ONDE OS IMPERADORES DA DINASTIA QING TRATAVAM DE ASSUNTOS DE ESTADO. OS SOLDADOS SE APODERARAM DE PORCELANAS, SEDAS E LIVROS ANTIGOS, OU SIMPLESMENTE DESTRUÍRAM O QUE NÃO CONSEGUIRAM LEVAR. LOGO DEPOIS O PRÉDIO FOI INCENDIADO. ANOS DEPOIS FOI RECONSTRUÍDO PELO IMPERADOR GUANGXU PARA USO DA IMPERATRIZ VIÚVA CIXI E RENOMEADO PALÁCIO DE VERÃO. EMBORA DANIFICADO NOVAMENTE DURANTE A REBELIÃO DOS BOXERS EM 1900, FOI RESTAURADO E É UM PARQUE PÚBLICO DESDE 1924. ESTES DOIS GUARDIÕES FORAM  BUTINS  DE GUERRA DE UM SOLDADO DA MARINHA BRITÂNICA QUE OS LEVOU CONSIGO DE VOLTA A LONDRES. DESDE ENTÃO FORAM UMA HERANÇA FAMILIAR DE SEUS DESCENDENTES  E HÁ ALGUNS ANOS FORAM TRAZIDOS AO BRASIL POR SEU ÚLTIMO PROPRIETÁRIO INGLÊS. NOTE QUE O FOCINHO DOS ANIMAIS TEM DOIS OFICIOS ONDE ERAM ENCAIXADOS OS CHIFRES QUE ERAM DE BRONZE (VIDE IMAGEM DO ANTIGO PALACIO NOS CREDITOS EXTRAS ONDE A FIGURA DESSE GUARDIÕES PODE SER VISTA NO TELHADO). EXEMPLARES MAGNÍFICOS, COM QUALIDADE DE MUSEU, EM EXCELENTE ESTADO DE CONSERVAÇÃO ORIGINAL. CHINA, SEC. XV OU XVI. 43 X 39 CM  PESAM 13,53 KG E 11,16 KG  NOTA: As telhas chinesas fazem parte da arquitetura chinesa há mais de 2.000 anos. Essas telhas únicas e belamente trabalhadas tornaram-se parte integrante da cultura tradicional chinesa e ganharam reconhecimento internacional por sua beleza e significado cultural. Decorações imperiais chinesas para telhados, também chamadas de amuletos, figuras para telhados , "bestas ambulantes" (ou "bestas agachadas", eram estátuas colocadas ao longo da cumeeira do telhado. de edifícios oficiais do império chinês. Somente edifícios oficiais (palácios, prédios governamentais e alguns templos) tinham permissão para usar tais decorações de telhado. Ocasionalmente, eram dispostas em uma procissão com vários exemplos diferentes, o número e o tipo indicando a importância das funções desempenhadas dentro do edifício ou no pátio protegido por um portão. Com um número máximo de nove, a besta mítica era uma das de mais alta patente, sendo assim modelada para atacar o homem e criaturas de patente inferior, pronta para devorá-los caso se desviassem do cumprimento de seus deveres com fidelidade e retidão. O design do telhado é um aspecto importante da arquitetura chinesa, com cada componente desempenhando um papel específico. As telhas chinesas se encaixam no design geral do telhado e são colocadas sobre suportes de madeira chamados terças. O sistema de encaixe das telhas chinesas garante que elas permaneçam no lugar e evitem vazamentos. As cumeeiras são usadas para unir as duas inclinações do telhado e adicionam um toque decorativo à linha do telhado. Outros elementos decorativos incluem estátuas de animais, que são colocadas nos cantos do telhado. Os telhados chineses são Tipicamente do tipo telhado de quatro águas, com pequenos frontões, as decorações ao longo da cumeeira eram altamente visíveis para os observadores. Versões variantes ainda são comuns em templos chineses e se espalharam pelo resto do Leste Asiático e partes do Sudeste Asiático. As telhas chinesas possuem uma rica história cultural e são profundamente simbólicas na cultura tradicional chinesa. Representam prosperidade, boa sorte e proteção contra espíritos malignos. A cor vermelha está associada à boa sorte, enquanto o verde representa harmonia e equilíbrio. As telhas chinesas também refletem valores tradicionais chineses, como a harmonia com a natureza e o respeito pelo passado. Esses valores ainda são uma parte importante da cultura chinesa moderna.
  • FAMILIA JAUNE - GRANDE E MAGNIFICO VASO DO PERÍDO REPUBLICANO (1912-1949) COM ESMALTES DA FAMILIA JAUNE E DESIGN DE ROLAGEM DE LÓTOS E ALÇAS EM FOMRA DE CABEÇA DE FERA MÍTICA (TAOTIE) MORDENTE DE ARGOLA. SELO APÓCRITO DO REINADO QIANLONG (QING QIANLONG NIAN ZHI). O SELO TEM ESTILO CALIG´RAFICO ZHUANGSHU COM PIGMENTO EM REBAIXO SOB O ESMALTE. A BASE AMPLA EXIBE UMA BORDA NÃO ESMALTADA NO PÉ DO VASO, ESPESSA E COM COLORAÇÃO TERROSA ESCURA. O ESMALTE TURQUESA COBRE TODA A PARTE INTERNA DA BASE DE MANEIRA UNIFORME ASSIM COMO NO INTERIOR DO PESCOÇO DO GARGALO. OS OARNAMENTOS NO CORPO DO VASO SÃO REALÇADOS EM OURO.  UM LARGO BARRADO EM ESMALTE LILÁS FAZ A TRANSIÇÃO ENTRE O GARGALO E BOJO. A PINTURA É DE EXCEPCIONAL QUALIDADE! CHINA, INICIO DO SEC. XX. 54 X 40 CMNOTA: Os esmaltes utilizados na porcelana Famille Jaune guardam segredos químicos intrigantes e carregam um forte simbolismo cultural da China Imperial. O vibrante fundo amarelo é um esmalte vítreo de baixa temperatura formulado à base de chumbo. Esse elemento funcionava como fundente, ajudando o esmalte a derreter e vitrificar de forma homogênea entre 750 C e 850 C.  A tonalidade amarela brilhante e opaca era obtida pela adição de óxido de antimônio (e às vezes ferro) misturado ao esmalte de chumbo, criando um pigmento conhecido historicamente como amarelo de Nápoles.  Diferente de outras porcelanas pintadas sobre o verniz branco já queimado, o esmalte da Famille Jaune era frequentemente aplicado diretamente sobre o biscuit (a massa de porcelana queimada apenas uma vez, sem nenhuma cobertura). Isso criava uma textura fosca e rica sob o esmalte amarelo. Em muitas peças, os artesãos entalhavam levemente os contornos dos desenhos na peça crua antes da primeira queima. Essas linhas serviam como barreiras físicas para impedir que o esmalte amarelo do fundo escorresse e invadisse os esmaltes coloridos (como o verde e o roxo) dos desenho. Na China, o amarelo era a cor sagrada do Imperador e da própria terra. Porcelanas com esmalte puramente amarelo eram de uso restrito da corte real, simbolizando poder supremo e sabedoria divina. O termo Famille Jaune foi cunhado por colecionadores franceses no século XIX (como Albert Jacquemart). Na verdade, os especialistas consideram esse estilo uma variação ou subcategoria da Famille Verte (família verde), já que ambas compartilham exatamente a mesma paleta de esmaltes coloridos para os desenhos, mudando apenas a cor de fundo.
