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  • DOM PEDRO I - SERVIÇO DA ILÚSTRISSIMA CÂMARA OU SERVIÇO FUMO E CAFÉ  RARO PRATO EM PORCELANA COM ABA DECORADA COM LUXURIANTE GUIRLANDA COM FLORES COLORIDAS. CALDEIRA DE RAMO DE FUMO E CAFÉ UNIDOS POR CAPRICHADO LAÇO. FOI ENCOMENDADO PELA SENADO DA CORTE PARA SER OFERTADO AO IMPERADOR DOM PEDRO I, QUE EM 1823 CONFERIU AO PARLAMENTO CARIOCA A HONRARIA DO TÍTULO DE ILUSTRÍSSIMA CÂMARA MUNICIPAL(VIDE NOS CRÉDITOS EXTRAS DESSE LOTE O ANTIGO PRÉDIO DA ILUSTRISSIMA CÂMARA DO RIO DE JANEIRO NA ÉPOCA DE DOM PEDRO I). O ANÚÁRIO DO MUSEU IMPERIAL BRASILEIRO PUBLICADO EM  1942 TRAZ SOBRE ESSE SERVIÇO, AS SEGUINTES INFORMAÇÕES:  Ainda desse tempo um belíssimo serviço, também raro nas nossas coleções. É o que pertenceu a ilustríssima Câmara Municipal do Primeiro Reinado, todo branco, borda em cercadura de flores, ramos de fumo e café ao centro. Pinturas a encarnado e verde, lembrando muito a decoração da fábrica Dagoty, têm eles, entretanto, a marca de De Roche 12. Ao que já ouvi dizer de pessoa informada, esse aparelho foi, quase em vésperas da abdicação, presenteado pelo imperador a uma afilhada de batismo, de família afeiçoada ao paço e moradora no caminho velho de Botafogo 13. Em seguida, dispersou-se pelos leilões e antiquários, alcançando os museus e as mãos ciosas dos felizardos que possuem restos dele. MARCA DO DECORADOR DEROCHE NO VERSO. PEÇA IDÊNTICA INTEGRA O ACERVO DO MUSEU IMPERIAL EM PETRÓPOLIS E ENCONTRA-SE REPRODUZIDO A PÁG. 207 DO LIVRO "LOUÇA DA ARISTOCRACIA NO BRASIL", POR JENNY DREYFUS. INÍCIO DO SÉCULO XIX. 22 CM DE DIAMETRO. NOTA: A Câmara Municipal foi desde sempre um órgão prestigiado na administração portuguesa e também na de suas colônias. Era destinada aos cidadãos proeminentes da sociedade. No Rio de Janeiro, sede do Reino Unido nos tempos de Dom João VI e sede da Corte do Império a partir de Dom Pedro I, tão mais importante foi a Câmara do Senado Municipal. Tal foi que em 1823 nas festividade de aniversário do célebre Dia do Fico, o primeiro passo para nossa Independência no ano seguinte, o Imperador  achou por bem galardoar a Câmara com o título de ILUSTRÍSSIMA CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO A distinção dos vereadores já se dava com as vestimentas. Havia um traje especial desde as ordenações da restauração de Portugal. No auto de levantamento e juramento do d. João IV, a 1o de dezembro de 1640, lê-se que o presidente da Câmara de Lisboa, conde de Castanhede, compareceu vestido de veludo negro aforrado de tela branca e mangas da mesma cor. No Rio de Janeiro, o traje dos vereadores durante a permanência da corte portuguesa no Brasil e sob o governo de d. Pedro I, até 1828, era composto de casaca, calção e colete pretos, meias brancas e sapatos de fivela. O chapéu de seda preta era desabado e com a frente levantada, guarnecido nas abas de pluma branca; na frente, presilha dourada e laço português. A partir de certa época passaram a usar um penacho de três plumas brancas sobre o laço (Est. 18). A peça mais característica era a capa preta com volta e pala de seda branca bordadas a ouro e prata; jabô de rendas brancas. Empunhavam vara branca e, nos bandos e cortejos desfilavam a cavalo com a montaria ricamente ajaezada, sendo as crinas trançadas com fitas e a cauda enfeitada de laço e de longas fitas de várias cores. O Senado da Câmara tinha sua bandeira  e teve diversas. Depois da Independência passou sua insígnia a ser a bandeira imperial em seda adamascada, com franja, e armas bordadas. Tinha como remate a esfera armilar em prata. Sua forma era a de um trapézio retângulo 52. Pela reforma das câmaras municipais, determinada pela lei de 1o de outubro de 1828 seu traje foi abolido. Em 1841, porém, por avisos de 25 de janeiro e 15 de abril, foi declarado que os vereadores do Senado da Câmara do Rio de Janeiro podiam usar de novo as vestiduras antigas com capa de volta nas solenidades, mas não o estandarte e as varas. O decreto no 1.965 de 26 de agosto de 1857 aprovou o uniforme para os vereadores da ilustríssima Câmara Municipal do Rio de Janeiro, conforme modelo anexo reza o decreto. Tal modelo, como os figurinos dos senadores e dutados não foi encontrado. Baseamos a Est. 19 no retrato de Adolfo Bezerra de Meneses e em outros documentos. Como é natural, os uniformes dos vereadores obedeciam às disposições em uso, sendo porém a casaca de cor azul-ferrete. Em grande uniforme, a gola e os canhões eram guarnecidos de galão e de ramos de cafeeiro e tabaco trançados (semelhantes aos dos presidentes de província, mas sem a casa). Era usada aberta, com oito botões, colete e calça de casimira branca, esta, com galão largo; sobre o colete, cinto de pano azul-ferrete com bordados de ramagens e à direita borlas de franja dourada; chapéu armado com presilha de dragão, tope nacional e pluma; espada, luvas e botinas. Em pequeno uniforme, casaca aberta formando lapelas com bordados somente na gola deitada; calça e colete brancos ou azulferrete, chapéu armado sem pluma e o resto conforme o uso. MAS COMO  EM NOSSOS DIAS NEM SEMPRE OS ILUSTRES VEREADORES DO RIO DE JANEIRO PORTARAM-SE COM A DIGNADE DO CARGO E FUNÇÃO QUE EXERCEM: A conferência de 28 de abril de 1883 do Conselho de Estado foi convocada para que os seus membros emitissem parecer sobre os graves acontecimentos que se repetiam, com freqüência, na Ilustríssima Câmara Municipal da Corte desde a posse de seus membros, efetuada a 6 de janeiro daquele ano. Segundo os esclarecimentos prestados pelo Ministro de Estado dos Negócios do Império  responsável pela administração do Município Neutro  quase não se realizavam sessões, por falta de comparecimento da maioria dos vereadores. Além disso gostavam eles o tempo em discussões acaloradas que algumas vezes quase têm chegado a pugilato, tomando parte os expectadores e levantando-se as sessões tumultuariamente. Mesmo com a intervenção da força pública o presidente não conseguia manter a ordem. Nada se resolvia nas reuniões e o maior prejudicando com isso era o Município. Deveria o Conselho sugerir providências destinadas a escolher quais as medidas mais adequados para pôr fim a essa situação. O assunto era bastante delicado, o que levou os conselheiros a examinarem com extrema cautela a matéria. As sugestões apresentadas insistiam, de modo geral, no restabelecimento da autoridade mediante o apelo à intervenção da força material da Polícia e, como último recurso, a suspensão coletiva da Câmara abrindo-se processo para o fim de apurar devidamente a responsabilidade pelos fatos ali ocorridos. Acabou prevalecendo, porém, e foi adotada pelo governo imperial a decisão de suspender a Câmara Municipal, através de Portaria de 30 de novembro de 1883, e convocada a anterior até que se normalizasse a situação. A medida punitiva atingiu uma instituição que datava de 1565, ano da fundação da cidade. Estácio de Sá concedera-lhe, em julho daquele ano, as terras que constituiriam o patrimônio municipal, como era de uso na época. Por alvará de 10 de fevereiro de 1642, pouco tempo depois da restauração da monarquia portuguesa, conseguiria, por concessão real, gozar das mesmas honras e privilégios concedidos à Câmara da cidade do Porto. Quatro meses mais tarde passaria a ostentar o título de Leal, pelo apoio firme dado ao rei D. João IV. Durante a gestão do governador Gomes Freire de Andrada no Rio de Janeiro, recebeu, em 11 de março de 1748, o privilégio de poder denominar-se Senado. Outras regalias lhe seriam atribuídas mais tarde, como o tratamento de Senhoria (6 de fevereiro de 1818) e o de Ilustríssima, honra esta que lhe foi concedida pelo Imperador D. Pedro l, ao comemorar-se, a 9 de janeiro de 1823, o primeiro aniversário da jornada do Fico. Nos acontecimentos relacionados com o movimento da Independência, em 1821 e 1822 desempenhou ela importante papel, embora tivesse à sua frente um português, José Clemente Pereira. Por lei de 1º de outubro de 1828 passou por importante reforma tendo sido aumentado o número de vereadores. Nesse mesmo ano instalara-se, provisoriamente, em uma de suas dependências, o Supremo Tribunal de Justiça, órgão máximo do Poder Judiciário durante o Império. A Ilustríssima Câmara Municipal estava localizada, na época em que ocorreram as irregularidades levadas ao conhecimento do Conselho de Estado, em imóvel situado entre as ruas General Câmara e São Pedro. O prédio fora inaugurado a 2 de dezembro de 1882, em substituição ao antigo, situado no mesmo local. Os vereadores eleitos em 1883 haviam escolhido para as funções de presidente a João Pedro de Miranda. Com a suspensão decretada pelo governo convocou-se a Câmara anterior, cuja presidência tinha sido exercida pelo Dr. José Ferreira Nobre. A Câmara possuía comissões de Fazenda, de Justiça, de Obras, de Saúde, de Instrução, de Matadouro e de Redação, além dos serviços auxiliares que compreendiam  Secretaria, Contadoria, Tesouraria, Diretoria das Obras Municipais, Tombamento e Aferição. Vinculavam-se, ainda, a ela, a Biblioteca Municipal, Empresa de Limpeza da Cidade, Empresa Municipal de Limpeza das Chaminés e as Escolas Municipais.
