Peças para o próximo leilão

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  • VISCONDE DA VILLA REAL DA PRAIA GRANDE (2.) CAETANO PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO FILHO LUTOU NAS GUERRAS DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL E NA GUERRA CISPLASTINA. ERA FILHO DO MARQUES DA VILLA REAL DA PRAIA GRANDE, PRIMEIRO MINISTRO DA JUSTIÇA DO BRASIL APÓS A INDEPENDENCIA. GRANDE PAR DE BOTÕES DE LIBRE EM METAL PRATEADO MANUFATURA DE PARIS POR DESHAYES MASSE & CIE. EM RELEVO BRASÃO DE ARMAS DO VISCONDE DE VILLA REAL DA PRAIA GRANDE. CAETANO PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO FILHO FOI CORONEL DO EXÉRCITO IMPERIAL, GRANDE DO IMPÉRIO, GENTIL HOMEM DA IMPERIAL CÂMARA, MEMBRO DO CONSELHO DE SUA MAGESTADE IMPERIAL , COMENDADOR DA IMPERIAL ORDEM DE CRISTO, CAVALEIRO DA IMPERIAL ORDEM DA ROSA E DA IMPERIAL ORDEM DO CRUZEIRO, TINHA A MEDALHA DA DIVISÃO COOPERADORA DA BOA ORDEM E A INSIGNIA DE OURO DA DISTINÇÃO DE COMBATE. BRASIL, DEC. 1840. 3 CM DE DIAMETRONOTA: CAETANO PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO FILHO (1796-1851) Sentou praça no regimento da infantaria da linha de Pernambuco, em 1823. Foi reformado com a patente de coronel em 1838. Foi presidente das províncias do Espírito Santo, de 23 de novembro de 1829 a 3 de março de 1830, de Alagoas, de 4 de abril de 1830 a 19 de maio de 1831, e do Rio de Janeiro, durante 1845. Era filho de Maria da Encarnação Carneiro de Figueiredo Sarmento e de Caetano Pinto de Miranda Montenegro, marquês de Vila Real da Praia Grande. Casou-se, em 20 de dezembro de 1823, no Rio de Janeiro, com Maria Elisa Gurgel do Amaral e Rocha (em casada, Maria Elisa Gurgel do Amaral Montenegro), filha de Mariana Violante da Gama e Freitas e de Luís José Viana do Amaral e Rocha, falecida aos 67 anos, em 30 de novembro de 18671. Tiveram filhos. Maria da Penha Pinto de Miranda Montenegro (Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 1835 - Paris, 19 de abril de 1893), esposa de João de Sousa da Fonseca Costa, futuro visconde da Penha; Luís Pinto de Miranda Montenegro, futuro presidente da província do Rio de Janeiro e desembargador da Relação de Ouro Preto; João Pinto de Miranda Montenegro, moço-fidalgo da Casa Imperial por dec. de 12 de setembro de 1848, falecido em 1 de março de 1856, aos 16 anos de idade; Aires Pinto de Miranda Montenegro (fal. em 1873), moço-fidalgo da Casa Imperial, tenente da Guarda Nacional, casado, em 10 de janeiro de 1861, com Antônia Carolina de Castro Neto, filha do barão de Muriaé8; pai da baronesa de Maia Monteiro. Os restos mortais do visconde e da viscondessa da Vila Real da Praia Grande repousam no Cemitério da Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, no Rio de Janeiro
  • AYRES PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO (1831-1873) FILHO DO VISCONDE DE VILLA REAL DA PRAIA GRANDE. MOÇO FIDALGO DA CASA IMPERIAL, TENENTE DA GUARDA NACIONAL, CASADO EM 10 DE JANEIRO DE 1861 COM ANTONIA CAROLINA DE CASTRO NETO, FILHA DO BARÃO DE MURIAÉ. RETRATO DE AYRES PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO COM UNIFORME DE TENENTE DA GUARDA NACIONAL. NO VERSO INSCRIÇÃO: PINTADO EM PERNAMBUCO EM 22 DE FEVEREIRO DE 1858. TINHA 30 ANOS INCOMPLETOS.  ERA PAI DA BARONESA DE MAIA MONTEIRO , DONA MARIA ELISA PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO. SEU FILHO MANOEL PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO CASOU-SE COM SOFIA IPANEMA MOREIRA FILHA DO BARÃO DE IPANEMA. 8 CM DE ALTURANOTA: O BARÕ DE MURIAÉ foi fdalgo e abastado fazendeiro brasileiro.Grande do Império, foi fidalgo cavaleiro, comendador da Imperial Ordem de Cristo e cavaleiro da Ordem Militar de Cristo. Elevado a barão por decreto de 15 de abril de 1847Filho do Capitão Jerônimo Pinto Neto e de D. Antonia Joaquina da Cruz; era primo de Joaquim Pinto Neto dos Reis, primeiro barão de Carapebus. Foi abastado senhor de terras e escravos em Campos dos Goytacazes (RJ), era proprietário, entre outras, da Fazenda São Francisco de Paula, depois conhecida como Fazenda da Baronesa, cujo imponente solar pertence à Academia Brasileira de Letras.Sua família recebeu o Imperador Dom Pedro II em diversas ocasiões. Escreveu Alberto Lamego : O velho solar que guarda o nome de fazenda da baroneza, que hospedou testas coroadas e fidalgos, em cujos salões faiscantes de prataria e cristaes, tiveram lugar os mais afamados banquetes e bailes da época. A "Collecção D. Rosa Joaquina", em Macaé (RJ), guarda grande parte do recheio proveniente do Solar da Baronesa, como, por exemplo, peças do histórico serviço "Vieux Paris", comprado para receber o Imperador em 1847.