  • LANG YAO  PRECIOSO  FLOREIRO DE FEITIO BULBOSO DITO VASO GARRAFA (BOTTLE VASE)  CONSTRUÍDO EM PORCELANA DITA  LANG COM ESMALTE VERMELHO UNDERGLAZE - SANG DE BOEUF. DINASTIA QING, REINADO QIANLONG. NA TRADIÇÃO CHINESA ESTE  FORMATO É CHAMADO PNGBAOPING. NO CONTEXTO DA CHINA ESTÁ FORTEMENTE ASSOCIADO À GARRAFA DE ÁGUA PURA DE GUANYIN  UM VASO RITUALÍSTICO DE CERÂMICA OU PORCELANA CHINESA MUITO UTILIZADO COMO ARTIGO DECORATIVO E EM TEMPLOS BUDISTAS. NA TRADIÇÃO E ICONOGRAFIA ORIENTAL, A DEUSA DA COMPAIXÃO GUANYIN É FREQUENTEMENTE REPRESENTADA SEGURANDO ESTE VASO SAGRADO EM FORMATO DE REDOMA/GARRAFA, USADO PARA ESPALHAR ÁGUA DIVINA E ABENÇOADA PARA PURIFICAR O MUNDO E ALIVIAR O SOFRIMENTO. MAGNÍFICA COMPOSIÇÃO DE CORES OBTIDAS COM QUEIMA CONTROLADA. A BORDA TEM O DESEJÁVEL EFEITO CONHECIDO TECNICAMENTE COMO BORDA DE OSSO (DENGCAOBIAN). ESSE EFEITO NÃO É UMA PINTURA, MAS SIM UM RESULTADO NATURAL E MUITO VALORIZADO DO PROCESSO DE QUEIMA DO ESMALTE SANGUE DE BOI. O ESMALTE VERMELHO À BASE DE COBRE É EXTREMAMENTE DENSO E FICA MUITO FLUIDO QUANDO ATINGE ALTAS TEMPERATURAS DENTRO DO FORNO IMPERIAL. DURANTE A QUEIMA, O ESMALTE DERRETIDO ESCORRE SUAVEMENTE DO TOPO EM DIREÇÃO À BASE DO VASO.  AO ESCORRER, A CAMADA VERMELHA FICA EXTREMAMENTE FINA NA BORDA SUPERIOR (O LÁBIO DO VASO), PERMITINDO QUE A COR BRANCA NATURAL DA PORCELANA OU DO ESMALTE DE FUNDO APAREÇA ATRAVÉS DELA.EM PEÇAS AUTÊNTICAS E VALIOSAS DAS DINASTIAS QING E SUBSEQUENTES, A PRESENÇA DESSA TRANSIÇÃO SUAVE E GRADUAL PARA UMA BORDA CLARA E LEVEMENTE CRAQUELADA É CONSIDERADA UMA ASSINATURA DE ALTA QUALIDADE TÉCNICA E CONTROLE DO FORNO. CHINA, SEGUNDA METADE DO SEC. XVIII. 38 X 24 CM.NOTA: LANG TINGJI, foi nomeado pelo Imperador KANGXI, supervisor de porcelana nos fornos de Jingdezhen. A intenção do Imperador era a de recriar as famosas porcelanas monocromáticas do período Ming do SEC. XIV. Os chineses tem essa particularidade, um respeitoso culto aos ancestrais e suas conquistas. Edmund de Waal em seu livro O Caminho da Porcelana: A jornada de Uma Obsessão (recomendo muitíssimo) referencia assim essa respeitosa paixão pela memória dos ancestrais: Esse pode ser o ano em que alguém encomenda a fabricação de turíbulos que se parecem muito com os turíbulos feitos há trezentos anos. Esses por sua vez foram feitos para aludir bronzes de 900 anos atrás. Assim a devoção atravessa os séculos e as gerações. LANG TINGJI era extremamente dedicado e mergulhou fundo na tarefa que lhe foi destinada. O problema é que o pigmento de vermelho intenso que dá o tradicional aspecto vidrado dessas porcelanas conhecidas no mundo ocidental como sang de boeuf (sangue de boi) era feito a base de coral e ágata o que o tornava extremamente caro. O próprio fabrico era delicado, principalmente quanto ao processo de queima e a porcelana que LANG TINGJI finalmente conseguiu reproduzir, tinha uma margem de perda muito grande e passou a ser conhecida como 100 para 1 (a cada 100 peças somente uma era aproveitada). Mas esse custo não desmotivou o imperador KANGXI afinal ele era o grande imperador iniciador da dinastia QING. Ele era um homem 100 para 1. Tamanho era esse custo de produção que gerou um ditado sobre a porcelana de LANG como ficou então conhecida, em homenagem a seu redescobridor: Quer ficar pobre? Faça porcelana de Lang. Hoje nós conhecemos essa produção como LANG YAO. AINDA SOBRE O FORMATO DESTE MAGNIFICO VASO: A história desse formato remonta a milênios na arte oriental, carregando um forte significado espiritual e prático. As silhuetas que inspiraram o vaso garrafa surgiram na China arcaica antes da Dinastia Shang (16001045 a.C.). Inicialmente modelados em bronze ritualístico ou barro, os vasos conhecidos como Hu apresentavam essa mesma transição fluida: uma base bojuda imitando uma pera e um gargalo mais estreito. Eles eram usados originalmente para armazenar e servir vinho em rituais sagrados. A Evolução para o Sagrado (Yuhuchunping) Durante a Dinastia Tang (618907 d.C.), o formato evoluiu para o modelo clássico Yuhuchunping (Vaso em formato de pera) nos templos budistas. Ele era utilizado especificamente para conter água pura, simbolizando a limpeza espiritual e a cura. Com o tempo, nas dinastias Song e Yuan, o design passou a ser adotado pela nobreza como uma peça puramente decorativa de altíssimo status. O Apogeu Imperial no Século XVIIIO formato de garrafa atingiu sua perfeição técnica na Dinastia Qing, especialmente durante o reinado do Imperador Kangxi (16621722). Foi neste exato período que os artesãos dos fornos imperiais de Jingdezhen conseguiram dominar o instável esmalte Sangue de Boi (Langyao hong). Unir a silhueta clássica da garrafa com o vermelho profundo e brilhante tornou-se o auge da sofisticação da porcelana imperial.
  • DINASTIA QING - REINADO QIANLONG  (1736-1935)  - FORMIDÁVEL SOPEIRA COM SEU PRESENTOIIR EM PORCELANA CHINESA DE EXPORTAÇÃ COM PALETA DECORATIVA YANGCAI DA FAMÍLIA ROSA. LINDAS FLORES REALÇADAS POR ESMALTES AZUIS REMATADOS EM OURO COM ESCAMAS DE PEIXE. PEGAS  LATERAIS COM FEITIO DE CABEÇAS DE JAVALI. TAMBPA COM FORMATO DE ROMÃ, UM SÍMBOLO DE PROSPERIDADE , FERTILIDADE E DESCEDÊNCIA NUMEROSA SEGUNDO A TRADIÇÃO CHINESA. O ARRANJO DE FLORES CENTRAIS E AS BORDAS DECORADAS MISTURAM A DELICADEZA ORIENTAL COM O GOSTO DA ARISTOCRACIA E NOBREZA EUROPÉIA. . o MERCADO OCIDENTAL FAZIA SUAS ENCOMENDAS TENDO EM VISTA A COMBINAÇÃO COM A DECORAÇÃO BARROCA E ROCOCÓ DOS PALÁCIOS DA ÉPOCA.. O PRESENTOIR SEXTAVADO COMO A SOPEIRA TEM NO FUNDO O ACABMAENTO UNGLAZED SEM ESMALTE QUE LHE CONFERE UMA DESEJÁVEL FINALIZAÇÃO RÚSTICA. MAGNIFICO CONJUNTO EM EXCEPCIONAL ESTADO DE CONSERVAÇÃO! CHINA, MEADOS DO SEC. XVIII. 37 CM DE COMPRIMENTO (PRESENTOIR).NOTA: Esta sopeira carrega histórias fascinantes sobre a globalização, segredos industriais e a diplomacia do século XVIII. A sopeira era considerada a joia da coroa de um serviço de mesa no século XVIII. Ela ocupava o centro absoluto da mesa e servia como o maior símbolo de status e riqueza do anfitrião. Encomendar um conjunto completo com sopeira e presentoir (o prato debaixo) à Companhia das Índias custava uma fortuna equivalente a um pequeno palácio na época. Embora o estilo Família Rosa seja um ícone da arte chinesa, a cor rosa foi, na verdade, uma inovação trazida do Ocidente. Missionários jesuítas europeus introduziram na China uma técnica metalúrgica que utilizava ouro coloidal para obter esse tom rosado opaco. Os artesãos da cidade imperial de Jingdezhen dominaram o pigmento e o batizaram de Yangcai ("cores estrangeiras"). Até meados do século XVIII, os europeus não sabiam como fazer porcelana verdadeira (feita com caulim e quartzo), que era fina, translúcida e extremamente resistente. Por isso, o material era chamado de "ouro branco". Peças como esta viajavam em navios por mais de seis meses, enfrentando tempestades e piratas, apenas para abastecer os palácios da aristocracia ocidental. Para os compradores europeus, os desenhos eram apenas flores bonitas. Porém, para os pintores chineses que decoravam a peça, cada elemento carregava votos profundos: A Romã na Pega: Simboliza o desejo de fertilidade e muitos filhos (devido às suas inúmeras sementes).As Peônias: Representam a riqueza, honra e beleza feminina.  O formato oblongo (ovalado) com cantos chanfrados e as alças laterais não são tradicionais da cultura utilitária chinesa. O design foi copiado de modelos europeus de prata ou faiança enviados pelos mercadores ocidentais para que os oleiros chineses os reproduzissem perfeitamente em porcelana.