  • DOM PEDRO II  SERVIÇO DA COROA ROXA  DE USO HABITUAL NO PAÇO DE SÃO CRISTÓVÁO. O ANUÁRIO DO MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS PUBLICADO EM 1942 E QUE TRATA SOBRE AS PORCELANAS DAS LOUÇAS IMPERIAIS TRAZ SOBRE ESSE SERVIÇO DE JANTAR AS SEGUINTES INFORMAÇÕES: SERVIÇO POLIGONAL, COM FRISOS DOURADOS E AS ARMAS IMPERIAIS EM ESMALTE ROXO. APARELHO HABITUAL DO PALÁCIO DE S. CRISTÓVÃO. NÃO FOI POSSÍVEL IDENTIFICÁ-LO NO CATÁLOGO DO LEILÃO DE S. CRISTÓVÃO, MAS EXISTE UMA REFERÊNCIA A ELE NO O PAÍS, DE 25 DE JULHO DE 1890. O PRATO É DECORADO COM FRISO DOURADO, BORDA RECORDADA  EM POLIGONOS QUE SE ESTENDEM ATÉ O INICIO DA CALDEIRA.  NO CENTRO DA CALDEIRA, BRASÃO DO IMPÉRIO DO BRASIL EM ROXO. CURIOSO NOTAR QUE A COROA QUE ENCIMA O BRASÃO É SIMILAR A COROA DO IMPÉRIO RUSSO OU DO IMPÉRIO GERMANICO. DREYFUS REPRODUZ ESSE PRATO NA PÁGINA 215 DO LIVRO "LOUÇA DA ARISTOCRACIA NO BRASIL, POR JENNY DREYFUS". ESSE AUTOR CLASSIFICA A ORIGEM DA LOUÇA COMO PROVAVELMENTE INGLESA.  A FORMA DA COROA, O TIPO DA LOUÇA E A AUSÊNCIA DE MARCA DE FABRICANTE (IMPESSÁVEL PARA OS  INGLESES PRINCIPALMENTE EM UM SERVIÇO DE ENCOMENDA IMPERIAL) NOS FAZ DIVERGIR DA OPINIÃO DESSE AUTOR ACREDITAMOS  QUE A ORIGEM DO PRATO É GERMÂNICA. SOBRE ESSE SERVIÇO HÁ UMA OUTRA CURIOSIDADE: CONTA-SE QUE EM CERTA OCASIÃO O CONDE DEU ENTROU NA COZINHA DO PAÇO DE SÃO CRISTÓVÃO E SURPREENDEU OS EMPREGADOS FAZENDO A REFEIÇÃO COM PRATOS DESSE SERVIÇO. O CONDE IMEDIATAMENTE MANDOU RECOLHER A LOUÇA E PROIBIU SEU USO. O AUTOR DESSE RELATO ATRIBUI A ATITUDE DO CONDE A UM CORPORTAMENTO RANHETA OU MUQUIRANA MAS OUTRA NÃO PODERIA SER A ATITUDE DE UM HERDEIRO DOS REIS DA FRANÇA, UMA CORTE DE POMPA E APEGADA AOS SÍMBOLOS DE SUA NOBREZA QUE CONTRASTAVA COM A MONARQUIA BURQUEZA E PALPÉRRIMA DO BRASIL.    EUROPA, SEC. XIX. 23 CM DE DIAMETRO.NOTA: A Regência comprou louças de porcelana para o sr. dom Pedro II, e este, logo após sua maioridade, efetuou várias e maiores compras. De 1839 a 1843 acham-se nos livros de mordomia referências a louças. Vejamos os registros: Em 1839: M. J. de Araújo Costa  Um aparelho de louça superfina 206$100 Em 1840: A Wallerstein, custo de pratos de porcelana 50$000 A B. Wallerstein, 70 dúzias de pratos de porcelana vindos da França 592$099 A Saturnino José Gonçalves, louça ordinária 39$600 Em 1841: 5. Há mais as seguintes indicações, no arquivo do castelo dEu. Dom João VI  Relação das salas que há no Real Paço Velho. Relação de jóias, prata, móveis etc., pertencentes à duquesa de Bragança e aos filhos de d. Pedro I  25 páginas de texto. Contas da Casa imperial do Brasil em 23 de maio de 1889. 183 Anuário do Museu Imperial A Demarais, 51 xícaras de porcelana 50$000 A Saturnino José Gonçalves, louça ordinária e de vidros que forneceu nos meses de novembro de 1840 a setem- bro de 1841 854$5  A Adolfo Simonsi, direitos na alfândega de louça e livros vindos de Londres 192$500 A Bernardo Wallterstein e Cia., por quinhentos e dezesseis pratos de porcelana fina 5:132$736 A Bernardo Wallerstein, por nove dúzias e quatro casais de xícaras de porcelana fina dourada 373$330 A Luís Antônio de Faria, por cinco dúzias de xícaras e pires 180$000 Em 1842: A Wallerstein, louça de porcelana fixa 927$000 A B. Wallerstein, por quatro caixas com louça de porcelana fina 4:848$000 Em 1843: Custo de xícaras e pires de porcelana 314$664. Em apenas  quatro anos, e numa época em que a capacidade aquisitiva de nossa moeda era muito grande, foram gastos 16:829$400 em compras de serviços de porcelana, para uso de Suas Majestades. Catálogo dos leilões do Paço de São Cristóvão Se, de 1843 em diante, não são encontradas nos Livros da Mordomia menções a compras de louça, fácil será avaliar-se o volume e a qualidade das porcelanas, não só pela impressionante amostra das que foram adquiridas no início do Segundo Reinado (1840 a 1843), como pelas existentes nos paços, por ocasião dos leilões de 1890.
  • DOM PEDRO I E DOM PEDRO II - SERVIÇO DE GALA PRATO EM PORCELANA; ABA VERDE ENTRE FILETES DOURADOS E QUATRO RESERVAS COM FLORES EM POLICROMIA; NO CENTRO O BRASÃO IMPERIAL CINCUNDADO POR FRISO DOURADO; NO REVERSO MARCA DO IMPORTADOR B. WALLERSTEIN E CO - A PARIS / RUA DO OUVIDOR 70 - RIO DE JANEIRO. PEÇA DO MESMO SERVIÇO REPRODUZIDA NA PÁGINA 209 DO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA NO BRASIL, POR JENNY DREYFUS. FRANÇA, SÉC. XIX. 22,5 CM DE DIÂMETRO.NOTA: Existem para esse serviço duas marcas de encomendantes o que faz concluir que este era utilizado pela família imperial desde o primeiro reinado com encomenda para reposição no segundo reinado. Portanto serviu Dom Pedro I e Dom Pedro II.
  • DOM PEDRO II - SERVIÇO DE CAÇA - MAGNÍFICO PRATO EM PORCELANA FRANCESA, ABA AZUL ROYAL E DOURADO; QUATRO RESERVAS, DUAS A DUAS, COM PÁSSAROS E FLORES; CALDEIRA COM RAMO DE FLORES EM POLICROMIA E ARABESCOS DOURADOS. ESSE APARELHO FOI OFERECIDO A DOM PEDRO II PELO IMPERADOR DA FRANÇA NAPOLEÃO III ENTRE 1852 E 1870. REPRODUZIDO À PÁGINA 211 DO LIVRO "LOUÇA DA ARISTOCRACIA NO BRASIL", POR JENNY DREYFUS. FRANÇA, SÉC. XIX. 22,5 CM DE DIÂMETRO.NOTA: Como leiloeiros muitas vezes nos deparamos com a surpresa de nossos clientes principalmente na sala de leilão com o fato de um objeto da Família Imperial Brasileira ser levado à hasta pública. A pergunta recorrente é: Como esse objeto pode ter vindo parar aqui não teria de estar em um museu?. Por isso resolvi escrever um pouco sobre o desfecho da memória física da família Imperial Brasileira após o golpe republicano. Passados 129 anos da fatídica madrugada chuvosa e melancólica em que a Família Imperial embarcou para seu exílio na Europa em 17 de novembro de 1889 rememoramos um fato que aprendemos na escola, Dom Pedro II não pede indenização por suas propriedades perdidas, valores, haveres, apenas dirige ao governo provisório o pedido de um saco com terra do Brasil para pousar sua cabeça quando morresse. Tudo ficou para trás, o elo perdido da monarquia era um corpo insepulto nos corredores e aposentos dos palácios imperiais cheios de suas mobílias e alfaias. A última coisa que os golpistas desejariam era preservar essa memória em um museu. O novo sistema de governo sem legitimidade tratou de tentar varrer a honrada memória de Dom Pedro II e de sua família. Assim rapidamente organizou dezenas de leilões públicos para dar cabo da acusadora lembrança do regime imperial. Tomo a liberdade de transcrever alguns trechos Litiere C. de Oliveira a propósito dos leilões dos paços imperiais: O nono leilão realizado no Paço de São Cristóvão, realizado em 3 de outubro de 1890, começou com uma novidade que ainda hoje não é praticada em nenhum leilão de arte, que foi a venda antecipada, "por conveniência", de 28 lotes, não se sabe a quem nem o motivo! Entre as peças vendidas, destacamos: uma bela pintura a óleo sobre tela, "Vista de Veneza" com moldura veneziana, autor não revelado; três quadros pequenos e uma aquarela; um quadro "Paisagem", o.s.t. de artista ignorado; quatro telas, pontes "St. Pierre et neuf á Toulouse", "Hospício de la Grave" e "Eglise des Jesuites", Toulouse; uma pintura o.s.t. "Claustro de um convento" por M.C., 1843; uma pintura o.s.t. "Peregrino" por L. Moureaux; uma mesa e 12 cadeiras de mogno com assento e encosto de palhinha; duas mesas de mogno para jogo; quatro castiçais de Cristofle; seis antigas cadeiras de jacarandá esculturadas; secretária de mogno com guarnições de bronze dourado e fundo de espelho; outros móveis e diversos quadros e aquarelas. Segundo Francisco Marques dos Santos, "o leilão do Imperador foi como um destes grandes leilões modernos; o entusiasmo não arrefeceu, muito embora não fosse a São Cristóvão um número considerável de pessoas de destaque, justamente aquelas timoratas e outras que imaginavam se comprometer e algumas que, sendo hostis ao novo estado de coisas, não queriam arrostar os desordeiros que espionavam a casa, por própria conta ou de terceiros, fazendo, não raro, achincalhe ao antigo regime. Nesse leilão o que mais se via eram senhoras, formando grupo maior do que em dias anteriores. O leilão atravessou os aposentos particulares do Imperador e aquela gente estava na volúpia de devassar, ver os recantos onde vivia uma família arrebatada de sua Pátria pelo sopro tempestuoso dos acontecimentos políticos. No decorrer do leilão todos os móveis com a coroa imperial ou iniciais dos ex-imperadores adquiriram preços muitas vezes maiores do que a avaliação que lhes fizeram..."Esse nono leilão também ficou marcado por um fato inusitado e talvez inédito na leiloaria brasileira. Ao apregoar um piano de cauda (lote 1747), em caixa de jacarandá e tuia, com escultura e filetes dourados, fabricado por Chickering e comprado pelo Sr. Antônio Rezende por 2:000$000 (US$ 1.080), o leiloeiro Virgílio sentou-se ao piano e executou uma música. O referido piano está hoje no Museu Histórico Nacional. O décimo leilão foi realizado em 7 de outubro e se destacou pela acirrada disputa pelo dormitório da Imperatriz. Somente a cama de jacarandá com coroa esculturada e colchão de crina (lote 2001), foi vendida por preço recorde: 7:000$000 (três mil, setecentos e oitenta Dólares). Enquanto isso a cama onde dormia o Imperador (lote 1980), por ser um móvel modesto, sem coroa, brasão ou iniciais, alcançou apenas o preço de 190$000 (102 Dólares)! Era uma sólida cama de mogno e érable, com acolchoado de crina vegetal e lastro de palhinha. O filho e a governanta alemã do comprador afirmaram, tempos depois, que a cama foi destruída pelos cupins e jogada fora! Outros destaques desse leilão foram: cama de jacarandá que pertenceu à Princesa Isabel quando solteira, com escultura e coroa, comprada pelo Comendador Antônio Rezende por 3:100$000 (US$ 1.673), e que depois foi vendida no leilão do Conde Sebastião de Pinho ao Dr. Castro Maia, cujo filho doou ao Museu Imperial; um lavatório de jacarandá com esculturas, bronze e tampo de mármore (lote 1983), adquirido pelo Sr. A. Rezende por 5:000$000 (US$ 2.700); guarda-roupa de D. Pedro II (lote 1984) vendido por 2:000$000 (US$ 1.512); cadeira de repouso do Imperador (lote 1885) de jacarandá, com escultura, coroa e iniciais comprada pelo Comendador A. Rezende por 3:100:000 (US$ 1.674); entre outros. Realizado no dia 10 de outubro, o décimo primeiro leilão compreendeu os lotes 2001 a 2345, com aproximadamente 650 peças. Até aquele momento os leilões tinham atingido 400 contos de Réis, cerca de 215 mil Dólares, valor muito superior à avaliação inicial de 90:000$000, e ainda faltavam mais de dez pregões. Esse leilão era constituído de objetos que tinham sobrado do dormitório dos imperadores, das salas 40 e 41, galeria, sacristia e tribuna. Entre as peças leiloadas estavam: um oratório de jacarandá esculturado e guarnecido de cornalinas, lápis lazuli e figuras de bronze (lote 2007) que foi comprado pelo Dr. Faro por 3:000$000 (US$ 1.620); uma secretária de bois-rose com placas de porcelana de Sèvres e guarnições de bronze dourado (lote 2135) adquirida pelo Barão de Itacurussá por 7:000$000 (US$ 3.800); guarda roupa de jacarandá com guarnições de bronze dourado, coroa e espelho francês (lote 2034) alienado por 5:000$000 (US$ 2.700) ao Sr. Antônio Resende; uma mobília de jacarandá com 11 peças (lote 2236) vendida ao Sr. Goulart e outros móveis, ricas pinturas, porcelanas, esculturas, muitos objetos de decoração e bibelots, quase todos esses lotes a preços irrisórios. Ao final do décimo primeiro leilão, o último realizado no interior do Paço de São Cristóvão, relata Marques dos Santos: "Depois do leilão da galeria do 2º andar, desceu o leiloeiro ao pavimento térreo, onde estava a capela e suas dependências, que deviam imediatamente desaparecer, para dar lugar ao salão cenográfico do Congresso. O singelo e gracioso templo, concepção de Manoel de Araújo Porto Alegre, ostentava na frontaria Ecce Agnus Dei. Abrangia a nave propriamente dita e a sacristia, em dois compartimentos, além da tribuna, onde o pregão do leiloeiro emudeceu! Ali estacou! Naquele lugar onde tanta gente fora batizada, acrescendo ao nome o apelido de do Paço, onde tanta vez rezaram os Imperadores, em horas alegres e amargas! Já que falamos em capela: ainda vemos em São Cristóvão, no primeiro andar, ao Torreão do Norte, o local onde ficava o altar privado dos Imperadores, cuja abóboda, pintada de azul celeste, deixa ver em pequeno céu, mimosas estrelinhas de prata! Que recordações trazem!" O décimo segundo leilão foi realizado em uma das cocheiras do Paço de São Cristóvão, com os objetos não licitados, não retirados ou que não foram incluídos nos leilões anteriores. Esse leilão foi realizado no dia 20 de outubro, abrangendo 155 lotes. Foram leiloados quadros a óleo, ricos espelhos, estantes de jacarandá e de mogno, porcelanas valiosas, cristais, molduras de quadros que tinham ido para a Europa (!), um telescópio que ficava no terraço do Paço, alguns móveis e outros objetos. O décimo terceiro leilão foi realizado no dia 10 de novembro de 1890 abrangendo as benfeitorias da Quinta da Boa Vista, assim relatado por Francisco Marques dos Santos: Foi arrematante dessas benfeitorias o próprio governo. Supomos que foi o Comendador Bethencourt da Silva quem comprou por 320:000$000, como representante do Ministério do Interior e Justiça as casas ali existentes, habitadas pelos empregados e protegidos da família Imperial, desde o tempo de Dom João. Essa operação foi considerada bastante vantajosa. Segundo a Gazetilha do Jornal do Commércio de 12 de novembro, valia perto de 300:000$000 só a casa do mordomo ou Quinta da Joana, como era conhecida a grande habitação próxima ao portão da Estrada de Ferro, na então Rua Duque de Saxe. Era solidamente construída, com vastas acomodações para família, abundância de água, gaz, aparelhos e magnífico terreno. O edifício que o Imperador construíra de seu bolso para escola mista diurna e noturna, destinada aos filhos dos moradores da Quinta e seus arredores, fora reedificado em 1883 e custara 60 contos de réis. Arrematou-a o Ministério da Instrução Pública por 41:000$000. Cumpre, aliás, notar que o governo sempre fez bom negócio naquilo que comprou, pertencente ao Imperador! Antes dos leilões da Fazenda Imperial de Santa Cruz, um outro foi realizado nas cocheiras do Paço da Cidade, no dia 5 de dezembro, lotes 1 a 14, compreendendo as últimas carruagens que se achavam espalhadas por diversas cocheiras particulares. O destaque foi um rico coche de gala com lanternas de cristal, guarnições de bronze e armas imperiais. Também foi vendido nesse leilão o carro mortuário, com coroa imperial que, entre outros nomes importantes, fez o enterro do General Osório e do Marques do Paraná. Quando a DARGENT LEILÕES leva a pregão objetos como o desta coleção ligados ao cotidiano da Família Imperial Brasileira sempre busca justamente o contrário do que o regime republicano tentou com a venda dos objetos imperiais. Não buscamos esconder, apagar, esmaecer a augusta memória de Dom Pedro II, mas sim exaltar a figura de um patriota e do homem que construiu as bases para o crescimento do Brasil, um sábio reconhecido pelo mundo e injustiçado em seu próprio País.