  • VISCONDE COM GRANDEZA  DE VILLA REAL DA PRAIA GRANDE (17961851   CAETANO PINTO MONTENEGRO DE MIRANDA FILHO - CAPITANIA DE PERNAMBUCO   CERTIDÃO SOLICITADA PELO VISCONDE  DA VILLA REAL DA PRAIA GRANDE A JOSÉ ANTONIO DOS SANTOS SILVA ESCRIVÃO DA VEADORIA  GERAL E MATRICULA DA GENTE DE GUERRA DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO SOBRE SUA ADMISSÃO NO EXERCITO REAL REGISTRADO NO LIVRO MESTRE. COM CHANCELA DO SELO DO REINO UNIDO BRASIL PORTUGAL E ALGARVES. EXCERTOS DO TEXTO: DIZ CAETANO PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO JUNIOR POR SEU BASTANTE PROCURADOR QUE LHE É NECESSÁRIO QUE O ESCRIVÃO DA VEADORIA REVENDO O LIVRO MESTRE DO ESTINTO REGIMENTO POR CERTIDÃO O DIA MÊS E ANO EM QUE ASSENTOU PRAÇA E DE TUDO MAIS QUE CONSTAR NO REFERIDO ASSENTO. SEJA SERVIDO ASSIM MANDA EL REY MAGESTADE. JOSÉ ANTONIO DOS SANTOS E SILVA ESCRIVÃO DA VEADORIA GERAL E MATRÍCULA DA GENTE DE GUERRA DESTA CAPITANIA DE PERNAMBUCO POR SUA MAGESTADE E FIDELISSIMA QUE DEUS GUARDE CERTIFICO QUE NO LIVRO MESTRE DO EXTINTO REGIMENTO DE INFANTARIA DE LINHA DESSE RECIFE  CONSTA QUE O SUPLICANTE FILHO DO GOVERNADOR DESTA CAPITANIA, CAETANO PINTO DE MIRANDA MONTENEGRO, NATURAL DO RIO DE JANEIRO IDADE DE 17 ANNOS AO ASSENTAR PRAÇA, ALTURA DE CINCO PÉS E DUAS POLEGADAS (1 METRO E 57 CM  EM NOSSAS MEDIDAS ATUAIS), CABELOS CASTANHOS, OLHOS PARDOS, ASSENTOU PRAÇA VOLUNTARIAMENTE NA COMPANHIA DE CAÇADORES DO DITO REGIMENTO EM 30 DE MARÇO DE 1813. FOI RECONHECIDO CADETE EM PRIMEIRO DE ABRIL DO DITO ANO E PASSOU A TENENTE DE INFANTARIA ADIDO AO ESTADO MAIOR DO EXÉRCITO COM EXERCICIO DE AJUDANTE DE ORDENS DO DITO GOVERNADOR EM 12 DE DEZEMBRO DE 1814 POR DECRETO DE 25 DE JULHO DO MESMO ANO. É O QUE CONSTO DE SEU ASSENTO AO QUAL ME REPORTO. RECIFE DE PERNANMBUCO, 27 DE DE NOVEMBRO DE 1817. ASSINA O ESCRIVÃO E CHANCELA COM SELO DO REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVES. NOTA: Caetano Pinto de Miranda Montenegro Filho, segundo visconde com grandeza de Vila Real da Praia Grande (1796  Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 1851), foi militar e político brasileiro. Sentou praça no regimento da infantaria da linha de Pernambuco. Foi reformado com a patente de coronel em 1838 Foi presidente das províncias do Espírito Santo, de 23 de novembro de 1829 a 3 de março de 1830, de Alagoas, de 4 de abril de 1830 a 19 de maio de 1831, e do Rio de Janeiro, durante 1845. Era filho de Maria da Encarnação Carneiro de Figueiredo Sarmento e de Caetano Pinto de Miranda Montenegro, marquês de Vila Real da Praia Grande. Casou-se, em 20 de dezembro de 1823, no Rio de Janeiro, com Maria Elisa Gurgel do Amaral e Rocha (em casada, Maria Elisa Gurgel do Amaral Montenegro), filha de Mariana Violante da Gama e Freitas e de Luís José Viana do Amaral e Rocha, falecida aos 67 anos, em 30 de novembro de 1867. Tiveram filhos:  Maria da Penha Pinto de Miranda Montenegro (Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 1835 - Paris, 19 de abril de 1893), esposa de João de Sousa da Fonseca Costa, futuro visconde da Penha; Luís Pinto de Miranda Montenegro, futuro presidente da província do Rio de Janeiro e desembargador da Relação de Ouro Preto; João Pinto de Miranda Montenegro, moço-fidalgo da Casa Imperial por dec. de 12 de setembro de 1848,4 falecido em 1 de março de 1856,5 aos 16 anos de idade; Aires Pinto de Miranda Montenegro (fal. em 1873), moço-fidalgo da Casa Imperial, tenente da Guarda Nacional, casado, em 10 de janeiro de 1861, com Antônia Carolina de Castro Neto, filha do barão de Muriaé;8 pai da baronesa de Maia Monteiro. Os restos mortais do visconde e da viscondessa da Vila Real da Praia Grande repousam no Cemitério da Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, no Rio de Janeiro.
  • ANUBIS   DEUS DAS PRÁTICAS FUNERÁRIAS E DOS MORTOS  REPRESENTADO COM CORPO DE HOME E CABEÇA DE CHACAL ESCUTURA VOTIVA EM PASTA DE PEDRA GRÃOS DE QUARTZO EM PÓ FINO FUNDIDOS COM PEQUENAS QUANTIDADES DE ÁLCALI E/OU CAL POR MEIO DE AQUECIMENTO PARCIAL). EX COLEÇÃO DR. ANTONIO MELILLO E EX COLEÇÃO DR. CARLOS M. FERREIROZ DIAZ. )  1200  A.C..  PROVENIENTE DE ESCAVAÇÃO EM TEBAS. EGITO, 14  CM DE ALTURA. NOTA: Anúbis , antigo deus egípcio das práticas funerárias e do cuidado dos mortos, representado por um chacal ou pela figura de um homem com cabeça de chacal . No início do período dinástico e no Império Antigo, ele desfrutou de uma posição proeminente (embora não exclusiva) como senhor dos mortos, mas mais tarde foi ofuscado por Osíris . Seu papel é refletido em epítetos como Aquele que está em sua montanha (ou seja, a necrópole ), Senhor da Terra Sagrada, O mais importante dos ocidentais e Aquele que está no local de embalsamamento.A sua preocupação particular era com o culto funerário e o cuidado dos mortos; portanto, ele tinha a reputação de ser o inventor deembalsamamento , arte que ele empregou pela primeira vez no cadáver de Osíris. Em seu papel posterior como condutor de almas, ele foi algumas vezes identificado pelo mundo greco-romano com o grego Hermes na divindade compostaHermanúbis.