  • DINASTIA QING - REINADO QIANLONG  (1736-1935)  - MAGNIFICO  POTICHE DE PORCELANA  PARA ARMAZENAR GENGIBRE COM ESMALTES DA  FAMILIA ROSA E NOTÁVEL MARROM DITO BATAVIAN WARE (CAFÉ COM LEITE) CARACTERIZADO PELO CONSTRAS MARROM DO FUNDO VITRIFICADO E AS RESERVAS COM ESMALTES DA FAMÍLIA ROSA RETRATANDO PEÔNIAS, GALHOS FLORIDOS E DECORAÇÃO TRADICIONAL.. MAGNIFICO E EM PERFIETAS CONDIÇÕES! CHINA, MEADOS DO SEC. XVIII. 26 X 22 CMNOTA: O termo Batavian Ware não vem da China mas sim da Batávia atual Jacarta na Indonésia onde as cargas de porcelana chinesa eram centralizadas antes do trasporte para Europa pela Companhia das Indias Orientais. No ocidente o fundo marrom brilhante ficou conhecido como caféáu-lait. O fundo marrom exige uma temperatura de queima altíssima no forno o que tornava esse padrão raro pelo alto custo devido as perdas causadas pela temperatura excessiva.  Os esmaltes florais tipicos da família roas eram então aplicados  depois sobre as reservas propositadamente deixadas em branco para a segunda fase da decoração já que exigiam temperatura mais baixa por serem esmaltes delicados. As peônias rosadas eram símbolos de riqueza, honra e prosperidade na cultura chinesa. No século XVIII possuir uma peça como essas na Europa era um símbolo de enorme riqueza e poder.
  • PIXIU - PAR DE GRANDES FIGURAS DE PIXIU  DECORADOS EM GUTONGCAI, ESMALTE APERFEIÇOADO ESPECILAMENTE DURANTE A  DINASTIA QING QUE REPRODUZ O ASPECTO DO BRONZE ANTIGO E SUAS PÁTINAS. OS ARTESÃOS USAM ESMALTES ESPECIAIS COM TONS AMARRONZADOS, DOURADOS E MANCHAS VERDE-OLIVA PARA SIMULAR PERFEITAMENTE A CORROSÃO NATURAL DO METAL. O PIXIU  É UMA DAS CRIATURAS MITOLÓGICAS MAIS PODEROSAS E POPULARES DA CULTURA CHINESA, CONSIDERADA UM SÍMBOLO SUPREMO DE RIQUEZA, PROTEÇÃO E BOA SORTE. ELE É UMA CRIATURA HÍBRIDA, FREQUENTEMENTE REPRESENTADA COM CORPO DE LEÃO, CABEÇA DE DRAGÃO, ASAS DE FÊNIX E PATAS DE QUILIN. O SEU TRAÇO MAIS MARCANTE NA MITOLOGIA É TER UM APETITE VORAZ POR OURO, PRATA E JOIAS, MAS NÃO POSSUIR ÂNUS, O QUE SIGNIFICA QUE TUDO O QUE ELE CONSOME ENTRA, MAS NUNCA SAI. POR ISSO, ELE SIMBOLIZA A ACUMULAÇÃO E RETENÇÃO DE RIQUEZA. CHINA, INICIO DO SEC. XX. 60 X 53 CMNOTA: Pelos princípios do Feng Shui eles são usados para atrair abundância financeira sendo muito comuns em locais de comércio e salas de estar. Também nos grandes palácios era o guardião celestial para afastar as energias negativas e os maus espíritos da casa. Por não ter como expelir o que ingere ele protege as riquezas do dono contra gastos imprevistos ou perdas financeiras. Sáo geralmente apresentado aos pares o macho (Pi) atrai a riqueza e a a fêmea (Xiu) protege o patrimônio. Ainda segundo a mitologia os pixius devem ser acariciados mas nunca nos olhos e na boca porque são eles que enxergam e capturam a riqueza.
  • SENNEH  MUITO GRANDE TAPETE PERSA COM PADRÃO ZIL-I-SULTAN (VASOS DE FLORES) . O DESENHO QUE SEGUE FÓRMULA DE REPETIÇÃO CONSISTE DE INUMEROS DE VASOS DE FLORES ESTILIZADOS QUE PREENCHEM TOTALMENTE O CAMPO DO TAPETE AO FORMAR FILEIRAS ORDENADAS. OS TAPETES SENNEH NÃO SÃO TAPETES PRODUZIDOS POR NÔMADES SÃO TAPETES URBANOS DE ALTA QUALIDADE E REFINAMENTO TÉCNICO QUE CARACTERIZA ESSE TAPETE MALEÁVEL É TECIDO EM PELOS CURTOS SOBRE UMA BASE NÃO ESPESSA.  POR ESSA RAZÃO FORAM  ENCOMENDADOS PRINCIPALMENTE PELA ARISTOCRACIA LOCAL   E DIGNARATÁRIOS CIVIS.SÃO EXTREMAMENTE VALORIZADOS POR SEU REFINAMENTO E APURO TÉCNICO. POR ESSAS CARCTERISTICAS SÃO TAPETES DE MUITA QUALIDADE E DE ALTO PREÇO.  NO MERCADO DE TAPEÇARIA ARTISTICA INTERNACIONAL. ESTÁ EM EXCELENTE ESTADO DE CONSERVAÇÃO! PRIMEIRA METADE DO SEC. XX. 550 X 375 CMNOTA: Os tapetes da capital provincial do Curdistão apresentam um design mais refinado e uma certa elegância. Os tapetes Senneh são originários de Sanandaj, cujo antigo nome, Senneh, deu origem ao seu nome. Os tapetes Senneh são apreciados além das fronteiras do país e seus padrões são bastante clássicos. O padrão Herati, por exemplo, ou o boteh, são comuns. As cores utilizadas são as características dos tapetes curdos: azul escuro e vermelho. Fios de lã fina são usados para o pelo, enquanto a urdidura e a trama são feitas de algodão mais simples.