  • DOM PEDRO I - SERVIÇO DA BARRA BORDEAUX - PRATO EM PORCELANA  FRANCESA EM PASTA DURA, PERTENCENTE AO SERVIÇO  DE D. PEDRO I. PASTA DURA. ABA DECORADO COM ESMALTES BORDO QUE NOMEIAM O SERVIÇO DECORADOS COM RESERVAS CONTENDO FLORES EM ESMALTES MANUAIS  ENTREMEADAS POR ROCAILLES EM OURO. A CALDEIRA TEM EXUBERANTE CORBÉLIA FLORA. PRINCIPIO DO SÉC. XIX. EXEMPLARES DESSA LOUÇA COMPÕE O ACERVO DO PALÁCIO IMPERIAL DE PETRÓPOLIS, MUSEU HISTÓRICO NACIOONAL. MAIS DE CEM PEÇAS DESSE SERVIÇO COMPÕE O ACERVO DA FUNDAÇÃO MARIA LUIZA E OSCAR AMERICANO. FINALMENTE, . PEÇA DO MESMO SERVIÇO ESTÁ REPRODUZIDA NA PÁGINA 190 DO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA NO BRASIL, DE JENNY DREYFUS. 23 CM DE DIAMETRO. NOTA: O ANUÁRIO DO MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS DE 1942 TRAZ REFERÊNCIAS AS PORCELANAS BRAGANTINAS E IMPERIAS E SEUS REGISTROS ALÉM DE REMEMORAR OS DRAMÁTICOS LANCES DOS LEILÕES DOS PAÇOS IMPERIAS OCORRIDOS LOGO APÓS O NEFASTO GOLPE REPUBLICANO : Foram muitos, e incontestavelmente, os aparelhos de porcelana da Casa de Bragança. Houve-os de todas as formas e pinturas, das mais variadas marcas. Ricos e pobres. Suntuosos e singelos. Desde os mais preciosos espécimes originários da remota China, trazidos por d. João VI (os serviços dos galos, do pastor, das corças e dos pavões), além de uma multiplicidade de outras peças de antigo cunho europeu, onde avultavam decorações de palácios, quintas e castelos, pássaros e quadrúpedes em combinações harmoniosas. São muito de destacar, em serviços do Primeiro Reinado, os que trazem a marca da duquesa dAngoulême, essa fidalga flor-delis de França, filha de Luiz XVI, enérgica e impulsiva, de quem Napoleão dizia ser o único homem da família. Foram muitos. Das mais soberbas e preconizadas marcas. Sèvres, Saxe, Bourg-la-Reine, Chantilly, Sarreguemines, Capo di Monte, o vieux Limoges. Esses que passaram mais tarde das mãos reais à tradição da família brasileira, especialmente daquelas castas mais achegadas ao paço, das saudosas matronas patrícias que foram amigas íntimas da princesa Isabel e d. Teresa Cristina, e no leilão do Paço Imperial atropelavam o paciente Virgílio  com um chorado peditório de um sapato velho, que a medo escondiam no seio, um lenço usado, um grampo de chapéu, uma negalha de cabelo ainda agarrado à tartaruga dos pentes, qualquer coisinha, um pequeno nada que tivesse pertencido à mãe dos brasileiros.  Ouvir o amigo Virgílio, que ainda está vivo e são, com a memória bem fresca, no relato de episódios a que assistiu na sua mocidade, no acidentado e trabalhoso campo do seu árduo mister, é o mesmo que folhear um livro de impressões, de comum decoradas com tintas vivas, as próprias tintas de que é tão rica sua paleta de pintor. Foi ele, ao que se viu, um dos martelos desse leilão insigne, quem primeiro lançou aos ares da cidade, entre as árvores robustas da velha quinta imperial, o pregão melancólico das grandes coisas históricas, o desbarato inicial do regime que se impunha.  Quanto dão por isto? E por aquilo?  gritava o arauto, erguendo sobre as cabeças atônitas os mais caros e prezados ornamentos do Brasil monárquico. E os candidatos acorriam, nervosos, febricitantes. Disputavam as peças propaladas com esse afã tumultuário de casa de jogo que tem todos os leilões. Muitos, aterrorizados, lançavam medrosamente as ofertas ou as mandavam lançar  não fosse estar por ali, detrás daqueles reposteiros armoriados, algum cérbero republicano. Outros, jocosos, em geral aderentes de última fornada, como emplastros caseiros que se agarram a qualquer protuberância, faziam troça, metiam a ridículo a coisa apregoada, achincalhavam o palácio, o imperador, os príncipes, a monarquia, sem saber, na sua alta ignorância, que zombavam da própria história pátria. Virgílio, braço direito do velho J. Dias, ia cumprindo, indiferente, o seu dever. Agora, um objeto de sensação. Um piano de cauda, todo em jacarandá, com esculturas e filetes dourados, da melhor fábrica inglesa. Quanto vale, senhores? Foi da princesa Isabel. Nele tocou o grande Gottschalk. E para garantir as vozes do instrumento, ele mesmo em pessoa larga o martelo inseparável, assenta-se à banqueta estofada e executa com graça e petulância um trecho do seu repertório. Sucesso! Os assistentes aplaudem. Abraçam o concertista improvisado. E o piano famoso alcança a soma exorbitante de dois contos de réis. Por fim, o leilão termina. Durara vários dias. Fora o assunto de todas as conversas, no Parlamento, nos cafés, nos clubes, nos lares, nas ruas da cidade. Fiel ao trono deposto, a velha-guarda, que comparecia diariamente àqueles desoladores espetáculos, comprava o que podia, de rosto grave, compungido, ufana de ainda poder acautelar alguma coisa que houvesse sido honrada com o carinho paternal de Suas Majestades. Por fim, todo mundo dispersa. Vai-se tornando deserto o parque antigo de Elias Lopes. Deserto o casarão arquejante de tanta passada inútil pelos seus salões dourados, pelos seus longos e sombrios corredores. Deserto o jardim bonançoso onde os pássaros chilreiam, sob as ramadas hospitaleiras, por sobre as águas livres e cantantes. Daqui, dali, montando guarda aos destroços da monarquia, um ou outro soldado, a sentinela sonolenta daqueles pousos abandonados. Ao cabo do dramático episódio, já cerrando as portas, Virgílio, certa manhã dessa tristonha primavera, desce ao fundo do paço, pára em frente de um tapume de madeira, desses escuros vãos de escada onde os jardineiros costumam recolher as ferramentas. Espia por uma fresta. Vê lá dentro alguma coisa que brilha. Força a entrada, e dá com os olhos em quatro enormes caixas de Flandres. Consulta as suas notas. Corre os lotes desprezados por sua insignificância entre panelas velhas, cacarecos e trastes imprestáveis. Lá está: quatro latas de folha, avaliadas a seiscentos réis. O lote inteiro, dois mil e quatrocentos. Mas afinal, que será? Só isso teriam dado pelas caixas. O fato é que elas estavam pesadas. Conteriam alguma coisa útil, quem sabe, alguma coisa de valor? Assim fechadas, lacradas com os sinetes do Império... Não. Vamos a ver que diabo se intromete nelas? E abre uma caixa: salta um berço de criança. E que berço, santo Deus! Que maravilha de arte, com as suas esculturas de pau santo, os seus anjinhos esvoaçantes, as suas bolas de marfim legítimo! Que se abra a outra lata. Outro berço. Igualzinho ao primeiro, com o mesmo luxo, o mesmo estilo, a mesma graciosidade. E assim o terceiro e o quarto. Aturdido, Virgílio chama um velho servidor do paço, que por ali ainda se detinha, a capinar distraidamente, mero pretexto de matar saudades.  Que é isto, meu amigo?  Isto, seu moço? O sinhô antão num sabe o que é isso? São os berços dos príncipes! Muito esta mão véia cansada embalô eles... E eram mesmo. Os bercinhos gentis dos herdeiros do trono. Ali jogados como inutilidades, os casulos de ouro e seda que tanto sonho adormentaram
  • LOUIS XIV O REI SOL  PRATA DE LEI FRANCESA DO ANTIGO REGIME.  SURPREENDENTE ESPIVITADEIRA COM SEU BERÇO ESTILO E ÉPOCA LOUIS XIV EM PRATA DE LEI DE ALTO TEOR. MARCAS DE CONTRASTE CONSISTENTES PARA O INICIO DO SEC. XVIII ENTRE 1711 E 1713. TAMBÉM MARCAS DO PRATEIRO. FEIITO RECORTADO DE AMPULHETA  E REMATADO EM MOLDURAS. A TESOURA É ENCAIXADA EM SUPORTES DO TIPO ASA DE BORBOLETA. PEGA CENTRAL ELEVADA. A TESOURA É DECORADA COM ROSÁCEA E FOLHAS. UMA PEÇA HISTÓRICA, COM QUALIDADE MUSEOLÓGICA E DE ALTO COLECIONISMO. FRANÇA, 1711-1713. 22 CM DE COMPRIMENTO (BERÇO)  425 GNOTA: A prata sempre ocupou uma posição de destaque nas artes decorativas. O fato de ser um metal precioso a distingue de outros materiais, como porcelana , madeira e vidro, que não possuem valor intrínseco. O valor monetário da prata geralmente significava que os objetos feitos nesse metal tinham uma função que ia além da utilitária; eles também eram símbolos de riqueza e status e, como tal, frequentemente refletiam a moda da época. A prata podia ser derretida e remodelada, e como o valor de um objeto de prata no século XVIII residia mais no metal do que na habilidade artesanal, peças de prata consideradas fora de moda eram frequentemente derretidas e transformadas em algo mais elegante. A prata francesa também foi afetada pelas diversas crises fiscais do final do século XVII e do século XVIII; tanto Luís XIV quanto Luís XV emitiram decretos exigindo que a prata fosse levada à casa da moeda para ser derretida, sendo a prata resultante utilizada para reabastecer os cofres estatais esgotados. Assim, a prata francesa dos séculos XVII e da primeira metade do século XVIII sobrevive em quantidades relativamente pequenas.O rigoroso sistema de guildas na França ajudava a garantir a altíssima qualidade tipicamente encontrada na prata francesa. Um aspirante a ourives geralmente passava por um aprendizado de oito anos e, em seguida, por dois a três anos como jornaleiro. Então, para ser reconhecido como mestre, o jornaleiro apresentava uma peça de teste  sua obra-prima  pela qual suas habilidades seriam avaliadas. Somente após a aceitação dessa peça pela guilda e após um exame final, o título de mestre era obtido. O sistema de marcação da guilda também garantia a qualidade do próprio metal. Entre as marcas exigidas para uma peça de prata, a marca do guardião indicava que o teor de prata estava correto. Como a prata em seu estado puro era muito macia para formar um objeto durável, uma pequena quantidade de cobre era sempre adicionada à prata fundida para conferir maior resistência. Na França, o padrão da prata exigia que 958,33 partes em cada mil fossem de prata.Os objetos de prata mais conhecidos produzidos durante o reinado de Luís XIV foram as peças de mobiliário de prata  mesas de consola, tocheiros, espelhos, etc.  produzidas para Versalhes e também os utilitários como candelabros ,castiçais e conjuntos de espivitadeira. Essas peças foram derretidas no final do século XVII, em consequência do próprio édito de Luís XIV, mas peças de prata de uso doméstico sobreviveram das últimas décadas do reinado de Luís, embora em pequenas quantidades. A introdução do chá e do café na França no século XVII impulsionou significativamente o desenvolvimento de novas formas em prata. Os hábitos alimentares mudaram significativamente no final do século XVII e durante o século XVIII. O costume francês de colocar a comida na mesa em terrinas e travessas dispostas de forma decorativa ficou conhecido como serviço à francesa , e esse estilo de refeição, em que cada um se servia, tornou-se o padrão em toda a Europa. O serviço à francesa incentivou o desenvolvimento da terrina, que se tornou o elemento dominante  e mais caro  da mesa. Uma das terrinas francesas mais elaboradas do século XVIII é a feita para o duque de Penthièvre  . Sua característica mais notável é o remate ou alça altamente escultural da tampa, composto por três cães derrubando um veado  talvez sugerindo que um ensopado de veado poderia ter sido o conteúdo da terrina.