  • THOTH  ESCRIBA DOS DEUSES REPRESENTADO COMO BABUÍNO CINOCÉFALO. ESCUTURA EM PASTA DE PEDRA GRÃOS DE QUARTZO EM PÓ FINO FUNDIDOS COM PEQUENAS QUANTIDADES DE ÁLCALI E/OU CAL POR MEIO DE AQUECIMENTO PARCIAL). EX COLEÇÃO DR. ANTONIO MELILLO E EX COLEÇÃO DR. CARLOS M. FERREIROZ DIAZ. EPOCA SAITA (700 A.C.) ENCONTRADA EM MENFIS 775653 A.C..  PROVENIENTE DE ESCAVAÇÃO EM TEBAS. EGITO, 14 CM DE ALTURA. NOTA: Thoth , na religião egípcia , um deus da lua, do cálculo , do aprendizado e da escrita . Ele foi considerado o inventor da escrita, o criador das línguas, o escriba, intérprete e conselheiro dos deuses, e o representante do deus sol , Re . Sua responsabilidade pela escrita foi compartilhada com a deusa Seshat . O culto de Thoth estava centrado na cidade de Khmunu ( Hermópolis ; moderna Al-Ashmnayn) no Alto Egito .No mito deOsíris , Thoth protegeu Ísis durante sua gravidez e curou o olho de seu filho, Hórus , que havia sido ferido pelo adversário de Osíris, Seth . Ele pesou os corações dos falecidos em seu julgamento e relatou o resultado ao deus presidente, Osíris, e seus colegas juízes. Os animais sagrados de Thoth eram o íbis e o babuíno; milhões de corpos mumificados desses animais foram encontrados em cemitérios próximos a Hermópolis e Memphis . Thoth geralmente era representado em forma humana com cabeça de íbis. Os gregos identificaram Thoth com seu deus Hermes e o chamaram de Thoth, o três vezes grande (Hermes Trismegistos). Importantes obras filosóficas foram atribuídas a Hermes Trismegistos .
  • GRANDE ESCULTURA EM GRANITO APRESENTANDO FIGURA DE VIZIR PASER 19 DINASTIA (1282-1189 AC.  X COLEÇÃO DR. ANTONIO MELILLO E EX COLEÇÃO DR. CARLOS M. FERREIROZ DIAZESCULTURAS DO VIZIR PASER TEM SIDO ENCONTRADAS EM QUASE TODO O EGITO  O MUSEU NACIONAL DA CIVILIZAÇÃO EGPCIA DO CAIRO POSSUE EM SEU ACERVO UM ESCULTURA DO  VIZIR PASER COM CARACTERISTICAS MUITO SEMELHANTES A ESSA. VIDE EM https://pt.dreamstime.com/est%C3%A1tua-de-granito-negro-do-vizier-paser-em-exposi%C3%A7%C3%A3o-no-nmec-egito-cairo-figura-uma-granita-exposta-museu-nacional-da-image266038230.  EGITO, 12. DINASTIA  20 X 20 CM NOTA: Paser fazia parte da comitiva próxima do filho de Seti I, o então Príncipe Ramsés, e um Príncipe e Conde hereditário.Paser ocupou muitos títulos e honras ao longo de sua vida. O texto autobiográfico no túmulo de Paser nos conta que Menmaatre, ou seja, Seti I , elevou Paser ao posto de primeiro companheiro do palácio, e mais tarde o promoveu a camareiro-chefe do Senhor de Ambas as Terras e sumo sacerdote dos Grandes da Magia ( Werethekau ). Eventualmente, Seti I nomeou Paser governador da cidade e vizir. Paser recebeu o tributo das terras estrangeiras para seu rei e foi enviado por todo o Egito para calcular a receita. Quando Ramsés II assumiu o trono, ele renomeou Paser como camareiro-chefe do Senhor de Ambas as Terras, sumo sacerdote do Grande da Magia e vizir.  Entre suas principais obras estava a construção do túmulo de Seti I no Vale dos Reis . Monumentos com o nome de Paser vêm de todo o Egito. Existem alguns itens cuja procedência é desconhecida. Por exemplo, uma estátua de granito cinza segurando uma estela pertence a Paser, assim como uma estátua de cócoras de granito preto agora no Museu Britânico. Wilbour relata ter visto uma estátua de Paser em Tell Roba.