  • MANUEL CONSTANTINO (1899-1976)  OSP  - ASSINADO E DATADO 1971.  CENA DE INTERIOR COMPOSTA POR MESA CONTENDO GARRAFÃO, COBRE, SOPEIRA E PRATOS DE PORCELANA, COPOS E NO CHÃO CESTA COM LARANJAS E UM GATO ADORMECIDO. GRANDE E MAGNIFICA OBRA DE MANUEL CONSTANTITO ESPECIALISTA NESTE GÊNERO. REALIZOU NUS E PAISAGENS, COM UM TRATAMENTO ACADÊMICO ALHEIO A QUALQUER MODERNISMO. PORÉM, FOI NAS NATUREZAS-MORTAS DE TONS QUENTES, DE FLORES E FRUTOS, DE OBJETOS TRIVIAIS, DE COZINHAS, QUE ALCANÇOU SUA QUALIDADE MAIS ELEVADA, PODENDO SER CONSIDERADO UM DOS PRINCIPAIS MESTRES BRASILEIROS DO GÊNERO.   BRASIL, 1971. 110 X 92 CM (CONSIDERANDO-SE A MOLDURA) A TELA TEM 90 X 72 CMNOTA: Manoel Constantino Gomes Ribeiro (Baependi, MG, 15 de agosto de 1899  Rio de Janeiro, RJ, 1976), mais conhecido como Manoel Constantino, foi um pintor, arquiteto, museólogo e restaurador brasileiro. Era um especialista em natureza-morta, também pintava nus e paisagens. Estudou pintura na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro com Baptista da Costa, desenho com Rodolfo Chambelland e arquitetura com Arquimedes Memória, formando-se em Arquitetura e Museologia, em 1940. Tornou-se conservador do Museu Nacional de Belas Artes, passando a escrever diversos textos para catálogos de exposições realizadas na instituição. 1934 - Medalha de ouro do Salão Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ)1938 - Prêmio de viagem ao estrangeiro em 1938 (que a eclosão da Segunda Guerra Mundial o impediu de usufruir).1939 - Gande medalha de prata, Salão Paulista de Belas Artes (São Paulo, SP)1942 - Prêmio Fagundes Varela no Salão Fluminense de Belas Artes (Niterói, RJ)AcervosMNBA - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJMuseu Antônio Parreiras, em Niterói, RJ.
  • HEREND  MODELO QUEEN VICTORIA- EXUBERANTE BANDEJA PARA APERITIVOS (HORS D'OEUVRES) EM PORCELANA DA PRESTIGIADA MANUFATURA HEREND COM O HISTÓRICO E DESEJÁVEL  PADRÃO QUEEN VICTORIA  CARACTERIZADO POR RICAS COMPOSIÇÕES DE PEÔNIAS, FLORES SILVESTRES E BORBOLETAS MULTICOLORIDAS, REALÇADAS POR DELICADOS FILETES DOURADOS E RELEVOS MOLDADOS NA PORCELANA (ESTILO ROSTRATO). O CONJUNTO, HARMONIOSAMENTE ESTRTUTURADO  É COMPOSTO POR UM PRATO BASE CIRCULAR DECORADO E QUATRO TRAVESSAS REMOVÍVEIS EM FORMATO DE CRESCENTE (CRESCENT-SHAPED DISHES). O ELEMENTO CENTRAL É COROADO POR UMA EXPRESSIVA E DETALHADA ESCULTURA TRIDIMENSIONAL DE UM PAPAGAIO (ARARA) PINTADO À MÃO EM TONS VIBRANTES DE LARANJA, VERDE E AZUL, EMPOLEIRADO SOBRE UM TRONCO ESTILIZADO COM DETALHES FLORAIS. MARCA DA MANUFATURA HEREND PINTADA E IMPRESSA NA BASE DE CADA PEÇA. HUNGRIA, SEC. XX. 25,54 CM (ALTURA) POR 36,8 CM (DIAMETRO)NOTA:O padrão Victoria é um dos designs mais históricos da Herend e leva o nome da rainha homônima que se apaixonou por sua originalidade.  Originalmente, o padrão Victoria foi desenhado por Fischer Mór, fundador e proprietário da Fábrica de Porcelana Herend. O design foi introduzido em 1851, tendo raízes nos designs orientais de porcelana fina. Inicialmente, o design foi chamado de Extremo Oriente para trazer referencias da porcelana chinesa no inicio do que seria o chinoiserie europeu. A decoração é repleta de borboletas e flores estilizadas e detalhadas. As bordas são pintadas com elementos florais e acabamento em verde  ou outra cor. Durante a Grande Exposição das Obras da Indústria de Todas as Nações de 1851, no Palácio de Cristal, a primeira feira mundial, a Rainha Vitória apaixonou-se pelo design. Ela encomendou um grande conjunto de porcelana Herend, que a fábrica da Herend Hungria  na época Herend Áustria-Hungria  trabalhou durante dois anos para produzir e enviar integralmente. Gosto de brincar que a Rainha Victoria foi uma precursora dos influencers  modernos, tudo que ela gostava e usava caia nas graças do mundo. A Herend inteligentemente rebatizou o padrão Extremo Oriente para Queen Victoria o que tornou esse modelo o mais cobiçado pelos encomendantes.  A porcelana húngara da Herend logo passou a ser requisitada pela nobreza europeia para a criação de designs únicos e excepcionais. As décadas seguintes foram algumas das mais bem-sucedidas da Herend, em parte graças ao imperador austríaco Francisco José I, que concedeu a Fischer o prestigioso título de Fornecedor da Corte Real em 1865.
  • D. JOÃO VI - SERVIÇO VISTA GRANDE - FAZENDA SANTA CRUZ. LINDO PRATO  EM PORCELANA COMPANHIA DA ÍNDIAS REINADO JIAQING (1796-1820), BORDA CIRCULAR, ABA COM FRISO GEOMÉTRICO MARROM REMATADO EM DOURADO; NO CENTRO PAISAGEM CIRCULAR EM SÉPIA REPRODUZINDO RIO, VEGETAÇÃO, PERSONAGENS E MONTANHAS. REPRODUZIDO À PÁGINA 93 DO LIVRO "LOUÇA DA ARISTOCRACIA NO BRASIL" POR JENNY DREYFUS. CHINA, SÉC. XVIII. 25 CM DE DIAMETRO .NOTA: A Fazenda Imperial de Santa Cruz (ou Fazenda de Santa Cruz, Fazenda Real de Santa Cruz, ou Fazenda dos Jesuítas, ou, ainda, Fazenda Nacional de Santa Cruz ) foi uma fazenda próspera fundada em pelos padres Jesuítas nos arredores da cidade do Rio de Janeiro. Sua sede e núcleo principal corresponde hoje ao Bairro carioca de Santa Cruz. Após o Descobrimento do Brasil, com a chegada dos colonizadores portugueses à baía da Guanabara, a vasta região da baixada de Santa Cruz e montanhas vizinhas, foi doada a Cristóvão Monteiro, da Capitania de São Vicente, como recompensa aos serviços prestados durante a expedição militar que, em 1567, expulsou definitivamente os franceses da Guanabara. Ao morrer Cristóvão Monteiro, a sua esposa, dona Marquesa Ferreira, doou aos padres da Companhia de Jesus sua parte das terras. Estes religiosos, agregaram estas terras a outras sesmarias, constituíram um imenso latifúndio assinalado por uma grande cruz de madeira: a Santa Cruz. Em poucas décadas, a região compreendida entre a barra de Guaratiba, o atual município de Mangaratiba, até Vassouras, no Sul do atual Estado do Rio de Janeiro, integrava a poderosa Fazenda de Santa Cruz, a mais desenvolvida da Capitania do Rio de Janeiro nesta época, contando com milhares de escravos, cabeças de gado, e diversos tipos de cultivos, manejados com técnicas avançadas para a época. Entre as edificações, hoje com valor histórico, contam-se igrejas e um convento, ambos ricamente decorados. Uma dessas obras remanescentes é a chamada Ponte do Guandu ou Ponte dos Jesuítas. Na verdade uma represa, foi erguida em 1752, com a finalidade de regular o volume das águas das enchentes do rio Guandu. Atualmente, esse monumento permanece com a sua estrutura original quase inalterada. Outra das admiráveis iniciativas dos dirigentes da Fazenda de Santa Cruz, no plano da cultura, foi a fundação de uma Escola de Música, de uma Orquestra e de um Coral, integrados por escravos, que tocavam e cantavam nas missas e nas festividades quer na Fazenda, quer na Capital da Capitania. Considera-se, por essa razão, que Santa Cruz foi o berço da organização instrumental e coral do primeiro Conservatório de Música no Brasil. Passa pelas terras da Fazenda de Santa Cruz a trilha que no período colonial ligava a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro ao sertão: o Caminho dos Jesuítas, posteriormente denominado Caminho das Minas, e posteriormente ainda, Estrada Real de Santa Cruz. O seu percurso estendia-se até ao porto de Sepetiba, onde se embarcava com destino à cidade de Parati, de onde partia a antiga Estrada Real. Diante da expulsão dos Jesuítas dos