  • RARA E ROBUSTA  CUSPIDEIRA PORTÁTIL EM PRATA DE LEI  COM MARCAS DE CONTRASTE PARA CIDADE DE LISBOA, PRATEIRO CIRILO JOSÉ MAZ DA SILVA DATADO DA DECADA DE 1820 (MOITINHO PAG. 108). CORPO LISO. ALÇA COM GRANDE CARAPETA. SOBRETAMPA BASCULANTE REMTADAS POR PEGA PINHIFORME REMATADA POR BELISSIMA ROSÁCEA. O  USO  DESTE ARTEFATO ERA DIRETAMENTE LIGADO AO HÁBITO DE MASCAR FUMO OU ASPIRAR RAPÉ (TABACO EM PÓ), PRÁTICAS QUE ESTIMULAVAM MUITO A SALIVAÇÃO. NO LIVRO CLÁSSICO SOBRADOS E MUCAMBOS, O SOCIÓLOGO GILBERTO FREYRE APONTA QUE ESSES OBJETOS ERAM CHAMADOS DE "CUSPIDEIRAS FIDALGAS". ELAS ERAM TÃO VALIOSAS E CARREGADAS DE PRESTÍGIO QUE CONSTAVAM EM TESTAMENTOS OFICIAIS DA ÉPOCA. HAVIA REGISTROS DE ANÚNCIOS EM JORNAIS POR EXEMPLO UM DE 1821 DETALHANDO A VENDA DE "HUMA CUSPIDEIRA DE PRATA DE GOSTO ANTIGO COM SUA TAMPA E AZA", REPASSADAS DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO.UMA PEÇA ROBUSTA, RARA E COLECIONÁVEL. LISBOA, INICIO DO SEC. XIX.  620G, 16 X 13 CMNOTA: As cuspideiras (ou escarradeiras) de prata de lei são recipientes requintados de prataria antiga, produzidos majoritariamente nos séculos XVIII e XIX no Brasil e em Portugal, concebidos para uso individual ou de salão associado aos hábitos sociais da época, como o consumo de rapé ou o hábito de mascar fumo. Numa época em que tais práticas eram difundidas entre a aristocracia e elites locais, esses objetos funcionavam como símbolos de status e distinção de boa educação, evitando que os convidados cuspissem no chão dos salões. as casas nobres brasileiras, oferecer uma cuspideira individual ao visitante era um sinal de extrema cortesia e boa educação. Uma famosa escarradeira de prata brasileira pertenceu oficialmente à Coleção do Palácio Grão-Pará, residência histórica da Família Imperial em Petrópolis. A peça, detalhada no livro "Ofício da Prata", apresenta uma alça em formato de criatura zoomórfica imaginária. Ela demonstra como até os ramos mais íntimos da dinastia dos Bragança faziam questão de manter o luxo em seus hábitos diários. A  vinda da corte de D. João VI em 1808 trouxe fortes influências da cultura e arquitetura inglesa. Enquanto a aristocracia luso-brasileira exibia as cuspideiras de prata orgulhosamente ao lado de suas cadeiras nos salões, os diplomatas britânicos achavam o hábito bizarro e repulsivo. Isso forçou uma mudança gradual de etiqueta nas casas mais modernas, que passaram a esconder ou abolir as peças das salas de visita
  • PAR DE IMPORTANTES CADEIRAS LUZÍADAS CONSTRUÍDAS EM  CARVALHO COM ESTILO TRANSICIONAL DOM JOÃO V/ DOM JOSÉ I. PERNAS DIANTEIRAS EM CABRIOLE COM JOELHEIRAS LISAS E VOLUMOSAS FINALIZADAS EM PÉS DE BURRO. TRAVAS EM BALAUTRE REUNEM AS PERNAS CONFERINDO-LHES REFORÇO DE ESTABILIDADE ESTRUTURAL E ELEGÂNCIA. ESPALDAR ALTO COM TAPELA VAZADA E RECORTADA EM SILHUETA SINUOSA. ASSENTO EM TECIDO ADAMASCADO. PORTUGAL, SEC. XVIII/XIX. 115 X 48 X 56 CMNOTA: As cadeiras do mobiliário Dom João V do século XVIII representam o ápice do Barroco português e luso-brasileiro, fortemente influenciadas pelo estilo Queen Anne inglês e pela transição para o Rococó. Uma das maiores curiosidades sobre as cadeiras Dom João V do século XVIII é a "Invenção do Conforto" ligada à moda da época e à anatomia humana. Antes desse período, as cadeiras barrocas tinham encostos completamente retos e rígidos. No estilo Dom João V (influenciado pelo Queen Anne inglês), o encosto passou a ter uma curvatura sinuosa que imitava a linha da coluna vertebral humana. A famosa tabela central vazada (muitas vezes em formato de vaso ou violino) não era apenas decorativa. Ela foi desenhada especificamente para acomodar o volume das casacas masculinas e dos vestidos armados da nobreza, permitindo que as pessoas se sentassem elegantemente sem amassar suas roupas luxuosas.
  • DONA MARIA I  FABULOSA CÔMODA DONA MARIA I EM JACARANDÁ. O ÁPICE DO EXPLENDOR DO MOBILIARIO DONA MARIA. INSPIRA ELEGÂNCIA E ARES DE ARISTOCRACIA COM REFINADA DECORAÇÃO DE PAINEIS CANELADOS CONFERINDO EFEITO PLISSADO. REMATADO POR CANTONEIRAS EM ASA DE ANDORINHA E PUXADORES INSERIDOS EM ROSÁCEAS ADORNADOS POR EMBUTIDOS EM OSSO. UMA DAS GAVETAS POSSUI SEGREDO PARA GUARDA DE VALORES. AS GAVETAS SÃO FORRADAS. ESTA CÔMODA REPRESENTA A TRANSIÇÃO DA MARCENARIA PESADA E AUSTERA DO  PERÍODO DOM JOÃO V, PASSANDO AO REQUINTE SUAVIZADO MAS TAMBÉM OSTENSIVO DO REINADO DOM JOSÉ I E DESMBARCANDO NO BRASIL SEDE DA MONARQUIA PORTUGUESA  COM UM NOVO STATUS DE IMPORTÂNCIA SAUDADO PELA ELEGÂNCIA DO NEO CLÁSSICO. FORMATO DE CAIXA, APÓS SÉCULOS DE MÓVEIS COM PERNAS CURVAS, RECURVAS E SINUOSAS, DITAS CABRIOLÉ O ESTILO DONA MARIA PROCLAMOU UMA DIETA DE RETIDÃO ASSIM  NAS LINHAS RETAS, PASSOU A MORAR A ELEGÂNCIA. UM MÓVEL DE EXTREMA ERUDIÇÃO E BELEZA INVULGAR. BRASIL, FINAL DO SEC. XVIII OU INICIO DO XIX.
  • PRIMEIRO IMPÉRIO  AINDA REMANESCENTE DO PERÍODO DO MARQUES DE BAEPENDI. FABULOSO E GRANDE SINO EM BRONZE COM ARMAS IMPERIAIS DE DOM PEDRO I. EM UMA FACE BRASÃO RELEVADO  DO IMPÉRIO DO BRASIL COM COROA ALTA DO PERIODO DE DOM PEDRO I, ESFERA ARMILAR CIRCUNDADA POR  19 ESTRELAS TAMBÉM CARACTERISTICA DO PERÍODO. NA FACE OPOSTA CRUZ LATINA TAMBÉM EM RELEVO. PRESO AINDA A SUA ALMA EM MADEIRA COM CRAVOS EM FERRO E PATINA VERDE BANDEIRA ESMAECIDA PELOS SÉCULOS. INTACTO SEM RACHADURAS. ME PERMITO IMAGINAR OS MOMENTOS SOLENES EM QUE DOBROU. TOQUES RÁPIDOS COMO UM REPIQUE DE PRATA EM DIAS FESTIVOS, OU LENTOS E ESPAÇADOS PARA EXPRESSAR O LUTO E A PERDA DOS QUE SE FORAM,  HOMENS DE PROA QUE ESCREVERAM A HISTÓRIA OU UMA SIMPLES ALMA QUE DEIXOU SAUDADES AOS SEUS  . SEJA COMO FOR A LINGUAGEM DOS SINOS MARCA OS DIAS INESQUECIVEIS PARA O HOMEM, CONVERSA COM O VENTO E O SAGRADO. NUNCA ANTES TIVE O PRIVILÉGIO DE CONTAR COM UM ACERVO QUE GUARDASSE  UM SINO DO PRIMEIRO REINADO. O SABOR, A BELEZA, O SENTIDO FAZEM DESTE MUITO GRANDE SINO, AGORA SUSTENTADO POR DOIS PESADOS BARROTES EM MADEIRA UMA PEÇA ÚNICA E MAJESTOSA.
  • RARA FARINHEIRA EM PRATA DE LEI ESTILO E ÉPOCA DONA MARIA I  BATIDA E REPUXADA. CORPO DECORADO COM ELABORADA FAIXA COMPOSTA POR GUIRLANDA COM FESTÕES E FLORES PENDENTES.  BORDA COM PEROLADO. POR SER UM OBJETO DE USO DIÁRIO, QUE ACABAVAM SENDO DANIFICADAS PELO USO CONTÍNUO É UMA RARIDADE ENCONTRA-LAS EM NOSSOS DIAS. PEÇA DIGNA DE MUSEU. BRASIL, SEC. XVIII. 17 CM DE DIAMETRO POR 8 CM DE ALTURA.NOTA: No Brasil colonial a farinha de mandioca era a base da alimentação de todas as classes, dos escravos aos senhoras. Serví-la em um recipiente de prata ricamente trabalhado era a forma que a aristocracia encontrou para demonstrar extrema riqueza através de um hábito cotidiano simples e para distinguir o consumo de uma um alimento universal por uma classe abastada. Típicamente brasileiras, as farinheiras, as primeiras farinheiras eram feitas com cascas de coco-da-baía ou de porongos cortados ao meio. Quando os ourives começaram a fabricar as versões em prata de lei, eles mantiveram o formato semicircular, bojudo e sem alças, imitando perfeitamente o formato do coco original. prata era valorizada na época não apenas pela beleza, mas também porque se sabia que ela ajudava a conservar os alimentos por mais tempo. Em um clima tropical e sem refrigeração, o uso da prata impedia a proliferação rápida de fungos e carunchos na farinha.