  • HORUS LINDA ESCULTURA EM PASTA DE PEDRA (GRÃOS DE QUARTZO EM PÓ FINO FUNDIDOS COM PEQUENAS QUANTIDADES DE ÁLCALI E/OU CAL POR MEIO DE AQUECIMENTO PARCIAL) APRESENTANDO RESQUICIOS DE COLORAÇÃO EM AZUL E OURO. APRESENTA O DEUS HORUS EM SUA FIGURA DE FALCÃO. EX COLEÇÃO DR. ANTONIO MELILLO E EX COLEÇÃO DR. CARLOS M. FERREIROZ DIAZ. EPOCA SAITA (700 A.C.) ENCONTRADA EM MENFIS 775653 a.C. . EGITO 19 CM DE COMPRIMENTO. NOTA Uma das divindades mais proeminentes do antigo Egito é o deus dos céus, Hórus. Ele é frequentemente retratado como um homem com cabeça de falcão ou um falcão com coroa dupla, o que representa seu governo sobre o Alto e o Baixo Egito. O Olho de Hórus é um amuleto poderoso que está ligado à sua proteção e visão.No antigo Egito, os deuses conhecidos como egípcios Hor, Har, Her, Heru ou Horus foram criados como divindades falcões. Eles eram representados pelo olho direito sendo o sol ou estrela da manhã, e o olho esquerdo sendo a lua ou estrela da tarde. Durante a época dos antigos faraós egípcios, havia numerosos cultos aos falcões.  O deus egípcio Hórus é uma divindade complexa e contraditória. Segundo os antigos egípcios, ele teve muitas manifestações, e cada uma delas representa um aspecto diferente do seu ser. Ele era frequentemente descrito como um falcão e representava os princípios da realeza do Egito. Um pente de marfim foi usado para retratar o deus falcão Hórus, e também o mostrou como um pássaro andando em um barco com as asas abertas. Ele foi retratado com as estrelas, a lua e o sol nos olhos. À medida que a religião cresceu, tornou-se mais evidente que Hórus era filho de Ísis e Osíris , e também rival de Seth . Isto resultou em um mito sobre Seth e Hórus , onde ele sentia inveja de seu irmão, Osíris . Ele matou Osíris e partiu seu corpo em pedaços, espalhando-os por todo o Egito.Com a ajuda de sua irmã Néftis , Ísis conseguiu obter os pedaços de seu marido, Osíris. Depois de trazê-lo de volta à vida, Ísis tornou-se a governante da terra sagrada e do submundo. Ela também deu à luz Hórus e o escondeu para que um dia ele pudesse vencer Seth.Quando era mais velho, Hórus lutou contra Seth . Depois de derrotá-lo, ele se tornou rei. Infelizmente, durante a batalha, Seth dividiu seu olho em seis pedaços, o que fez com que Thoth restaurasse seu olho e criasse o Olho de Hórus, também conhecido como Wadjat. Hórus era um deus de grande significado e influência na religião egípcia antiga. Ele era o deus do céu, da realeza, da proteção, da cura e do sol. Ele era filho de Osíris e Ísis , e inimigo de Set. Ele foi o primeiro rei e ancestral de todos os faraós. Ele também foi um conceito, um princípio e um modo de vida que moldou a cultura e os valores do antigo Egito.
  • A PARTIR DOS PRÓXIMOS LOTES APRESENTAREMOS UMA COLEÇÃO ARQUEOLÓGICA DAS CIVILIZAÇÕES EGIPCIA, ETRUSCA E ASSÍRIA. ESSAS PEÇAS INTEGRARAM ORIGINALMENTE A COLEÇÃO DO DR. CARLOS M. FERREIROZ DIAZ MEDICO ESPANHOL RADICADO NA SEGUNDA METADE DO SEC. XX EM BUENOS AYRES, UM CONHECIDO ARQUEÓLOGO EGIPTÓLOGO E TAMBÉM PESQUISADOR EM CIVILIZAÇÕES PRÉ COLOMBIANAS MOTIVO QUE O LEVOU A RADICAR-SE NA AMÉRICA DO SUL.  FORAM ADQUIRIDAS PELO DR. ANTONIO MELILLO DIRETAMENTE DO EGIPTOLOGO  DR. CARLOS M. FERREIROZ DIAZ. NOS CRÉDITOS EXTRAS SÃO APRESENTADAS IMAGENS DA DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA ORIGEM DAS PEÇAS. ESSES ITENS   PARTICIPARAM DE UMA EXPOSIÇÃO EM BUENOS AYRES COM CURADORIA DA ORGANIZACION INTERNACIONAL NUEVA ACRÓPOLIS FUNDADA POR JORGE ANGEL LIVRAGA EM 1957 COM SEDE CENTRAL NA BÉLGICA CONFORME RECORTE DE NOTÍCIAS DA ÉPOCA. TODA A DESCRIÇÃO DOS ARTEFATOS FOI FEITA PELO DR. FERREIROZ. INICIAREMOS PELO LOTE QUE SEGUE A SEGUIR
  • FRAGMENTO EM ESTUQUE  DA DECORAÇÃO DE  SARCÓFAGO EGÍPCIO COM CARACTERISTICAS DECORATIVOS DO  NOVO IMPÉRIO  (1422-1390 AC) .  EX COLEÇÃO DR. ANTONIO MELILLO E EX COLEÇÃO DR. CARLOS M. FERREIROZ DIAZ. A CENA REPRESENTA UMA PILHA DE OFERENDAS SOBREPOSTAS OFERECIDAS AOS DEUSES PELO DONO DA TUMBA. EM UMA MESA ESTÃO DISPOSTOS CINCO FRASCOS SENDO DELES COM TAMPA. SOBRE OS FRASCOS  UMA PERNA DE GAZELA SACRIFICADA AOS DEUSES E UMA FOLHA DE JUNCO.A SUPERPOSIÇÃO É UMA CONVENÇÃÕ NA ARTE EGÍPCIA APLICADA PARA ILUSTRAR TODOS OS ELEMENTOS IMPORTANTES.  DO LADO ESQUERDO DA MESA A FIGURA DE UM DEUS E DO LADO DIREITO PODE-SE DIVISAR O BRAÇO DO OFERTANTE ESTENDO SUA MÃO EM DIREÇÃO AO DEUS. FINALMENTE ABAIXO DA MESA DOIS BRASEIROS SÃO REPRESENTANDOS. AS OFERENDAS ERAM PARTE DO RITUAL DA RESSUREIÇÃO A CRENÇA EGIPCIA NOS RITUAIS DOS MORTOS PRECONIZAVA:  OFERECER TODAS AS COISAS BOAS E PURAS E ABASTECER O ALTAR COM INCENSO E PÁSSAROS. PARA AMON EM TODOS OS SEUS LUGARES; PARA OSÍRIS SENHOR DA ETERNIDADE; PARA HATHOR, SENHORA DA NECRÓPOLE. PARA FAZER VIVER O DONO DA TUMBA. EGITO CIRCA DE 1400 ANOS AC.