domínios de Portugal e suas colônias, em 1759 por ação do Marquês de Pombal, o patrimônio da Companhia de Jesus (e a Fazenda de Santa Cruz) reverteu para a Coroa. Com o banimento dos Jesuítas do Brasil, o patrimônio da Fazenda de Santa Cruz reverteu para a Coroa, passando a se subordinar aos Vice-reis. Após um período de dificuldades administrativas, sob o governo do Vice-rei Luís de Vasconcelos e Souza, a Fazenda voltou a conhecer um período de prosperidade. No início do século XIX, com a chegada da Família Real ao Brasil (1808) e o seu estabelecimento no Rio de Janeiro, a Fazenda foi escolhida como local de veraneio. Desse modo, o antigo convento foi adaptado às funções de paço real - Palácio Real de Santa Cruz. Sentindo-se confortável na Real Fazenda de Santa Cruz, o Príncipe Regente prolongava a sua estada por vários meses, despachando, promovendo audiências públicas e recepções a partir da mesma. Nela cresceram e foram educados os príncipes D. Pedro e D. Miguel. Por iniciativa do soberano português foram trazidos da China cerca de cem homens encarregados de cultivar chá, no sítio hoje conhecido como Morro do Chá. Durante quase um século essa atividade foi produtiva e atraiu o interesse de técnicos e visitantes, tal o pioneirismo de sua implantação no Brasil. No entanto, de acordo com o jornalista Patrick Wilcken, no seu livro Império à Deriva (2010), o chá-da-índia cultivado em solo brasileiro não apresentou as mesmas características originais, sendo de qualidade inferior e de gosto amargo, o que acarretou em fracasso econômico ao contrário do café. D. João VI despediu-se de Santa Cruz em 1821, para retornar à Metrópole Portuguesa. Após o regresso de D João VI a Portugal, o Príncipe-Regente D. Pedro continuou constantemente presente em Santa Cruz, passando sua lua-de-mel com a Imperatriz Leopoldina (1818) nesta fazenda. No contexto da Independência do Brasil, antes de iniciar a história viagem da Independência, o príncipe-regente deteve-se em Santa Cruz, onde aconteceu uma reunião no dia 15 de agosto de 1822, com a presença de José Bonifácio, para estabelecer as suas bases. Ao regressar, antes de seguir até a cidade, comemorou a Independência do Brasil na Fazenda. Durante o Primeiro Reinado, o Palácio Real transformou-se em Palácio Imperial. D. Pedro I, abdicou do trono, mas os seus filhos continuaram a manter presença constante na Fazenda Imperial de Santa Cruz. Desde cedo, D. Pedro II e as princesas promoviam concorridos bailes e saraus no Palácio Imperial. Santa Cruz, por sua posição político-econômico e sobretudo estratégica (frente para o mar e fundos para os caminhos dos sertões de Minas) foi uma das primeiras localidades do País a se beneficiar com o sistema de entrega em domicílio de cartas pelo correio. Em 22 de novembro de 1842 foi inaugurada a primeira Agência fixa dos Correios do Brasil, primeira também a adotar este serviço. Dom Pedro II também instalou o primeiro telefone no Palácio Imperial de Santa Cruz, para comunicação com o Paço de São Cristóvão. Em 1878 foi inaugurada a estação de trem e no final de 1881, D. Pedro II inaugurou o Matadouro de Santa Cruz, tido como o mais moderno do mundo à época, que era servido por um ramal da estrada de ferro e abastecia de carne toda a cidade do Rio de Janeiro. Com o passar dos anos, uma série de modificações na arquitetura do prédio principal da fazenda de Santa Cruz, devido aos novos usos: Convento na era jesuítica, Palácio Real no tempo de D.João VI, Palácio Imperial com novas reformas no tempo de D. Pedro I e finalmente, no período republicano, com a construção de mais um andar, passou a aquartelar tropas do Exército. Hoje é a Sede do Batalhão Escola de Engenharia, o Batalhão Villagran Cabrita.
  • DOM JOÃO VI SERVIÇO DAS ROSAS PRATO EM PORCELANA DA COMPANHIA DAS INDIAS CONHECIDO COM SERVIÇO DAS ROSAS. ESSE SERVIÇO FOI USADO PELO REI DOM JOÃO VI NA FAZENDA SANTA CRUZ. ABA NA TONALIDADE LARANJA COM APLICAÇÃO DE ROSAS ENTREMEADAS POR PALMÁCEAS EM OURO. EXEMPLAR DESSE SERVIÇO ESTÁ REPRODUZIDO À PAGINA 87 DO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA DO BRASIL POR JENNY DREYFUS. PEÇA BELÍSSIMA E MUITO RARA! CHINA, INICIO DO SEC. XIX. 24 CM DE DIAMETRO.
  • SERVIÇO DE DOM JOÃO VI - VISTA PEQUENA - PRATO EM PORCELANA CIA DAS ÍNDIAS QUE PERTENCEU AO SERVIÇO REAL DE D. JOÃO VI, CONHECIDO COMO VISTA PEQUENA. PERÍODO, QING, JIAQING (1796-1820). ABA COM BARRADO GEOMÉTRICO EM AZUL REALÇADO EM OURO, SUCEDIDO NA BORDA POR FRISO EM OURO. EM DIREÇÃO A CALDEIRA NOVO BARRADO FORMADO POR ELOS EM OURO ENTREMEADOS POR LOSANGO PONTILHADO EM AZUL. NA CALDEIRA DECORAÇÃO EM ELIPSE CONSTRUÍDA EM OURO E EM RESERVA, CENA NA TONALIDADE ROUGE DE FEUR COM CASA E ÁRVORES. REPRODUZIDO NO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA DO BRASIL POR JENNY DREYFUS. CHINA, SEC. XIX, 25 CM DE DIAMETRO NOTA: De acordo com Leila Mezan Algranti, em seu artigo: Em torno da mesa do rei: artefatos, convivialidade e celebração no Rio de Janeiro joanino, em 26 de abril de 1821, após doze anos de estadia no Rio de Janeiro, iniciava-se a viagem de regresso de D. João VI a Portugal a fim de, mais uma vez, preservar sua Coroa e domínios. Para a autora, a partida da Corte foi precedida de muitas indecisões políticas e de intensos preparativos de ordem prática, da mesma forma como acontecera ao viajar para o Brasil, em 1807. Naquela ocasião, em meio aos riscos de invasão do Exército napoleônico, foi necessário acomodar nas embarcações não só os ilustres passageiros, mas também um conjunto imenso e variado de coisas destinadas ao uso particular de seus proprietários, bem como da Casa Real.Um conjunto de peças de prata, roupas de mesa e artigos de copa, recém-chegados do Rio de Janeiro, viajou para Lisboa sob a incumbência de Joze de Britto, fiel da mantearia do rei, e foi entregue no pátio das cozinhas do Palácio da Ajuda a Joze Caetano Trigo, também funcionário do mesmo departamento da Casa Real, o qual realizou o registro das peças e o assinou por ordem de João Lourenço de Andrade que, por sua vez, recebeu todo o material em nome de Caetano Joze de Campos e Andrade Pinto, manteeiro da Casa Real, naquele momento. O título do registro Inventário da Prata, Roupa e mais trem pertencente à Mantearia de Sua Majestade que veio do Ryo de Janeiro indica claramente que, ao retornar do Rio de Janeiro, D. João VI fez embarcar objetos de prata, os quais constituíam parte ou a totalidade de um serviço de mesa. Entretando deixou no país quase todos os serviços de porcelana adquiridos para seu uso aqui ou trasladados de Portugal quando de sua fuga. O conjunto poderia conter elementos da famosa baixela Germain, assim denominada por ter sido encomendada a François Germain por D. José I, em 1756, após o terremoto ter destruído a baixela de D. João V, fabricada pelo ourives de Luís XIV (Thomas Germain) e pai do prateiro de D. José. A suposição de que poderia haver peças da baixela Germain de D. José I entre os artefatos registrados no inventário advém do fato de que há informações sobre seu transporte para o Brasil, bem como estudos referentes à divisão da mesma entre D. João VI e D. Pedro I, antes do retorno do monarca a Portugal. Os bens que permaneceram no Brasil, por sua vez, teriam sido gravados com as insígnias imperiais e o monograma P1º. De acordo com Leonor d'Orey, considerando-se o que atualmente