  • CHRISTOFLE  - VISCONDE DE ENTRE RIOS (SEGUNDO) -  ANTÔNIO BARROSO PEREIRA NETO (C. 18201906)  PRIMO DO DUQUE DE CAXIAS, CASOU-SE COM MARIANA CÂNDIDA PEREIRA BELO. ELA ERA PRIMA-IRMÃ DO DUQUE DE CAXIAS PELO LADO PATERNO. A MÃE DE CAXIAS, MARIANA CÂNDIDA DE OLIVEIRA BELO, ERA IRMÃ DO PAI DE MARIANA CÂNDIDA (ESPOSA DO VISCONDE). TAMBÉM O BARÃO DE SURUI, MARECHAL MANUEL DA FONSECA DE LIMA E SILVA QUE  POR SUA VEZ ERA  FILHO DO MARECHAL JOSÉ JOAQUIM DE LIMA DA SILVA(1746-1821), O AVÔ DE CAXIAS,  FOI CASADO COM  DONA CARLOTA GUILHERMINA DE LIMA E SILVA (IRMÃ DO DUQUE DE CAXIAS). OS BARÕES DE SURUÍ ERAM TIOS DO VISCONDE DE ENTRE RIOS. CHRISTOFLE  - GRANDE SOPEIRA COM TAMPA EM METAL ESPESSURADO A PRATA DA MANUFATURA CHRISTOFLE. TAMPA COM MONOGRAMA COROADO DO VISCONDE DE ENTRE RIOS,ANTÔNIO BARROSO PEREIRA NETO. PEGA DA TAMPA COM FEITIO DE BOTÃO FLORAL.  O VISCONDE DE ENTRE RIOS, FOI UM IMPORTANTE FAZENDEIRO DO SÉCULO XIX, HERDEIRO DE UMA DAS FAMÍLIAS MAIS RICAS DA REGIÃO CAFEEIRA FLUMINENSE. FOI O IDEALIZADOR E CONSTRUTOR DA IMPONENTE FAZENDA SÃO LOURENÇO. A PROPRIEDADE FICAVA EM TERRAS DESMEMBRADAS DA ANTIGA FAZENDA CACHOEIRA, NA ATUAL CIDADE DE TRÊS RIOS. FRANÇA, DEC. 1880. 40 CM DE DIAMETRONOTA: O MARECHAL JOSÉ JOAQUIM DE LIMA DA SILVA ILUSTRE AVÔ DO DUQUE DE CAXIAS E SEU INTRODUTOR NA VIDA MILITAR. Nascido em Algarve, Portugal, em 1746, mudou-se para o Brasil em 1767, tomando parte das guerras entre Espanha e Portugal pelo domínio da foz do Rio da Prata no Sul. Se instalou na Nova Capital do Brasil e se casou com a Brasileira Joana Maria da Fonseca e Costa com quem teve 13 filhos.  José Joaquim de Lima da Silva avô do futuro duque de Caxias foi um dos oficiais que aportou no Rio de Janeiro na expedição do tenente-general Böhm. À época, era um alferes de 21 anos de idade. A decisão de atravessar o Atlântico foi de seu irmão, Francisco de Lima da Silva. Nomeado coronel comandante do Regimento de Bragança um dos três embarcados para o Brasil e 29 anos mais velho, o coronel Lima vinha conduzindo a carreira do irmão desde a morte de seus pais, alguns anos antes. Francisco de Lima da Silva foi um oficial que soube aproveitar as necessidades militares da Coroa para ascender na carreira. Integrou várias expedições, uma delas às Índias Orientais, e, com a vinda para o Brasil, apresentava a seu irmão as vantagens de bem servir à monarquia.Terminada a guerra Hispano Portuguesa no Rio Grande do Sul, e com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, a expedição do tenente-general Böhm estava formalmente dissolvida. Todavia, após dez anos no Brasil, os oficiais da Coroa tinham o direito de decidir seus destinos. Seu irmão Francisco de Lima da Silva optou por retornar a Portugal. Por decreto de 2 de maio de 1777, D. Maria I o reformou no mesmo posto, nomeando-o para o governo das armas de Castro Marim. Já seu irmão, talvez por não ter obtido nenhuma remuneração após a guerra, decidiu permanecer no Rio de Janeiro. Não voltaria mais a ver Francisco, que veio a falecer dois anos depois, em 1779.A ascensão de José Joaquim na carreira, diferente do que ocorrera com o irmão, foi lenta. O menor tempo de espera por uma promoção foi de sete anos, pela patente de capitão, concedida pouco antes de seu embarque para o Sul. Depois disso, tudo que obteve foi uma transferência, ainda no mesmo posto de capitão, da 7ª Companhia do Regimento de Bragança para a de granadeiros, que gozava de mais prestígio. Ainda assim, o meio pelo qual conseguiu essa transferência evidencia sua ansiedade diante da total falta de oportunidades na cidade para os oficiais militares de baixa patente.Em dezembro de 1782, o novo vice-rei substituto do marquês do Lavradio Luiz de Vasconcelos e Souza, precisando expulsar os ingleses que tinham se apossado da Ilha da Trindade, mandou organizar uma expedição militar. Por se tratar de uma operação de pequeno porte, convocou apenas a companhia de granadeiros do Regimento de Bragança. Sabendo da notícia, José Joaquim logo se animou, participou da expedição que expulsou os ingleses na Costa BrasileiraJosé Joaquim havia se casado no dia 6 de março de 1785, com Joana Maria da Fonseca Costa. Foi nesse mesmo ano que conseguiu passar a capitão de granadeiros. Casar na família Fonseca da Costa provavelmente foi mais uma tentativa de obter uma melhor colocação nos serviços da Coroa e ampliar seus vínculos no Rio de Janeiro.Os Fonseca Costa se achavam estabelecidos na cidade desde o século XVII e era uma família tipicamente militar, com vários de seus membros ocupando postos nas forças de linha e entre os auxiliares.O primogênito do tenente-coronel Lima ganhou o nome do tio, Francisco (que viria a ser o pai de Caxias). A homenagem ao irmão falecido, que tanto havia se dedicado à família, e que tentou por todos os meios melhorar sua colocação no Exército, lançando-se, para isso, em várias guerras, em Portugal e fora de lá, nas Índias Orientais e Ocidentais, era também uma forma de José Joaquim de Lima reafirmar o lugar do jovem Francisco na família.Sobre sua carreira militar, informa o Coronel Laurênio Lago: "Era capitão do 1.º Regimento de Infantaria de Bragança quando foi confirmado no pôsto de Sargento-Mor nomeado por comissão pelo vice-rei Luiz de Vasconcelos, como se vê da sua patente assinada em 27/10/1792. Foi promovido a Tenente-Coronel em 10/10/1800, a Coronel graduado em 12/10/1808, a Brigadeiro em 13/05/1812, a Marechal de Campo graduado em 06/02/1818. Foi nomeado Vogal do Conselho Supremo Militar em 06/02/1818.Os anos de 1817 e 1818 coroaram a carreira do brigadeiro José Joaquim de Lima da Silva. Em setembro de 1817, ele foi agraciado com o prestigioso hábito da Ordem de Cristo e, no ano seguinte, após ter sido graduado marechal-de-campo do Exército, recebia a mercê de fidalgo cavaleiro da Casa RealNesse período, D. João reanexou a Guiana Francesa, de que Portugal abrira mão no Congresso de Viena, e a estratégica Cisplatina. Se a falta de campanhas militares das décadas anteriores havia impedido a ascensão de José Joaquim no Exército, a conjuntura agora se tornava favorável, principalmente se lembrarmos que, além dessas conquistas empreendidas pela Coroa, havia ainda a chance de integrar uma expedição destinada a reprimir revoltas como a de 1817, em Pernambuco.Em 1819, D. João, numa nova demonstração de sua "real munificência", concedeu mais um benefício ao marechal-de-campo José Joaquim de Lima "pelos seus bons serviços praticados" ele era agraciado com "uma vida a mais na comenda de São Bento de Aviz". Isso significa que poderia passar a mercê a um de seus descendentes, e o escolhido seguindo agora a tradição foi seu primogênito, Francisco de Lima. Em seguida, foi a vez do segundo filho José Joaquim. Ele recebeu, também em 1819, o foro de fidalgo cavaleiro da Casa Real com "todas as honras e direitos". Enquanto o pai o tinha obtido "por sua patente", o filho era agraciado "por honra de seu pai".A presença da Coroa portuguesa favorecia o enraizamento de uma cultura de Antigo Regime no Rio de Janeiro, fundada, como em Portugal, numa verdadeira "economia de favores". 40 Quando o marechal-de-campo José Joaquim de Lima morreu em 1821, parte da família havia completado sua metamorfose, e seus filhos mais velhos se apresentavam como nobres. Francisco de Lima, cumprindo seu destino, ao ser promovido coronel, assumiu o comando do 1º Regimento de Infantaria da cidade com a comenda de São Bento de Aviz. José Joaquim de Lima era tenente-coronel do mesmo regimento com o foro de fidalgo cavaleiro da Casa Real. O jovem capitão da família, Manoel da Fonseca de Lima, contava em sua fé-de-ofício com um serviço em Pernambuco na repressão à Revolução de 1817 e era habilitado pela Ordem de Cristo. No entanto, além deles, o marechal José Joaquim deixava dois outros filhos oficiais João Manoel de Lima da Silva e Luiz Manoel de Lima da Silva. Ambos eram ainda bem jovens. João Manoel tinha 16 anos, e Luiz, 15. Mas os dois já integravam o "regimento da família".Sepultado no convento de Santo Antônio, honraria destinada somente à nobreza local, o marechal que chegara à cidade ainda rapaz, em 1767, havia transformado sua história e a de sua famíliaDeixou numerosa descendência, no Rio de Janeiro, de seu casamento, no Rio de Janeiro, com Joana Maria da Fonseca Costa (1762, Rio, RJ - 1842, Rio, RJ), neta do Sarg. Mor João Francisco da Costa, patriarca desta família Fonseca Costa, do Rio de Janeiro.Ajudou seu neto o futuro Duque de Caxias a entrar na carreira militar antes de sua morte em 1821, às vésperas da independência do Brasil. Fonte: Ediçao commemorativa do 133 anniversario do nascimento de Luiz Alves de Lima e Silva. Fonte: A metamorfose de um militar em nobre: trajetória, estratégia e ascensão social no Rio de Janeiro joanino. Adriana Barreto de SouzaUniversidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  • CHRISTOFLE  - VISCONDE DE ENTRE RIOS (SEGUNDO) -  ANTÔNIO BARROSO PEREIRA NETO (C. 18201906)  PRIMO DO DUQUE DE CAXIAS, CASOU-SE COM MARIANA CÂNDIDA PEREIRA BELO. ELA ERA PRIMA-IRMÃ DO DUQUE DE CAXIAS PELO LADO PATERNO. A MÃE DE CAXIAS, MARIANA CÂNDIDA DE OLIVEIRA BELO, ERA IRMÃ DO PAI DE MARIANA CÂNDIDA (ESPOSA DO VISCONDE). TAMBÉM O BARÃO DE SURUI, MARECHAL MANUEL DA FONSECA DE LIMA E SILVA QUE  POR SUA VEZ ERA  FILHO DO MARECHAL JOSÉ JOAQUIM DE LIMA DA SILVA(1746-1821), O AVÔ DE CAXIAS,  FOI CASADO COM  DONA CARLOTA GUILHERMINA DE LIMA E SILVA (IRMÃ DO DUQUE DE CAXIAS). OS BARÕES DE SURUÍ ERAM TIOS DO VISCONDE DE ENTRE RIOS. CHRISTOFLE  - LEGUMEIRA COM TAMPA EM METAL ESPESSURADO A PRATA DA MANUFATURA CHRISTOFLE. TAMPA COM MONOGRAMA COROADO DO VISCONDE DE ENTRE RIOS,ANTÔNIO BARROSO PEREIRA NETO. PEGA DA TAMPA COM FEITIO DE BOTÃO FLORAL.  O VISCONDE DE ENTRE RIOS, FOI UM IMPORTANTE FAZENDEIRO DO SÉCULO XIX, HERDEIRO DE UMA DAS FAMÍLIAS MAIS RICAS DA REGIÃO CAFEEIRA FLUMINENSE. FOI O IDEALIZADOR E CONSTRUTOR DA IMPONENTE FAZENDA SÃO LOURENÇO. A PROPRIEDADE FICAVA EM TERRAS DESMEMBRADAS DA ANTIGA FAZENDA CACHOEIRA, NA ATUAL CIDADE DE TRÊS RIOS. FRANÇA, DEC. 1880. 30 CM DE DIAMETRONOTA: O MARECHAL JOSÉ JOAQUIM DE LIMA DA SILVA ILUSTRE AVÔ DO DUQUE DE CAXIAS E SEU INTRODUTOR NA VIDA MILITAR. Nascido em Algarve, Portugal, em 1746, mudou-se para o Brasil em 1767, tomando parte das guerras entre Espanha e Portugal pelo domínio da foz do Rio da Prata no Sul. Se instalou na Nova Capital do Brasil e se casou com a Brasileira Joana Maria da Fonseca e Costa com quem teve 13 filhos.  