  • DOM ANTONIO I PRIOR DE CRATO E REI DE PORTUGAL  CURIOSA PETIÇÃO ESCRITA  EM 22 DE JULHO DE 1581 DESTINADA A DOM ANTONIO I ASSINADA POR DOM PHILIPPE DAGUILAR SOLICITANDO UMA COMENDA E 12 MIL CRUZADOS PARA SOLVER SUAS DÍVIDAS FEITAS A SERVIÇO DE DIVERSOS REIS: DOM MANUEL I,  DOM JOÃO III DOM SEBASTIÇÃO I.  EXCERTOS DO TEXTO: DIZ PHILIPPE DAGUILAR QUE ELLE É O HOMEM DE TODO PORTUGAL QUE MAIS VEZES TEM IDO A ÁFRICA E TAMBÉM É HOMEM EM TODO PORTUGAL QUE MAIS TEMPO QUE SERVE EM MAIS CONFINS. E SEMPRE COM OFFICIO NA CASA DOS REIS DESDE QUE SAIU DE MOÇO FIDALGO QUE O MANDARÃO ANDAR COM O PRÍNCIPE DOM JOÃO A PRIMEIRA VEZ QUE SE POS A CAVALO E MUITO SERVIU ATÉ QUE O MANDARÃO A CEUTA A PRIMEIRA VEZ E FICOU DOM MANUEL DE PORTUGAL SERVINDO NAQUELE LUGAR E EM TORNADO DE CEUTA SERVIO O DITO SENHOR DE SEU PRINCIPE DESDE O PRIMEIRO DIA QUE COMEU EM MESA ALTA ATÉ O DIA EM QUE MORREU. E DEPOIS SERVIO A EL REY DOM SEBASTIÃO DE MESTRE SALA DESDE O DIA QUE TOMOU CASA ATÉ O  PRÓPRIO DIA QUE SE PERDEU SERVINDO NESSE TEMPO DE MORDOMO MÓR E DE TODOS OS MAIS OFFICIOS DA CASA DE EL REY E DA RAINHA MUITAS VEZES . NOS QUAIS SERVIÇOS GUARDOU VINTE E QUATRO MIL CRUZADOS  QUE OUVE DE DOTE DE SUA MULHER E SEIS MIL E QUINHENTOS CRUZADOS PORQUE VENDEO NO CABO VERDE CENTO E QUARENTA MIL E SUAS CASAS AFORA A QUAL ESTÁ MUITO ENDIVIDADO. PEÇO A VOSSA MAGESTADE AVENDO RESPEITO AO HOMEM QUE MAIS TEMPO HÁ QUE SERVE  E TER IDO SETE VEZES A ÁFRICA E A TER GASTADO TANTO E A DEVER MUITO LHE FAÇA MERCÊ DE UMA DAS MAIORES COMENDAS DAS ORDENS POIS SE CONCEDERÃO PELOS SERVIÇÕS DE ÁFRICA E LHE FARÇA MERCE DE DOZE MIL CRUZADOS PARA PAGAR SUAS DÍVIDAS E SE LHE RESTAURAR DE LHE SER SAQAUEADA TODA SUA FAZENDA ASSIM NAS CASAS DE LISBOA COMO NA QUINTA ONDE ESTAVA E LHE DÊ QUATORZE MAIS QUE VAGARÃO POR SEU PAI E POR SUA MORTE DUZENTOS MIL PARA SUA MULHER. 22 DE JULHO DE 1581
  • RAINHA DONA MARIA I  (1734-1816)  A PIEDOSA TAMBÉM CONHECIDA COMO A LOUCA  RAINHA DE PORTUGAL E DOS ALGARVES E RAINHA DO REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVES  EXCERTOS DO TEXTO: HEY POR BEM E MANDO QUE NO LIVRO DA MATRÍCULA DOS MORADORES DE MINHA CASA SE REGISTRE O ALVARA NA OUTRA MEIA FOLHA DESSA ESCRITO SEM EMBARGO DE SER PASSADO O TEMPO EM QUE SE DEVIA REGISTRAR COM A  EMENDA DA MORADIA DE MIL E SEISCENTOS RÉIS QUE SE ACEITE A DECLARAÇÃO PORQUANTO A DEVE TER DE MIL RÉIS E NÃO COMO PORN ENGANO LHE FOI DECLARADA NO CORPO DO DITO ALVARA PONDO-SE AS VERBAS DE EMENDAS NOS REGISTROS ONDE SE ACHA REGISTRADP. LISBOA DEZ DE MAIO DE MIL SETECENTOS E OITENTA E QUADRO. ASSINA A RAINHA. NO VERSO RUBRICA DO VISCONDE DE VILLA NOVA DE CERVEIRA. NOTA: Maria I (nome completo: Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança; Lisboa, 17 de dezembro de 1734  Rio de Janeiro, 20 de março de 1816), chamada "a Piedosa" e "a Louca", foi Rainha de Portugal e Algarves de 1777 até 1815, e também Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 1815 a 1816. De 1792 até sua morte, seu filho mais novo João atuou como regente do reino em seu nome devido à doença mental da rainha. Era a filha mais velha do rei José I e sua esposa, a infanta Mariana Vitória da Espanha. Sendo considerada a primeira rainha reinante de Portugal e Algarves1 (apesar da existência da condessa Teresa de Leão). Quando o seu pai subiu ao trono em 1750 como D. José I, D. Maria tornou-se sua herdeira presuntiva e recebeu os títulos tradicionais de Princesa do Brasil e Duquesa de Bragança. A continuidade dinástica da Casa de Bragança ficou assegurada com o seu casamento com o tio Pedro de Bragança, que subiria ao trono como Pedro III de Portugal. O casamento foi realizado na Real Barraca da Ajuda a 6 de junho de 1760. Anteriormente, pensara-se em casá-la com o seu tio, o Infante Luís de Espanha, e com José II, Imperador do Sacro Império Romano.   Seu primeiro ato como rainha, iniciando um período que ficou conhecido como a Viradeira, foi a demissão e exílio da corte do marquês de Pombal, a quem nunca perdoara a forma brutal como tratou a família Távora durante o Processo dos Távoras. Rainha amante da paz, dedicada a obras sociais, concedeu asilo a numerosos aristocratas franceses fugidos ao Terror da Revolução Francesa (1789-1799). Era, no entanto, dada a melancolia e fervor religioso de natureza tão impressionável que quando ladrões entraram em uma igreja e espalharam hóstias pelo chão, decretou nove dias de luto, adiou os negócios públicos e acompanhou a pé, com uma vela, a procissão de penitência que percorreu Lisboa.O