se encontra preservado desta baixela em Portugal, o lote do imperador do Brasil era menor, embora incluísse várias peças muito prestigiosas, as quais se encontram dispersas em coleções particulares e de museus estrangeiros, vendidas após a deposição de D. Pedro II. Sabe-se igualmente que entre a prataria de mesa de grande aparato pertencente à Casa Real havia peças da baixela dos duques de Aveiro, confiscada pela Coroa, após o atentado a D. José em 1759,15 assim como peças denominadas avulsas. Por outro lado, as baixelas para D. Pedro I foram encomendadas às famosas casas francesas, embora a técnica dos ourives radicados no Brasil fosse excelente, como apontou Francisco Marques dos Santos. Segundo o mesmo autor, muitas dessas peças emigraram, mas algumas voltaram. Havia, portanto, na corte no Rio de Janeiro, mais de um serviço de mesa em prata, sendo que um conjunto significativo dessas peças atravessou o Atlântico pelo menos duas vezes, a exemplo do que se sucedeu com a Família Real. Além disso, vários desses objetos foram possivelmente fabricados na França e na Inglaterra, uma vez que os prateiros portugueses nem sempre eram considerados, na época, suficientemente habilidosos para agradar o sofisticado gosto da alta nobreza portuguesa, consumidora de produtos de luxo importados não só de outros países da Europa, como do Oriente. Embora, como apontou Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, houvesse prateiros de renome em Portugal, fabricando artefatos de mesa e mesmo baixelas completas, cuja qualidade do trabalho atingiu durante o século das Luzes um dos seus momentos mais importantes. De qualquer modo, a mesa da Casa Real e aquelas de outros membros das elites europeias e luso-brasileiras eram há muito tempo aparamentadas com artefatos de prata estrangeiros, bem como com porcelanas e vidros chineses, germânicos e franceses. Como bem apontou Nuno Vassallo e Silva, em seu estudo sobre a ourivesaria da mantearia da Casa de Aveiro, não é possível refletir sobre as baixelas de prata ou de porcelana usadas na mesa real sem levar em conta a conexão dessa indústria com as manufaturas europeias e orientais. Assim, é possível dizer que os objetos de luxo destinados ao serviço de mesa da Corte joanina, no Rio de Janeiro, resultavam de um circuito comercial e de comunicação que interligava diferentes impérios coloniais (português, inglês, francês), os quais se estendiam por três continentes: Europa, Ásia e América. No caso dos artefatos de prata que nos interessam comentar neste estudo, é provável que a matéria-prima utilizada fosse originária da América espanhola, tendo retornado ao mesmo continente após ter sido trabalhada por habilidosos artesãos franceses para uso e ostentação dos monarcas portugueses. Por outro lado, tais objetos indicam um movimento mais amplo de evolução do gosto e da maneira de viver dos membros da aristocracia europeia, que remonta ao final do século XVII, cuja etiqueta de mesa foi fixada na corte de Luís XIV. Como assinalou Marco Daniel Duarte, a alta sociedade quando se sentava à mesa se quer aprisionar por regras de etiqueta rígida. Mesmo levando-se em conta que no final do século XVIII Portugal acompanhava o restante da Europa, adotando nos banquetes reais a porcelana das índias e francesa como alternativas às baixelas de prata, conforme esclareceu Cristina Neiva, a prataria de mesa continuava a representar a riqueza e o poder das famílias reais, haja vista não só a encomenda de D. José I a François Germain, cuja baixela foi produzida ao longo da segunda metade do século XVIII, como também o fato de esta ter sido dividida entre o monarca e seu primogênito, antes da partida de D. João VI para a Europa. Sinal de que as mesas dos reis não poderiam prescindir dos objetos de prata em algumas situações. Observa-se de imediato na lista de bens que chegaram do Rio de Janeiro que os objetos destinados à copa eram de cobre ou de bronze, enquanto os de mesa eram em prata. Um dado indicativo da separação dos dois espaços tanto em termos de funções destinadas à alimentação como de simbologia e hierarquia dos objetos no ambiente doméstico. Estes atestam algumas tarefas desempenhadas no espaço, como a preparação das frutas e dos doces, bem como de clarear o sal, fazer e distribuir o pão e as saladas, além de confeccionar e realizar as obras de decoração. A copa oferecia ainda suporte ao serviço de mesa. Na lista analisada, há diferentes tipos de objetos, como, por exemplo, cafeteiras de cobre com e sem torneiras, além de chocolateiras e chaleiras do mesmo material, assim como tachos, escumadeiras, frigideira de ferro para torrar café, caixas para conduzir a prata e as iguarias, tabuleiros sortidos, gral de pedra e bancos para arear facas. A qualidade e, especialmente, a quantidade dos objetos nos permitem pensar que estes poderiam ser utilizados em uma mesa servida à francesa forma ainda predominante no período joanino , na qual os alimentos eram oferecidos em duas ou três mesas sucessivas cobertas com travessas de alimentos de vários tipos. Daí denominarem-se primeira, segunda e terceira cobertas ou serviços. A última coberta era de doces e de frutas, como indicam os livros de receitas do período e os protocolos a serem seguidos nos banquetes oficiais. O serviço de mesa à francesa necessitava de um grande número de objetos do mesmo tipo, não só para dispor simultaneamente os vários alimentos de uma coberta, como para promover rapidamente a reposição das iguarias nas sucessivas mesas ou cobertas. Os serviços em porcelana são divididos entre as porcelanas de encomenda da China (cia das índias): Galos , Pavões, Corças, Correios, Pastores, das Rosas, Vista Grande e Vista Pequena. Há também registro dos Europeus: Reino Unido e Camaristas, em porcelana francesa, Espinha de peixe e os chamados 'de barra bordeaux' , 'sépia e verde' e "de barra rosa"chamado Pingo de Ouro, em porcelana possivelmente também francesa, o de "Wedgwood" e o conhecido também como "das Rosas", em porcelana inglesa.
  • DOM JOÃO VI  - SERVIÇO DOS PAVÕES - RARA E ELEGANTE MOLHEIRA DO TIPO SAUCE BOAT EM PORCELANA CHINESA DO REINADO QIANLONG. BORDA RECORTADAS COM DECORAÇÃO EXTERNA E INTERNA EM ESMALTES. ARREMATES EM OURO. CHINA, SEGUNDA METADE DO SEC. XVIII.  23 CM DE COMPRIMENTONOTA: Dom João VI voltou a Portugal em 26 de abril de 1821, levando cerca de 4 mil pessoas na comitiva e deixando seu filho Dom Pedro I no Brasil. Essa viagem marcou o fim da permanência da corte no Rio de Janeiro após a pressão da Revolução do Porto.  Dom João VI não levou apenas os vivos; ele transportou nos navios os corpos de parentes que faleceram no Brasil, como sua mãe, a rainha Dona Maria I.  Com a partida de cerca de 4 mil nobres e funcionários, o Rio de Janeiro perdeu o posto de sede do Império Português e viveu um clima de forte instabilidade política.que culminaria com a Independência do Brasil.  SOBRE O RARO FEITIO SAUCE BOAT: A molheira em formato sauce boat (barco de molho) da Companhia das Índias é uma das peças mais fascinantes do colecionadorismo de antiguidades, unindo a utilidade aristocrática europeia à perfeição técnica da porcelana chinesa de exportação. Produzidas principalmente durante os séculos XVIII e XIX (Dinastia Qing), estas peças guardam histórias e curiosidades surpreendentes sobre o comércio global e os costumes da época.