José Joaquim de Lima da Silva avô do futuro duque de Caxias foi um dos oficiais que aportou no Rio de Janeiro na expedição do tenente-general Böhm. À época, era um alferes de 21 anos de idade. A decisão de atravessar o Atlântico foi de seu irmão, Francisco de Lima da Silva. Nomeado coronel comandante do Regimento de Bragança um dos três embarcados para o Brasil e 29 anos mais velho, o coronel Lima vinha conduzindo a carreira do irmão desde a morte de seus pais, alguns anos antes. Francisco de Lima da Silva foi um oficial que soube aproveitar as necessidades militares da Coroa para ascender na carreira. Integrou várias expedições, uma delas às Índias Orientais, e, com a vinda para o Brasil, apresentava a seu irmão as vantagens de bem servir à monarquia.Terminada a guerra Hispano Portuguesa no Rio Grande do Sul, e com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, a expedição do tenente-general Böhm estava formalmente dissolvida. Todavia, após dez anos no Brasil, os oficiais da Coroa tinham o direito de decidir seus destinos. Seu irmão Francisco de Lima da Silva optou por retornar a Portugal. Por decreto de 2 de maio de 1777, D. Maria I o reformou no mesmo posto, nomeando-o para o governo das armas de Castro Marim. Já seu irmão, talvez por não ter obtido nenhuma remuneração após a guerra, decidiu permanecer no Rio de Janeiro. Não voltaria mais a ver Francisco, que veio a falecer dois anos depois, em 1779.A ascensão de José Joaquim na carreira, diferente do que ocorrera com o irmão, foi lenta. O menor tempo de espera por uma promoção foi de sete anos, pela patente de capitão, concedida pouco antes de seu embarque para o Sul. Depois disso, tudo que obteve foi uma transferência, ainda no mesmo posto de capitão, da 7ª Companhia do Regimento de Bragança para a de granadeiros, que gozava de mais prestígio. Ainda assim, o meio pelo qual conseguiu essa transferência evidencia sua ansiedade diante da total falta de oportunidades na cidade para os oficiais militares de baixa patente.Em dezembro de 1782, o novo vice-rei substituto do marquês do Lavradio Luiz de Vasconcelos e Souza, precisando expulsar os ingleses que tinham se apossado da Ilha da Trindade, mandou organizar uma expedição militar. Por se tratar de uma operação de pequeno porte, convocou apenas a companhia de granadeiros do Regimento de Bragança. Sabendo da notícia, José Joaquim logo se animou, participou da expedição que expulsou os ingleses na Costa BrasileiraJosé Joaquim havia se casado no dia 6 de março de 1785, com Joana Maria da Fonseca Costa. Foi nesse mesmo ano que conseguiu passar a capitão de granadeiros. Casar na família Fonseca da Costa provavelmente foi mais uma tentativa de obter uma melhor colocação nos serviços da Coroa e ampliar seus vínculos no Rio de Janeiro.Os Fonseca Costa se achavam estabelecidos na cidade desde o século XVII e era uma família tipicamente militar, com vários de seus membros ocupando postos nas forças de linha e entre os auxiliares.O primogênito do tenente-coronel Lima ganhou o nome do tio, Francisco (que viria a ser o pai de Caxias). A homenagem ao irmão falecido, que tanto havia se dedicado à família, e que tentou por todos os meios melhorar sua colocação no Exército, lançando-se, para isso, em várias guerras, em Portugal e fora de lá, nas Índias Orientais e Ocidentais, era também uma forma de José Joaquim de Lima reafirmar o lugar do jovem Francisco na família.Sobre sua carreira militar, informa o Coronel Laurênio Lago: "Era capitão do 1.º Regimento de Infantaria de Bragança quando foi confirmado no pôsto de Sargento-Mor nomeado por comissão pelo vice-rei Luiz de Vasconcelos, como se vê da sua patente assinada em 27/10/1792. Foi promovido a Tenente-Coronel em 10/10/1800, a Coronel graduado em 12/10/1808, a Brigadeiro em 13/05/1812, a Marechal de Campo graduado em 06/02/1818. Foi nomeado Vogal do Conselho Supremo Militar em 06/02/1818.Os anos de 1817 e 1818 coroaram a carreira do brigadeiro José Joaquim de Lima da Silva. Em setembro de 1817, ele foi agraciado com o prestigioso hábito da Ordem de Cristo e, no ano seguinte, após ter sido graduado marechal-de-campo do Exército, recebia a mercê de fidalgo cavaleiro da Casa RealNesse período, D. João reanexou a Guiana Francesa, de que Portugal abrira mão no Congresso de Viena, e a estratégica Cisplatina. Se a falta de campanhas militares das décadas anteriores havia impedido a ascensão de José Joaquim no Exército, a conjuntura agora se tornava favorável, principalmente se lembrarmos que, além dessas conquistas empreendidas pela Coroa, havia ainda a chance de integrar uma expedição destinada a reprimir revoltas como a de 1817, em Pernambuco.Em 1819, D. João, numa nova demonstração de sua "real munificência", concedeu mais um benefício ao marechal-de-campo José Joaquim de Lima "pelos seus bons serviços praticados" ele era agraciado com "uma vida a mais na comenda de São Bento de Aviz". Isso significa que poderia passar a mercê a um de seus descendentes, e o escolhido seguindo agora a tradição foi seu primogênito, Francisco de Lima. Em seguida, foi a vez do segundo filho José Joaquim. Ele recebeu, também em 1819, o foro de fidalgo cavaleiro da Casa Real com "todas as honras e direitos". Enquanto o pai o tinha obtido "por sua patente", o filho era agraciado "por honra de seu pai".A presença da Coroa portuguesa favorecia o enraizamento de uma cultura de Antigo Regime no Rio de Janeiro, fundada, como em Portugal, numa verdadeira "economia de favores". 40 Quando o marechal-de-campo José Joaquim de Lima morreu em 1821, parte da família havia completado sua metamorfose, e seus filhos mais velhos se apresentavam como nobres. Francisco de Lima, cumprindo seu destino, ao ser promovido coronel, assumiu o comando do 1º Regimento de Infantaria da cidade com a comenda de São Bento de Aviz. José Joaquim de Lima era tenente-coronel do mesmo regimento com o foro de fidalgo cavaleiro da Casa Real. O jovem capitão da família, Manoel da Fonseca de Lima, contava em sua fé-de-ofício com um serviço em Pernambuco na repressão à Revolução de 1817 e era habilitado pela Ordem de Cristo. No entanto, além deles, o marechal José Joaquim deixava dois outros filhos oficiais João Manoel de Lima da Silva e Luiz Manoel de Lima da Silva. Ambos eram ainda bem jovens. João Manoel tinha 16 anos, e Luiz, 15. Mas os dois já integravam o "regimento da família".Sepultado no convento de Santo Antônio, honraria destinada somente à nobreza local, o marechal que chegara à cidade ainda rapaz, em 1767, havia transformado sua história e a de sua famíliaDeixou numerosa descendência, no Rio de Janeiro, de seu casamento, no Rio de Janeiro, com Joana Maria da Fonseca Costa (1762, Rio, RJ - 1842, Rio, RJ), neta do Sarg. Mor João Francisco da Costa, patriarca desta família Fonseca Costa, do Rio de Janeiro.Ajudou seu neto o futuro Duque de Caxias a entrar na carreira militar antes de sua morte em 1821, às vésperas da independência do Brasil. Fonte: Ediçao commemorativa do 133 anniversario do nascimento de Luiz Alves de Lima e Silva. Fonte: A metamorfose de um militar em nobre: trajetória, estratégia e ascensão social no Rio de Janeiro joanino. Adriana Barreto de SouzaUniversidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  • CONDE DE TOCANTINS  JOSÉ J0AQUIM DE LIMA E SILVA (1809-1894) PRATO EM PORCELANA PERTENCENTE A JOSÉ JOAQUIM DE LIMA E SILVA SOBRINHO, IRMÃO DO DUQUE DE CAXIAS TIO DA BARONESA DE SANTA MÔNIUCA.  ABA AZUL COBALTO DELIMITADA POR RENDILHADOS DOURADOS E, À ESQUERDA, MONOGRAMA TLS ENTRELAÇADO SOB COROA DE CONDE EM DOURADO. NO REVERSO MARCA LIMOGES HAVILAND. FRANÇA, SÉC. XIX. 21,5 CM DE DIÂMETRO.NOTA: José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho, primeiro e único Visconde e Conde de Tocantins( Rio de Janeiro,7 de outubro de1809 Rio de Janeiro,21 de agostode1894)  foi um militar e político brasileiro, tendo atuado como coronel na rebelião mineira de 1842. Depois de ter largado a vida militar, foi lavrador e depois comerciante de grande prestígio no Rio de Janeiro, sendo Presidente da Associação Comercial desta cidade e do Banco do Brasil. Foi também político, filiado ao Partido Conservador (Brasil Império), tendo exercido o cargo de deputado pela província de Minas Gerais, na 8ª legislatura, e pela do Rio de Janeiro, nas 10ª e 11ª legislaturas, de 1857 a 1864, e nas 13ª e 14ª, de 1867 a 1872. Já no final da vida, exerceu alguns cargos públicos, principalmente na direção de algumas instituições, como a Sociedade Asilo dos Inválidos da Pátria, do qual foi o seu primeiro diretor em fevereiro de 1867. Filho do marechal-de-campo Francisco de Lima e Silva, barão de Barra Grande, e de Mariana Cândida de Oliveira Belo; era irmão de Luís Alves de Lima e Silva, duque de Caxias, e de Carlota Guilhermina de Lima e Silva, que se casaria com o primo Manuel da Fonseca de Lima e Silva, barão de Suruí. Casou-se em primeiras núpcias com Emiliana de Morais, filha de José Gonçalves de Morais, barão de Piraí, com quem teve um filho, Luís César de Lima e Silva; em segundas, casou-se com Maria Balbina da Fonseca Costa, filha de Manuel Antônio da Fonseca Costa, marquês da Gávea, com quem teve três filhas, entre eles Maria Balbina de Lima e Silva, Mariana Cândida da Lima e Silva, que se casaria com Luís Otávio de Oliveira Roxo, visconde de Vargem Alegre. Grande do Império, Veador de S.M. a Imperatriz e recebeu os graus de dignitário da Imperial Ordem da Rosa, comendador das imperiais ordens de Cristo, no Brasil. De Portugal, ade Avise da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e da Ordem Ernestina de 2ª classe, da Casa Ducal da Saxônia. Foi Veador, agraciacido sucessivamente, com os títulos de Visconde com Honras de Grandeza de Tocantins (Mercê de 17/07/1872). Conde de Tocantins (Mercê de 30/03/1889). Deixando o exército, foi reformado no posto de Capitão. Membro da Guarda Nacional do Município da Corte do Rio de Janeiro, onde alcançou a patente de Coronel. Presidente do Banco do Brasil. Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Vice-Presidente da Caixa Econômica e Monte Socorro. Secretário da Imperial Companhia de Seguros Mútuos Contra Fogo. Veador de S. majestade. Comendador da Ordem de Cristo. Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição da Vila Viçosa. Comendador da Imperial Ordem de Rosa (1851), Comendador da Ordem de Ernestina de 2ª Classe, da Coroa Ducal da Saxônia. Dignitário da Imperial Ordem da Rosa. Deputado da Assembléia Geral.