seu reinado foi de grande atividade legislativa, comercial e diplomática, na qual se pode destacar o tratado de comércio que assinou com a Prússia em 1789. Desenvolveu a cultura e as ciências, com o envio de missões científicas a Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique, e a fundação de várias instituições, entre elas a Academia Real das Ciências de Lisboa e a Real Biblioteca Pública da Corte. No âmbito da assistência, fundou a Casa Pia de Lisboa. Fundou ainda a Academia Real de Marinha para formação de oficiais da Armada.A 5 de janeiro de 1785 promulgou um alvará impondo pesadas restrições à atividade industrial no Brasil; como por exemplo proibia a fabricação de tecidos e outros produtos. Durante seu reinado ocorreu o processo, condenação e execução do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Mentalmente instável, desde 10 de fevereiro de 1792 foi obrigada a aceitar que o filho tomasse conta dos assuntos de Estado. Obcecada com as penas eternas que o pai estaria sofrendo no inferno, por ter permitido a Pombal perseguir os jesuítas, o via como "um monte de carvão calcinado".Para tratá-la veio de Londres o Dr. Willis, psiquiatra e médico real de Jorge III (enlouquecido em 1788) mas de nada adiantaram seus "remédios evacuantes". Em 1799, sua instabilidade mental se agravou com os lutos pelo seu marido Pedro III (1786) e do seu filho, o príncipe herdeiro José, Duque de Bragança, Príncipe da Beira, Príncipe do Brasil (falecido em 1788, de varíola, aos 27 anos), com a marcha da Revolução Francesa, e com a execução do Rei Luís XVI de França na guilhotina. Por isso, João, seu segundo filho e herdeiro, que futuramente se tornaria João VI de Portugal, assumiu a regência. A Família Real Portuguesa transfere-se para o Brasil devido ao receio de ser deposta, à semelhança do que ocorrera nos países recentemente invadidos pelas tropas francesas: Napoleão acumula o título de rei de Itália, dando o título de rei de Nápoles ao seu irmão José Bonaparte, a quem posteriormente situou no trono da Espanha; nos Países Baixos a coroa é dada a seu irmão Luís Bonaparte (Luís I da Holanda). Em 1801, o primeiro-ministro de Espanha, Manuel Godoy apoiado por Napoleão invadiu Portugal por breves meses e, no subsequente Tratado de Badajoz, Olivença passou para a coroa de Espanha, mais tarde também ocupada pelos franceses. Portugal continuou a fazer frente à França e, ao recusar-se a cumprir o bloqueio naval às Ilhas Britânicas, foi iniciada a Primeira invasão francesa de Portugal, pela coligação franco-espanhola liderada pelo Marechal Junot. A família real transfere-se para o Brasil a 29 de Novembro de 1807 deixando Portugal a mercê do invasor. Junot invade Lisboa sendo nomeado governador de Portugal. A 1 de Agosto de 1808, o Duque de Wellington desembarca em Portugal e tem início a Guerra Peninsular. Entre 1809 e 1810, o exército luso-britânico lutou contra as forças invasoras de Napoleão, nomeadamente na Batalha do Buçaco. Quando Napoleão foi derrotado em 1815, Maria e a família real encontravam-se ainda no Brasil. Dos membros da realeza, porém, foi a que se manteve mais calma, chegando a declarar: Não corram tanto, vão pensar que estamos a fugir. Ao chegar ao Rio de Janeiro, a Rainha fora instalada no Convento do Carmo, ao lado do então Paço dos Vice-Reis - que foi convertido a Paço Real. Para facilitar o contato com a soberana, foi construído um passadiço ligando o Paço ao Convento. No Rio de Janeiro, a Rainha passeava de carruagem todas as tardes, e chegou a passar algumas temporadas em uma casa no atual bairro de Laranjeiras, próximo a uma bica, no Cosme Velho, cujas águas tinham fama de curar doenças. A Princesa do Brasil, Dona Carlota Joaquina, frequentava a bica, e por vezes levava a sogra, acompanhada de suas damas de companhia, daí se originando a expressão popular Maria vai com as outras.Bica da Rainha, no Cosme Velho. Acordando todos os dias por volta das oito horas, Sua Majestade fazia o desjejum e se sentava em um canapé, aguardando pela visita de seus familiares. O Príncipe Regente se ajoelhava para beijar a mão de sua mãe, seguido da Princesa do Brasil; em seguida, punham-se a conversar, e, quando a sós, o Príncipe Regente se aconselhava com a Soberana acerca dos assuntos de Estado. Depois, as netas vinham cumprimentar a avó, as mais velhas conduzindo as mais novas. Quando via as meninas entrarem, Sua Majestade exclamava: Que vem aqui fazer estes cupidinhos? ou Para que trazem cá estas pequenas?. Por