  • DOM JOÃO VI - SERVIÇO DOS PAVÕES (SERVE PERFEITAMENTE COMO PRESENTOIR DA TERRINA APRESENTADA NO LOTE ANTERIOR VIDE NOS CREDITOS EXTRAS DESTE LOTE APENAS PARA SUA REFERENCIA A TRAVESSA SOB A SOPEIRA APREGOADA NO LOTE ANTERIOR) . TRAVESSA EM PORCELANA COM ESMALTES DO REINADO QIANLONG. FEITIO FACETADO. REPRESENTANDO PAVÕES SOBRE ROCHA E FLORES.ARREMATES EM OURO. PERTENCEU AO SERVIÇO DO REI DOM JOÃO VI. CHINA, MEADOS DO SEC. XVIII. PEÇAS DO MESMO SERVIÇO ESTÃO REPRODUZIDAS NA PÁGINA 97 DO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA DO BRASIL, POR JENNY DREYFEUS. 36 CM DE COMPRIMENTO.OTA: Foi utilizado pela Família Real Portuguesa e pela Família Imperial Brasileira tanto no Paço de São Cristóvão como também na Fazenda Imperial de Santa Cruz. É um serviço conhecido como viajante, pois foi levado da China a Portugal, e de Portugal para o Brasil, quando D. João VI, ainda príncipe, temendo as guerras napoleônicas, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, com sua mãe, D. Maria I.Os serviços de porcelana chinesa de uso imperial, trazidos para o Brasil por D. João VI, foram dispersos após a proclamação da República, sendo atualmente peças raras, procuradas por colecionadores de todo o mundo.
  • DOM JOÃO VI SERVIÇO DOS PAVÕES GRANDE E MAGNIFICA SOPEIRA EM PORCELANA COM ESMALTES DO REINADO QIANLONG.  UMA TRAVESSA QUE LHE SERVE PERFEITAMENTE COMO PRESENTOIR SERÁ APRESENTADA NO LOTE A SEGUIR. FEITIO FACETADO (VIDE UMA FOTO APENAS PARA REFERENCIA CONTENDO A TRAVESSA DO PROXIMO LOTE SOB A SOPEIRA APREGOADA NO LOTE EM TELA). APRESENTA PAVÕES SOBRE ROCHA E FLORES. TAMPA ABOBADADE TEM PEGA EM LINDA TONALIDADE CORAL. ALÇAS LATERAIS COM FEITIO DE CABEÇAS DE LEBRES. ARREMATES EM OURO. É CONHECIDO COMO UM SERVIÇO DO REI DOM JOÃO VI. ENTRETANTO COMEÇOU A SER ENCOMENDADO A PARTIR DE 1850 SOB O REINADO DE DOM JOSÉ I PARA ABASTECER OS PALÁCIOS REAIS. NAQUELA ÉPOCA, DOM JOÃO VI SEQUER HAVIA NASCIDO (ELE NASCEU EM 1767).  APÓS DOM JOSÉ I SERVIU A RAINHA DONA MARIA I E FOI ENTÃO QUE PASSOU A DOM JOÃO VI. FICOU CÉLEBRE SOB A POSSE DESSE MONARCA COMO SERVIÇO VIAJANTE, DURANTE A OCUPAÇÃO NAPOLEONICA DE PORTUGAL EM 1808,  FOI EMBARCADO JUNTAMENTE COM A FAMÍLIA REINANTE PARA O BRASIL, SERVIU NO PAÇÕ DE SÃO CRISTÓVÃO E NA FAZENDA DE SANTA CRUZ E FOI DIVIDIDO ENTRE DOM JOÃO VI E DOM PEDRO I  NO RETORNO DO REI PARA PORTUGAL FICANDO PARTE NO BRASIL. CHINA, MEADOS DO SEC. XVIII. PEÇAS DO MESMO SERVIÇO ESTÃO REPRODUZIDAS NA PÁGINA 97 DO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA DO BRASIL, POR JENNY DREYFEUS.. 32 CM DE COMPRIMENTO NOTA: Serviço dos Pavões é um serviço de jantar real, confeccionado em porcelana de pasta dura, de finíssima qualidade, que foi produzido na China do Imperador Qianlong , sob encomenda, para Portugal. Estima-se que cerca de vinte mil peças do hoje chamado Serviço dos Pavões tenham sido produzidas entre 1750 e1795, restando hoje cerca de cinco mil distribuídas por todo o mundo. É considerado um dos mais belos serviços de jantar de exportação. Em formato oitavado, recortado ou, em suas últimas fornadas, redondo, o prato é de louça (porcelana) branca, encaroçada, decorada com esmaltes nas cores habituais da chamada "família rosa". Além de pratos de vários tamanhos, foram confeccionadas sopeiras de vários tipos, terrinas, molheiras, travessas de vários formatos, manteigueiras, meleiras, wine-coolers e tigelas. Foi utilizado pela Família Real Portuguesa e pela Família Imperial Brasileira tanto no Paço de São Cristóvão como também na Fazenda Imperial de Santa Cruz. É um serviço conhecido como viajante, pois foi levado da China a Portugal, e de Portugal para o Brasil, quando D. João VI, ainda príncipe, temendo as guerras napoleônicas, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, com sua mãe, D. Maria I. Os serviços de porcelana chinesa de uso imperial, trazidos para o Brasil por D. João VI, foram dispersos após a proclamação da República, sendo atualmente peças raras, procuradas por colecionadores de todo o mundo. Com o fim do Império em 1890, foram realizados diversos leilões pelo leiloeiro Joaquim Dias dos Santos, no Rio de Janeiro, mas seus registros foram logo depois perdidos num incêndio ocorrido pouco depois na loja do leiloeiro.
  • BRASIL IMPÉRIO  RARO PRATO DO CORPO POLICIAL DO RIO DE JANEIRO. SALÃO DE BANQUETES DO OFICIALATO.  LINDO PRATO EM LOUÇA COM ABA DECORADO COM LARGO BARRADO EM LARANJA COM TRÊS RESERVAS CIRCULARES CONTENDO O BRASÃO IMPERIAL; AO CENTRO, BRASÃO IMPERIAL EM RESERVA CIRCUNDADO POR UMA JARRETEIRA COM A LEGENDA CORPO POLICIAL DA PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO - NICTEHRÓY 1º DE MARÇO DE 1888; NO REVERSO MARCA ANTHONY SHAW & SONS. AQUELE PERÍODO, A CIDADE DE NITERÓI FUNCIONAVA COMO A CAPITAL DA PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO (ENQUANTO O MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO ERA O MUNICÍPIO NEUTRO, SEDE DA CORTE IMPERIAL). POR ISSO, AS GRANDES DECISÕES E COMEMORAÇÕES DA FORÇA POLICIAL FLUMINENSE OCORRIAM EM TERRITÓRIO NITEROIENSE. ESSE SERVIÇO DE LOUÇA FOI PRODUZIDO NO CONTEXTO DA ARISTOCRACIA IMPERIAL BRASILEIRA DO FINAL DO SÉCULO XIX, ENCOMENDADO ESPECIFICAMENTE PARA CELEBRAR OU SERVIR À ALTA OFICIALIDADE DO CORPO POLICIAL DA PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO EM SUA SEDE, NA CIDADE DE NITERÓI.  EXEMPLAR DO MESMO SERVIÇO REPRODUZIDO À PÁGINA 227 DO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA NO BRASIL, POR JENNY DREYFUS. INGLATERRA, SÉC. XIX. 23 CM DE DIÂMETRO.NOTA:  Durante o Império, a alta oficialidade da polícia fluminense fazia parte da aristocracia, o que explica a ostentação de encomendar louças de luxo brasonadas da Inglaterra, como os pratos de Niterói de 1888.  Era responsável por manter a lei e a ordem na província. O fato histórico mais importante e de maior projeção nacional com a participação direta do Corpo Policial da Província do Rio de Janeiro foi a sua atuação na Guerra do Paraguai (18641870). Em 1865, atendendo ao chamado do Império do Brasil, a corporação fluminense enviou um contingente de 510 homens para o front de batalha. Sob o comando do tenente-coronel João José de Brito, a tropa policial foi incorporada ao Exército Imperial e rebatizada oficialmente como o 12º Corpo de Voluntários da Pátria. A participação direta da corporação nesse conflito gerou impactos históricos profundos. No campo de batalha, os policiais fluminenses destacaram-se pelo extremo denodo, bravura e forte impacto de suas investidas contra as linhas inimigas. Essa agressividade tática e coragem nos combates rendeu à tropa o apelido célebre de "Treme-Terra", uma alcunha que atravessou os séculos e ainda hoje é orgulhosamente lembrada na tradição histórica da atual PMERJ.  O 12º Corpo de Voluntários da Pátria atuou de forma decisiva na expulsão das tropas paraguaias de territórios ocupados na Argentina e participou de importantes incursões logísticas e táticas ao longo da campanha da Tríplice Aliança..