  • DUQUE DE CAXIAS RARÍSSIMO PRATO RASO EM PORCELANA PERTENCENTE AO SERVIÇO DO DUQUE DE CAXIAS, LUIZ ALVES DE LIMA E SILVA UM DOS QUATRO DUQUES BRASILEIROS (O ÚNICO SEM SANGUE REAL) . ABA NA TONALIDADE VERDE COM RESERVAS FLORAIS PINTADAS MANUALMENTE. ARREMATES EM OURO. CALDEIRA COM EXUBERANTE RESERVA FLORAL. ESSE SERVIÇO FOI APREGOADO EM LEILÃO EM 1928 ADQUIRIDO PELO COLECIONADOR INACIO AREAL REALIZADO PELO LEILOEIRO DA ÉPOCA, BASTOS DIAS. DEPOIS EM 1983 FOI LEILOADO POR FERNANDO SOARES EM SÃO PAULO ESSA PEÇA EM PREGÃO TAMBÉM ESTÁ REPRODUZIDA NO CATÁLOGO DO LEILÃO REFERIDO ACIMA (O DE FERNANDO SOARES) E FOI REPRODUZIDA EM MATÉRIA DA DÉCADA DE 90 SOBRE INVESTIMENTO EM MERCADO DE ARTES (VIDE FOTOS DA MATÉRIA E DO CATÁLOGO DO LEILÃO). PEÇA DESSE APARELHO ESTA REPRODUZIDA A PÁGINA 209 DO LIVRO LOUÇA DA ARISTOCRACIA DO BRASIL POR JENNY DREYFUS. FRANÇA, SEC. XIX. 26,5 CM DE DIAMETRO NOTA: Luís Alves de Lima e Silva (25/8/1803-7/5/1880) nasce em Vila do Porto da Estrela, em uma família de militares. É declarado cadete aos 5 anos. Em 1823, com apenas 20 anos, participa da campanha pelo reconhecimento da independência na Bahia como tenente. Promovido a capitão, conduz a linha de frente brasileira na Guerra da Cisplatina em 1825. É nomeado major e chefia o batalhão do imperador até 1831. Em 1840 combate os focos de resistência ao governo central no Maranhão e no Piauí. Em recompensa pela pacificação das duas províncias, é elevado ao posto de brigadeiro e recebe o título de barão de Caxias. Como comandante das Armas da Corte, reprime a Revolução Liberal de 1842 em São Paulo e em Minas Gerais e dirige as tropas imperiais contra a Revolta dos Farrapos. Em 1845, dom Pedro II o indica para o Senado pelo Rio Grande do Sul. Lidera as tropas do Exército nas guerras platinas em 1851 e exerce, depois, a Presidência da província gaúcha. Em 1866 chefia as forças brasileiras na Guerra do Paraguai e conquista Assunção em 1869. No mesmo ano recebe o título de duque de Caxias. Morre na cidade de Barão de Juparanã, no Rio de Janeiro. Duque de Caxias (Luís Alves de Lima e Silva) (1803-1880) foi um militar brasileiro. É o Patrono do Exército. Foi um dos maiores vultos da nossa história. Foi chamado de O Pacificador. No dia 25 de agosto, dia do seu nascimento, é comemorado o dia do soldado. Luís Alves de Lima e Silva nasceu na fazenda São Paulo, no Taquaraçu, próximo da Vila Estrela, hoje município de Duque de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, no dia 25 de agosto de 1803. Filho de Francisco de Lima e Silva e de Cândida de Oliveira Belo cresceu em meio a uma família de militares. Seu avô, José Joaquim de Lima e Silva, um militar português, imigrou para o Brasil em 1767 e se instalou no Rio de Janeiro, então capital do país. Seu pai foi brigadeiro do Exército Imperial e membro da Regência-Trina durante a menoridade de Dom Pedro II. No dia 22 de novembro de 1808, o 1.º Regimento de Infantaria de Linha, comandado por seu avô, recebia o novo soldado com cinco anos, apenas uma homenagem a seu avô, o Ministro da Guerra. Entre 1809 e 1817, estudou no Seminário São Joaquim (hoje Colégio Pedro II). Em 1818, Luís Alves entrou para a Escola Militar do Largo do São Francisco, onde permaneceu até 1821. Foi cadete, alferes e tenente. Quando concluiu o curso, foi incorporado ao 1.º Batalhão de Fuzileiros. Em 1822, o Brasil torna-se independente e Luís Alves ingressa no Batalhão do Imperador, comandado por seu tio José Joaquim de Lima e Silva. Em 1823, participou da luta no combate aos soldados portugueses da Bahia que relutavam a aceitar a Independência do país. Com a vitória do Batalhão, Luís Alves foi promovido a Capitão e com 21 anos recebia a Imperial Ordem do Cruzeiro, das mãos de D. Pedro I. Em 1825, Luís Alves foi chamado para mais uma vez manter a unidade nacional, desta vez na Campanha da Cisplatina conflito ocorrido entre o Brasil Império e as Províncias Unidas do Rio da Prata, pela posse da "Província Cisplatina", no Uruguai. Três vezes foi citado por bravura. Ganhou as insígnias de Major e as comendas da Ordem de São Bento de Ávis e a ordem da Rosa. Em 1831, após a abdicação de D. Pedro I, Luís Alves foi um dos poucos que permaneceu ao lado do monarca. Foi chamado pelo ministro da Justiça, Padre Feijó, para organizar o Batalhão Sagrado, para manter a ordem no Rio de Janeiro, evitando a anarquia. Nesse mesmo ano, organizou a Guarda Municipal, que depois foi transformada em Guarda Municipal Permanente. Em 1832 a Guarda Municipal lutou contra a tentativa de derrubar a Regência-Trina, durante a menoridade de Dom Pedro II. No dia 2 de fevereiro de 1833, Duque de Caxias casa-se com Ana Luísa do Loreto Carneiro Vianna de apenas 16 anos, neta da Baronesa de São Salvador de Campos. Em dezembro do mesmo ano nasce Luísa de Loreto. Em 24 de junho de 1836 nasce sua segunda filha, Ana de Loreto. O filho Luís Alves Júnior faleceu na adolescência. Em 1837, com 34 anos, Luís Alves foi promovido a Tenente-Coronel, em seguida, deixou o comando da Guarda Permanente. Em 1839, foi nomeado comandante-geral das forças militares do Maranhão e presidente da Província. Sua missão: sufocar a revolta dos que se opunham ao governo provincial e ocupavam acidade de Caxias. Conhecida como Balaiada, a campanha de Lima e Silva saiu vitoriosa. Em 1841, de volta ao Rio de Janeiro, Luís Alves é promovido a General-Brigadeiro e recebeu o título de Barão de Caxias, referência à cidade que conseguiu pacificar. Em 1842, o Barão de Caxias foi nomeado "Comandante das Armas da Corte", cargo já ocupado por seu pai. Nessa época, eclodiu a revolução liberal em São Paulo e Minas Gerais, que Caxias reprimiu com facilidade e entrou em Sorocaba, onde enfrentou seu antigo chefe, o Padre Feijó. Em Minas Gerais, destacou-se no combate de Santa Luzia, decisivo para a vitória. Ao voltar, reassume o comando das armas, como o Pacificador. Após pacificar três províncias, faltava só o Rio Grande do Sul onde a Guerra dos Farrapos entrava no seu sétimo ano. Foi nomeado "presidente da província do Rio Grande do Sul"e "Comandante das Armas". Reorganizou as forças imperiais e depois de dois anos saiu vitorioso. Com a vitória, na Guerra dos Farrapos, Caxias foi agraciado com o título de Conde, em 2 de abril de 1845 e escolhido para o Senado por Dom Pedro II, mandato que exerceu junto com seu pai. Em 1855 foi nomeado para a Pasta da Guerra e em 1862 para "Presidente do Conselho". Nesse mesmo ano, foi promovido a Marechal Graduado do Exército. Caxias combateu em vários conflitos de fronteira no Sul do Brasil e voltou vitorioso ao Rio de Janeiro, quando, recebeu o título de Marquês. A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado ocorrido na América do Sul, na bacia do rio da Prata, que envolveu Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil. O Paraguai era o país que havia alcançado um certo progresso econômico autônomo e seu presidente Solano López resolveu ampliar o território paraguaio e criar o Paraguai Maior, anexando regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil (como Rio Grande do Sul e Mato Grosso), com o objetivo de conquistar o acesso ao Atlântico. Em 1864, o Paraguai ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, no rio Paraguai. A resposta brasileira foi a imediata declaração de guerra ao Paraguai. Em 1865, o Paraguai invadiu o Mato Grosso e o Norte da Argentina, e os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram a Tríplice Aliança contra Solano López. O Brasil, Argentina e Uruguai contavam com o apoio inglês, recebendo empréstimos para equipar e manter poderosos exércitos. Depois de algumas derrotas, em 1867, Luís Alves de Lima e Silva, então Marquês de Caxias, assumiu o comando das forças militares imperiais, vencendo rapidamente importantes batalhas como as de Itororó, Avaí, Angosturas e Lomas Valentinas, chamadas dezembradas por terem ocorrido no mês de dezembro de 1868. Finalmente Assunção foi ocupada em 5 de janeiro de 1869. Após a vitória do Brasil na Guerra do Paraguai, Caxias com 66 anos recebe o título de Duque, com medalhas e condecorações. No dia 23 de março de 1874 morre sua esposa. Em 1875, o Duque de Caxias foi nomeado, por Dom Pedro II, para a presidência do Conselho de Ministros e assume também o Ministério da Guerra. Era um Gabinete que serviria à princesa Isabel na ausência do Imperador. Em 1877, cansado e doente, Duque de Caxias se retira para a fazenda do Barão de Santa Mônica, de seu genro, hoje Ji-Paraná, Rio de Janeiro. No dia 7 de maio de 1880, às 20 horas e 30 minutos, fechava os olhos para sempre aquele bravo militar e cidadão que vivera no seio do Exército para glória do próprio Exército. No dia seguinte, em trem especial, chegava na Estação do Campo de Santana o seu corpo, vestido com o seu mais modesto uniforme de Marechal de Exército, trazendo ao peito apenas duas das suas numerosas condecorações, as únicas de bronze: a do Mérito Militar e a Geral da Campanha do Paraguai, tudo consoante suas derradeiras vontades expressas. Outros desejos testamentários são respeitados: enterro sem pompa; dispensa de honras militares; o féretro conduzido por seis soldados da Guarnição da Corte, dos mais antigos e de bom comportamento, aos quais deveria ser dada a quantia de trinta cruzeiros (cujos nomes foram imortalizados no pedestal de seu busto, no passadiço do Conjunto Principal antigo da Academia Militar das Agulhas Negras); o enterro custeado pela Irmandade da Santa Cruz dos Militares; e seu corpo não embalsamado. Quantas vezes o caixão foi transportado, suas alças foram seguras por seis Praças de Pré do 1º e do 10º Batalhão de Infantaria. No ato do sepultamento, o grande literato Visconde de Taunay, então Major do Exército, proferiu alocução assim concluída: "Carregaram o seu féretro seis soldados rasos; mas, senhores, esses soldados que circundam a gloriosa cova e a voz que se levanta para falar em nome deles, são o corpo e o espírito de todo o Exército Brasileiro. Representam o preito derradeiro de um reconhecimento inextinguível que nós militares, de norte a sul deste vasto Império, vimos render ao nosso velho Marechal, que nos guiou como General, como protetor, quase como pai, durante 40 anos; soldados e orador, humilde todos em sua esfera, muito pequenos pela valia própria, mas grandes pela elevada homenagem e pela sinceridade da dor". Seu testamento lavrado em 23 de abril de 1874 mostra que esse grande brasileiro que defendeu invictamente o Brasil por tantas vezes e ocupou posições tão importantes morreu sem muitos bens, mas buscando honrar sua pátria e o serviço a ela prestado. Reza o texto de suas últimas vontades expressas: Em Nome de Deus Amém: Eu, Luiz Alves de Lima, Duque de Caxias, achando-me com saúde e meu perfeito juízo, ordeno o meu testamento, da maneira seguinte: sou católico romano, tenho nesta fé vivido, e pretendo morrer. Sou natural do Rio de Janeiro, batizado na freguesia de Inhamerim; filho legítimo do Marechal Francisco de Lima e Silva, e de sua legítima Mulher, dona Mariana Cândida Bello de Lima, ambos já falecidos. Fui casado a face da Igreja com a virtuosa dona Anna Luiza Carneiro Viana de Lima, Duquesa de Caxias, já falecida, de cujo matrimônio restam dois filhos que são Luiza e Anna, as quais se acham casadas; a primeira com Francisco Nicolas Carneiro Nogueira da Gama, e a segunda, com Manoel Carneiro da Silva, as quais são as minhas legítimas herdeiras. Declaro que nomeio meus testamenteiros, em 1º lugar, o meu genro Francisco Nicolas, em 2º meu genro Manoel Carneiro, em 3º meu irmão e amigo, o Visconde de Tocantins, e lhes rogo que aceitem esta testamentária, da qual só darão contas no fim de dois anos. Recomendo a estes que quero que meu enterro seja feito, sem pompa alguma, e só como irmão da Cruz dos Militares, no grau que ali tenho. Dispensando o estado da Casa Imperial, que se costuma a mandar aos que exercem o cargo que tenho. Não desejo mesmo, que se façam convites pro meu enterro, porque os meus amigos que me quiserem fazer este favor, não precisam dessa formalidade e muito menos consintam os meus filhos que eu seja embalsamado. Logo que eu falecer deve o meu testamenteiro fazer saber ao Quartel General, e ao ministro da Guerra que dispenso as honras fúnebres que me pertencem como Marechal do Exército e que só desejo que me mandem seis soldados, escolhidos dos mais antigos, e melhor conduta, dos corpos da Guarnição, pra pegar as argolas do meu caixão, a cada um dos quais o meu testamenteiro, no fim do enterro, dará 30$000 de gratificação. Declaro que deixo ao meu criado, Luiz Alves, quatrocentos mil réis e toda a roupa do meu uso. Deixo ao meu amigo e companheiro de trabalho, João de Souza da Fonseca Costa, como sinal de lembrança, todas as minhas armas, inclusive a espada com que comandei, seis vezes, em campanha, e o cavalo de minha montaria, arreado com os arreios melhores que tiver na ocasião da minha morte. Deixo à minha irmã, a Baronesa de Suruhi, as minhas condecorações de brilhantes da ordem de Pedro I como sinal de lembrança e a meu irmão, o Visconde de Tocantins, meu candieiro de prata, que herdei do meu pai. Deixo meu relógio de ouro com a competente corrente ao Capitão Salustiano de Barros Albuquerque, também como lembrança pela lealdade com que tem me servido como amanuense. Deixo à minha afilhada Anna Eulália de Noronha, casada com o Capitão Noronha, dois contos de réis. Cumpridas estas disposições, que deverão sair da minha terça, tudo o mais que possuo será repartido com as minhas duas filhas Anna e Luiza, acima declaradas. Mais nada tenho a dispor, dou por findo o meu testamento, rogando as justiças do país, que o façam cumprir por ser esta a minha última vontade escrita por mim e assinada. Rio de Janeiro, 23 Abr 1874 - Luis Alves de Lima Duque de Caxias.