fim, entravam os netos, o Príncipe da Beira, Dom Pedro de Alcântara, e o Infante Dom Miguel. Quando o neto mais velho vinha lhe beijar a mão, a Rainha coçava a cabeça do menino e lhe afagava os cabelos, dizendo à dama de companhia, Dona Joana Rita de Lacerda (futura Baronesa, e depois Viscondessa, do Real Agrado): Para este há de ser a minha coroa.Era muito grande o afeto que a Soberana nutria por aquele neto, no qual, naturalmente, via, após seu filho, a continuidade de sua Dinastia, a Sereníssima Casa de Bragança, reinante em Portugal desde 1640, e que agora vinha influenciar de modo tão direto os destinos do Brasil.utra prova desse apreço particular se deu quando do casamento de dois dos seus netos, primos-irmãos, a Infanta Dona Maria Teresa de Bragança e o Infante Dom Pedro Carlos de Bourbon: a Rainha havia entregado sua caixa de joias ao Príncipe Regente, pois sentia que não precisava mais delas; mas, ao ficar sabendo que, como presente de casamento do pai, a Infanta Dona Maria Teresa havia escolhido uma das melhores peças, Sua Majestade exclamou, exasperada: E o que darão à mulher do Pedro quando ele se casar?.D. Maria viveu no Brasil por oito anos, sempre em estado de incapacitação. Ela morreu no Convento do Carmo, na cidade do Rio de Janeiro, em 20 de março de 1816, aos 81 anos de idade. Após as cerimónias fúnebres, seu corpo foi sepultado no Convento da Ajuda. Também no Rio, foi composto um réquiem em sua homenagem, pelo grande compositor carioca Padre José Maurício Nunes Garcia. Com sua morte, o Príncipe Regente D. João foi aclamado Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Em 1821, após o retorno da Família Real para Portugal, seus restos mortais foram transladados para Lisboa e sepultados em um mausoléu na Basílica da Estrela, igreja que ela mesma mandou erguer. O Secretário dos Negócios Estrangeiros, Luís Pinto, escreveu uma carta ao embaixador português em Londres, relatando na época alguns acontecimentos: É com grande tristeza que o informo de que Sua Majestade está a sofrer de uma aflição melancólica que degenerou em insanidade, até ao que se receia que seja o delírio total. Tendo em vista esta infeliz situação, acredito que seria benéfico que o Dr. Willis, o médico principal que assistiu a Sua Majestade Britânica em circunstâncias similares, viesse a esta corte logo que possível. Proporcionar-lhe-emos todo o dinheiro necessário, sem limitações. Concordaremos com tudo o que proponha, se tiver de celebrar um contrato com ele, e deixará a remuneração à discrição generosa desta corte . A rainha teve sempre um temperamento melancólico e sujeito a aflições nervosas. A sua disposição é de grande submissão e tem uma certa timidez, a sua imaginação é viva e os seus hábitos inclinam-se para a espiritualidade. Desde há muitos anos que tem vindo a sofrer de dores de estômago e de espasmos no abdômen, com tendência a piorarem devido à aversão que tem a remédios purgativos, especialmente clísteres que nunca consentia.
  • RAINHA DONA MARIA ANNA VICTORIA  (1718-1781) - CONSORTE DE DOM JOSÉ I DE PORTUGAL E REGENTE DO REINO NA OCASIÃO DESSA CARTA  CARTA DIRIGIDA AO REI LOUIS XV DA FRANÇA APRESENTANDO O EMBAIXADOR PORTUGUÊS DESIGNADO PARA A CORTE FRANCESA DOM DANTONIO DE SALDANHA DA GAMA, PRINCIPAL DA SANTA IGREJA PATRIARCHAL DE LISBOA. SELADA COM SELO DE SIGILO EM CERA VERMELHA E DATADA DE 13 DE SETEMBRO DE 1756. EXCERTOS DO TEXTO: MUITO ALTO MUITO PODEROSO E CHRISTIANISSIMO PRINCIPE MEU BOM IRMÃO E PRIMO. HAVENDO ORDENADO EL REY QUE PARTA PARA ESSA CORTE D. ANTONIO DE SALDANHA DA GAMA, PRINICPAL DESTA SANTA IGREJA PATRIARCHAL DE LISBOA COM O CARATER DE SEU EMBAIXADOR: DEVENDO EUAPROVEITAR TODAS AS OCASIÕES QUE SE OFFERECEM DE REITERAR A VOSSA MAGESTADE AS EXPRESSÕES DE ESTIMAÇÃO QUE FAÇO DE SUA REAL PESSOA.ENCARREGO O DITO EMBAIXADOR DE POR ESTA CARTA NAS  REAIS MÃOS DE VOSSA MAGESTADE SIGNIFICANDO COM ELA DE VIVA VOZ TODA ATENÇÃO DESSE MEUS AFETUOSOS SENTIMENTOS E DOS GRANDES DESEJOS QUE TENHO DE COMPRAZER A VOSSA MAGESTADE MUITO ALTO MUITO PODEROSO E CHRISTIANISSIMO PRINCIPE MEU BOM IRMÃO E PRIMO. NOSSO SENHOR HAJA A REAL PESSOA CARA A TODOS OS ESTADOS DE VOSSA MAGESTADE EM SUA SANTA GUARDA. ESCRITA EM BELEM EM 13 DE SETEMBRO DE 1756. BOA IRMA E PRIMA DE VOSSA MAGESTADE ASSINA MARIA ANNA VICTORIA. APENAS 11 MESES APÓS O GRANDE TERREMOTO QUE DESTRUIU A CIDADE DE LISBOA E MATOU SEGUNDO ALGUMAS ESTIMATIVAS 50.000 PESSOAS, DONA MARIA ANNA VICTORIA RAINHA DE PORTUGAL ESCREVE DA REAL BARRACA,  INSTALAÇÕES ONDE