  • DOM PEDRO II  - MAIS TARDE PERTENCEU AO BARÃO DE ITACURUÇÁ (MANOEL MIGUEL MARTINS O GRANDE ARREMATANTE DOS LEILÕES IMPERIAIS APÓS A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA). MAGNIFICA TERRINA COM TAMPA EM PORCELANA  (TEM O PAR APREGOADO NO LOTE ANTERIOR) COM EXUBERANTE TOM EM AZUL REMATADO EM OURO COM CACHOS DE UVAS E PARRAS. PALMÁCEAS RELEVADAS COMPLETAM A DECORAÇÃO. LUXURIANTE DECORAÇÃO FLORAL EM ESMALTE. MARCAS DA CASA COMERCIAL B WALLERSTEIN & CIA IMPORTADORA DO RIO DE JANEIRO. ESSE SERVIÇO HÁ MUITO TEMPO TEM SIDO ALVO DE DISCUSSÕES SOBRE A TITULARIDADE DO ENCOMENDANTE INICIAL. ISSO PROQUE A DECORAÇÃO É IDÊNTICA AO SERVIÇO DE CAÇA DE DOM PEDRO II. ENTRETANTO EM ESTUDO RECENTE CHEGOU-SE AOS ASPECTOS QUE FAZEM REIVINDICAR AO IMPERADOR PEDRO II E SEU SERVIÇO DE CAÇA TAMBÉM ESSE SERVIÇO QUE PERTENCEU POSTERIORMENTE AO BARÃO DE ITACURAÇÁ ADQUIDIRO NO LEILÃO DOS PAÇOS IMPERIAIS. SENÃO VEJAMOS: A MARCA DO IMPORTADOR SOB A LOUÇA É DA CASA COMERCIAL B WALLERSTEIN & CIA IMPORTADORA DO RIO DE JANEIRO NAS RUA DO OUVIDOR, FORNECEDORES DA CASA IMPERIAL E IDENTICA A MARCA DA LOUÇA DO SERVIÇO DE GALA DE DOM PEDRO I. BERNANDO WALLERSTEIN ESTABELECEU-SE NA RUA DO OUVIDOR AINDA EM 1828, SOB O NOME DE WALLERSTEIN & CIA, DURANTE O PRIMEIRO IMPÉRIO APÓS DESVINCULAR-SE DA P SAISSET & CIA COM QUEM TINHA SOCIEDADE. AINDA NA DÉCADA DE 1840, QUANDO O BARÃO DE ITACURUÇÁ SEQUER TINHA NASCIDO MUDOU SUA RAZÃO SOCIAL PARA B. WALLERSTEIN E M. MASSET PORTANTO ESSA LOUÇA FOI CERTAMENTE ENCOMENDADA NA DECADA DE 1840 NUNCA PELO BARÃO DE ITACURUÇÁ QUE VEIO AO MUNDO DEPOIS QUE A IMPORTADURA ABANDONOU A MARCA SOB A BASE. O FATO DA DECORAÇÃO SER IDÊNTICA A DO SERVIÇO IMPERIAL DE CAÇA TAMBÉM REFORÇA A UNIDADE DO APARELHO. O LIVRO DA MORDOMIA DO PAÇO DE SÃO CRISTÓVÃO RELATA VÁRIAS ENCOMENDAS DE PORCELANA FEITAS A CASA DE BERNARDO WALLERSTEIN NA DECADA DE 1840: 192$500 A BERNARDO WALLTERSTEIN E CIA., POR QUINHENTOS E DEZESSEIS PRATOS DE PORCELANA FINA 5:132$736 A BERNARDO WALLERSTEIN, POR NOVE DÚZIAS E QUATRO CASAIS DE XÍCARAS DE PORCELANA FINA DOURADA 373$330: A WALLERSTEIN, LOUÇA DE PORCELANA FINA 927$000 A B. WALLERSTEIN, POR QUATRO CAIXAS COM LOUÇA DE PORCELANA FINA 4:848$000 . FINALMENTE O BARÃO DE ITACURUÇÁ COMO GRANDE ARREMATANTE DOS LEILÕES DO PAÇO APÓS A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ADQUIRIU DENTRE OUTRAS PRECIOSIDADES TODO O SERVIÇO DE PORCELANA DO CASAMENTO DE D. PEDRO I E D. AMÉLIA DE LEUCHTEMBURG ERA UM APRECIADOR DE PORCELANAS IMPERIAIS. SEGUNDO O ANÚARIO DO MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPÓLIS PUBLICADO EM 1944 OS CATÁLOGO DO QUARTO E SEXTO LEILÕES DO PAÇO DE SÃO CRISTÓVÃO EM 1890 TRAZEM DESCRITOS COMO LOTE 838 A SEGUINTE DESCRIÇÃO: - 1 SOBERBO SERVIÇO DE FINA PORCELANA FRANCESA, ESMALTE AZUL, OURO, E FINAS PINTURAS, COM 568 PEÇAS PARA JANTAR. ESTÁ AÍ A DESCRIÇÃO DO SERVIÇO IMPERIAL MUITO PROVAVELMENTE ARREMATADO PELO BARÃO DE ITACURUÇÁ. AINDA O LOTE 857 TRAZ A SEGUINTE DESCRIÇÃO: 857 - 1 RIQUÍSSIMO SERVIÇO DE FINÍSSIMA PORCELANA DE SÈVRES COM PRIMOROSAS PINTURAS A ESMALTE E ARMAÇÃO DE BRONZE DOURADO A FOGO, 17 PEÇAS EM VITRINE (PRESENTE DE NAPOLEÃO III À IMPERATRIZ DONA TERESA CRISTINA. ENTÃO O LOTE 857 É O APARELHO PRESENTEADO POR NAPOLEÃO III AOS IMPERADORES E NÃO O DO LOTE NUMERO 838 QUE QUASE INDUBITAVELMENTE É O SERVIÇO ADQUIRIDO PELO BARÃO DE ITACURUÇÁ. REPRODUZIDO NA PAGINA 274 DO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA NO BRASIL DE JENNY DREYFUS E NA PAGINA 44 DO LIVRO LOUÇA HISTÓRICA MUSEU DE ARTE DA BAHIA. FRANÇA, 26 CM DE DIAMETRONOTA: Manoel Miguel Martins Barão de Itacurussá, nasceu em10 de novembro de 1831 em Sant'Ana do Itacurusá e faleceu em 01 de janeiro de 1911, filho deJoão Martins e de Gertrudes Margarida. Casou em09 de março de 1867, no Rio de Janeiro, com Jerônyma Eliza de Mesquita, Baronesa de Itacurusá nascida em02 de junho de1851 no Rio de Janeiro/RJ e batizada na Igreja de Santa Rita, e falecida em 24 de setembro de 1917, filha de Jerônymo José de Mesquita Conde de Mesquita e de Elisa Maria de Amorim. Casaram-se em 09 de março de 1867 (portanto Jerônima estava com 16 anos de idade) na Igreja de S. Francisco Xavier. Título nobiliárquico de Barão de Itacurussá outorgado , em 25 de março de 1888, a Manuel Miguel Martins era um título de origem toponímica. Ilha e povoação do Estado do Rio de Janeiro, lugar de onde era natural este titular. Foi um homem riquíssimo, proprietário de terras e capitalista do Rio de Janeiro. Sua esposa a baronesa Jerônima Elisa de Mesquita Martins, era filha do conde de Mesquita e neta do marquês de Bomfim. O Barão foi o grande comprador do Leilão do Paço Imperial, onde além de muitas preciosidades, adquiriu todo o serviço de porcelana do casamento de D. Pedro I e D. Amélia de Leuchtemburg.

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