  • MAQUINETA DE SALÃO - REQUINTADO E MAGNÍFICO ORATÓRIO DO TIPO LAPINHA ORIGINARIO DE MINAS GERAIS, ESTILO E ÉPOCA DOM JOSÉ I, DATÁVEL DE MEADOS DO SEC. XVIII. CONFECCIONADO EM MADEIRA RECORTADA E ENTALHADA APRESENTADO POLICROMIA E DOURAMENTO. POLICROMIA PREDOMINANTEMENTE EM AZUL VERDE E VERMELHO CAMARAO. ESTRUTURA COM DOIS NICHOS SENDO O SUPERIOR O MAIS ALONGADO QUE O INFERIOR. MOLDURA FRONTAL COM FENDA PARA RECORTE DA CERCADURA. ANTEPARO DE VIDRO. IMAGENS EM CALCITA ENTALHADA COM LEVE POLICROMIA E DOURAÇÃO COMO ERA O GOSTO DA ÉPOCA. CRUZ EM MADEIRA. ORATÓRIO DE FATURA ERUDITA! ABERTURA COM PORTA TRASEIRA. ORNAMENTAÇÃO DA TALHA COMPOSTA POR VOLUTAS, PALMETA E FRISOS DOURADOS. NO NICHO SUPERIOR CENA DE CRUCIFICAÇÃO COM CRISTO NA CRUZ, NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, SÃO JOSÉ, SÃO JOAQUIM, SANTANA MESTRA, SAO PAULO. NO NICHO INFERIOR CENA DA NATIVIDADE, SÃO JOSÉ E MARIA MENINO JESUS, MAGOS E PASTORES. . A QUALIDADE DAS IMAGENS É MUITO BOA! TETO ABOBADADO. PÉS RECURVOS. ESSE MODELO DE LAPINHA FACETADO É O MAIS ELEGANTE DOS QUE FORAM PRODUZIDOS NO SEC. XVIII, AUGE DO ESTILO DOM JOSÉ EM SUA ÉPOCA SENDO EXPOSTOS NOS SALÕES DE RESIDENCIAS ABASTADAS. MINAS GERAIS, SEC. XVIII, 70 CM DE ALTURA. NOTA: Tipicamente mineiros os oratórios denominados lapinhas geralmente apresentam dois pavimentos, a cena clássica do Calvário com a Sagrada Parentela e algum Santo de Devoção do encomendante. Embaixo geralmente uma cena de presépio COMO NO CASO DESTE. São peças elegantes bem ao gosto Dom José I e destinados a casas de proprietários abastados. Notadamente essa arte floresceu na região de Ouro preto, Mariana e Santa Luzia. De acordo com o periódico especializado A Relíquia, no bojo da arte sacra brasileira, destacam-se os oratórios, objetos de fé, testemunhos do catolicismo, pelos quais se pode recompor a trajetória de nossa civilização. Através deles acompanha-se a imersão do fenômeno barroco na vida cotidiana do Brasil colonial. O oratório representava a ligação do homem com o divino. A origem do oratório remonta à Idade Média, época em que as famílias que não podiam construir capelas, representavam-nas através de um objeto. Para Angelo Araújo o oratório "reporta-se à edícula romana, morada dos deuses lares, e desde os primórdios do cristianismo são encontrados como objeto do culto aos mártires e santos. Ao longo de dois milênios, aparecem e ressurgem em todos os territórios da cristandade, consubstanciando estilos vigentes, tendências, influências e costumes de cada região. Os oratórios chegaram ao Brasil nos primeiros navios portugueses, como protetores daqueles intrépidos navegantes. Povoaram a cena doméstica, na cidade e no campo, das cozinhas aos quartos de dormir, das varandas às salas de jantar, dos salões as senzalas.
  • NOSSA  SENHORA DOS PRAZERES - LINDA ESCULTURA EM BARRO PAULISTA APRESENTANDO FIGURA DE NOSSA SENHORA DOS PRAZERES. A VIRGEM TEM NO COLO O MENINO JESUS E GRACIOSAMENTE SEGURA UM DE SEUS PÉS. O MENINO SEGURA UM ORBE. A BASE TEM MEIA LUA CRESCENTE E APRSENTA DUAS FIGURAS DE ANJOS ADORADORES. 23 CM DE ALTURA.NOTA: Nossa Senhora dos Prazeres é um título mariano da Igreja Católica dedicado às sete alegrias da Virgem Maria. A devoção originou-se em Portugal por volta de 1590, na região de Alcântara, após relatos de curas milagrosas ligadas a uma imagem encontrada sobre uma fonte.A devoção a Nossa Senhora dos Prazeres é cercada de fatos curiosos, lendas regionais e profundas conexões com a história militar e geográfica do Brasil e de Portugal. De acordo com o relato histórico do Santuário de Nossa Senhora dos Prazeres, em Portugal (por volta de 1590), a imagem mariana original apareceu misteriosamente sobre uma fonte de água em Alcântara. Pessoas que bebiam daquela água relataram curas milagrosas. Assustados com a multidão de peregrinos, os donos daquelas terras trancaram a imagem dentro de casa para protegê-la. Misteriosamente, a estátua desaparecia da residência e reaparecia sozinha no mesmo local da fonte. O "sumiço" repetido convenceu o povo de que a santa desejava que um templo fosse construído exatamente ali. No Brasil, o título tem um forte vínculo militar ligado à expulsão dos holandeses no Nordeste. O General Francisco Barreto de Menezes prometeu construir uma igreja caso suas tropas vencessem a histórica Batalha dos Guararapes, em Pernambuco. Com a vitória luso-brasileira, a promessa gerou a famosa Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, erguida em 1656. A imagem original do templo foi trazida de Portugal pelo próprio comandante militar. A teologia por trás das Sete Alegrias possui uma lenda medieval muito bonita. Conta-se que um jovem frade franciscano tinha o hábito de tecer e ornamentar diariamente uma coroa de flores frescas para colocar na estátua da Virgem Maria. Quando entrou para o noviciado, a rotina apertada o impediu de continuar o arranjo. Triste, ele pensou em abandonar a ordem. Segundo a tradição cristã, Maria apareceu a ele e sugeriu que, em vez de flores físicas que murchavam, ele rezasse uma coroa de orações meditando em suas sete maiores alegrias terrenas, dando origem à famosa Coroa das Sete Alegrias de Nossa Senhora.
  • RENNE LALIQUE  NIPPON  COM MARCAS DA MANUFATURA.  PRATO DE SERVIÇO EM CRISTAL DA MNAUFATURA DE RENNE LALIQUE. DECORAÇÃO EM RELEVO COM FILEIRAS CONCÊNTRICAS DE PEQUENAS ESFERAS (PÉROLAS OU "BEADS"). ESSE MODELO FAZ PARTE DE UMA LINHA COMPLETA DE MESA CHAMADA NIPPON, QUE INCLUI TAÇAS DE VINHO, COPOS, JARROS E TIGELAS, ALTAMENTE COLECIONÁVEIS DEVIDO AO EQUILÍBRIO PERFEITO ENTRE A FUNCIONALIDADE E O REFINAMENTO GEOMÉTRICO DO DESIGN ART DÉCO. LISTADO NO CATÁLOGO RAISONNÉ DE FÉLIX MARCILHAC SOB OS MODELOS DE NUMERAÇÃO TÉCNICA VARIANTES (COMO O MARCILHAC 3037 OU 3040, DEPENDENDO DO DIÂMETRO) CATALOGUE RAISONNÉ DE L'OEUVRE DE VERRE DE R.LALIQUE, ÉD. DE L'AMATEUR PARIS, 1994, P. 721. 24 CM
  • RARA FARINHEIRA EM PRATA DE LEI ESTILO E ÉPOCA DONA MARIA I  BATIDA E REPUXADA. CORPO DECORADO COM ELABORADA FAIXA COMPOSTA POR GUIRLANDA COM FESTÕES E FLORES PENDENTES.  BORDA COM PEROLADO. POR SER UM OBJETO DE USO DIÁRIO, QUE ACABAVAM SENDO DANIFICADAS PELO USO CONTÍNUO É UMA RARIDADE ENCONTRA-LAS EM NOSSOS DIAS. PEÇA DIGNA DE MUSEU. BRASIL, SEC. XVIII. 17 CM DE DIAMETRO POR 8 CM DE ALTURA.NOTA: No Brasil colonial a farinha de mandioca era a base da alimentação de todas as classes, dos escravos aos senhoras. Serví-la em um recipiente de prata ricamente trabalhado era a forma que a aristocracia encontrou para demonstrar extrema riqueza através de um hábito cotidiano simples e para distinguir o consumo de uma um alimento universal por uma classe abastada. Típicamente brasileiras, as farinheiras, as primeiras farinheiras eram feitas com cascas de coco-da-baía ou de porongos cortados ao meio. Quando os ourives começaram a fabricar as versões em prata de lei, eles mantiveram o formato semicircular, bojudo e sem alças, imitando perfeitamente o formato do coco original. prata era valorizada na época não apenas pela beleza, mas também porque se sabia que ela ajudava a conservar os alimentos por mais tempo. Em um clima tropical e sem refrigeração, o uso da prata impedia a proliferação rápida de fungos e carunchos na farinha.
  • FABULOSA NAVETA DE GRANDE DIMENSÃO EM PRATA DE LEI DA BAHIA. REQUINTADO TRABALHO SETECENTISTA. COM DESEJÁVEL FEITIO DE NAVE É DECORADA AO ESTILO DOM JOÃO V COM ROCAILLES E FLORES. "O CONVÉS" TEM TAMPA BASCULANTE LISA COM BELISSIMA RESERVA CENTRAL COM FLORES E RAMAGENS. A POPA TEM ESCULELA LISA CERCADA POR ROCAILLES VEGETALISTAS. TODA A PARTE SUPERIOR TEM CERCADURA EM RECOERTADA SIMULANDO EXTREMIDADES DE FOLHAS. BASE CAMPANULAR REMATADA POR FOLHAS DE ACANTO NO SENTIDO VERTICAL.. BAHIA, SEC. XVIII. 18 X 19 CM

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