SE ACOMODOU A FAMÍLIA REAL EM BELEM APÓS A DESTRUIÇÃO DE SEUS PALÁCIOS AO REI LOUIS XV APRESENTANTO O NOVO EMBAIXADOR PORTUGUÊS. SERIA UM FATO CORRIQUEIRO NÃO FORA A RELAÇÃO ENTRE OS DOIS MONARCAS, DONA MARIA ANNA FOI NOIVA DE LOUIS XV E MUITO CRIANÇA COM SEIS ANOS DE IDADE FOI LEVADA Á FRANÇA ONDE PASSOU A SER CONHECIDA COMO A RAINHA PRINCESA INSTALADA NO PALÁCIO DO LOUVRE. TODAVIA EM 1725 O COMPROMISSO COM A INFANTA ESPANHOLA FOI QUEBRADO E AOS SETE ANOS REGRESSOU A ESPANHA. O MOTIVO FOI O MEDO DE QUE O PAI DE DONA MARIA ANNA VICTORIA, O REI DE ESPANHA, DOM FILIPE V. QUE HAVIA ABDICADO AO TRONO DA ESPANHA EM FAVOR DE SEU FILHO LUIS, PODERIA TER INTERESSE EM ASSUMIR A COROA DA FRANÇA (O FANTASMA DA ANEXAÇÃO DE PORTUGAL RONDOU O TRONO DFRANCÊS) CASO LUIZ X QUE TINHA APENAS 14 ANOS NA ÉPOCA MORRESE SEM DESCENDENTES CONSIDENRADO QUE A  PRINCESA MARIA ANNA A ELE DESTINADA EM MATRIMONIO ERA  AINDA UMA CRIANÇA COM SETE ANOS. A PRINCESA FOI DEVOLVIDA E UM NOVO ARRANJO DE CASAMENTO FOI FEITO COM O PRÍNCIPE DO BRASIL, FUTURO DOM JOSÉ I DE PORTUGAL. ENTRETANTO A FUTURA RAINHA DE PORTUGAL NUNCA PERDOOU A FRANÇA PELA OFENSA  PELO CONTRÁRIO TINHA ENORME MÁGOA CONTRA O PAÍS  COM UMA AVERSÃO PRODIGIOSA E ÓDIO INVENCÍVEL PELA NAÇÃO FRANCESA. ANOS MAIS TARDE QUANDO SUA FILHA MARIA ANA FRANCISCA DE BRAGANÇA FOI CONSIDERADA UMA POTENCIAL NOIVA PARA LUÍS, DELFIM DA FRANÇA, FILHO E HERDEIRO DE LUÍS XV, MARIANA VITÓRIA SE OPÔS VEEMENTE A TAL UNIÃO,18 BEM COMO UMA UNIÃO ENTRE SUA OUTRA FILHA, MARIA DOROTEIA DE BRAGANÇA, COM LUÍS FILIPE II, DUQUE DE ORLEÃES, PRIMO DO REI LUÍS XV.
  • DONA MARIA ANA DA AUSTRIA (1683-1754) RAINHA CONSORTE DE PORTUGAL E NESSA OCASIÃO EM QUE ESCREVE A CARTA ERA REGENTE DO REINO EM NOME DE DOM JOÃO V O REI SOL PORTUGUÊS. DONA MARIA ANA FOI QUEM RECEBEU A HOMENAGEM DE TER SEU NOME DADO A  CAPITAL DA CAPITANIA DE MINAS GERAIS NO BRASIL (MARIANA A PRIMAZ) CARTA DA RAINHA DONA MARIA ANA AO PRÍNCIPE DE SANTA CRUZ ESCRITA EM 1. DE MARÇO DE 1746. COM SELO SECO COM AS ARMAS REAIS DE PORTUGAL. EXCERTOS DO TEXTO: EXCELENTISSIMO PRINCIPE DE SANTA CRUZ PRIMO. EU A RYNHA VOS ENVIO MUITO SAUDAR COM AQUELLE QUE MUITO PREZO. FORAO PARA MIM DE GRANDE SATISFAÇÃO AS EXPRESSÕES COM QUE ME ANNUNCIASTES FELIZES FESTAS NA OCCASIÃO DO PRÓXIMO NATAL. EM RECONHECIMENTOS DESSES VOTOS, DESEJO QUE VOS ASSISTAM MUITAS PROSPERIDADES, E ESPERO NÃO DUVIDEIS DA BOA VONTADE COM QUE CONTRUREI PARA O QUE SE OFFERECER DE VOSSA VANTAGEM. ESCRITA EM LISBOA AO 1. DE MARÇO DE 1746. ASSINA  RAYNHA. NOTA: Maria Ana Josefa de Áustria (Linz, 7 de setembro de 1683 - Lisboa, 14 de agosto de 1754) era filha do imperador Leopoldo I, e da sua terceira mulher, a condessa Leonor Madalena. Era irmã dos imperadores José I e Carlos VI, também pretendente ao trono espanhol, e meia-irmã de Maria Antônia de Áustria, eleitora da Baviera, entre outros. Foi rainha consorte de Portugal de 1708 a 1750, enquanto mulher do Rei D. João V de Portugal. Três dos seus filhos sentaram-se no trono: D. José, Rei de Portugal, D. Pedro, Rei-Consorte de Portugal pelo seu casamento com a sua sobrinha, e D. Maria Bárbara, Rainha de Espanha pelo casamento.Muito culta, conhecia e falava alemão, francês, italiano, espanhol, latim e português, além de perceber inglês.O casamento com D. João V foi negociado em 1708. Os dois noivos eram primos diretos, por serem irmãs a rainha D. Maria Sofia de Portugal e a imperatriz Leonor Madalena, respectivas mães de Sua Majestade o Rei de Portugal e da Sereníssima Arquiduquesa da Áustria.Inaugurando o estilo faustoso da diplomacia de D. João V, Portugal procurava com o casamento uma aproximação aos outros membros da Grande Aliança. D. João V enviou uma luxuosa embaixada à capital imperial, chefiada pelo Conde de Vilar Maior, Fernão Teles da Silva, que chegou a Viena a 21 de fevereiro desse mesmo ano.A 6 de junho, dia do Corpo de Deus, fez-se a entrada pública da embaixada portuguesa para o pedido da arquiduquesa. O casamento realizou-se, por procuração, a 9 de julho, na Catedral de Santo Estevão, em Viena, sendo o noivo representado pelo imperador.D. Maria Ana desembarcou finalmente em Lisboa a 27 de outubro, tendo partido dos Países Baixos e depois de Portsmouth, acompanhada por uma armada de 18 naus. A rainha foi trazida à Corte em sete magníficos coches, quando o protocolo só pedia três. Nos dias 15, 17 e 21, comemorou-se o casamento com grandes festejos públicos no Terreiro do Paço, onde se montou uma praça de touros e uma imitação do vulcão Etna em erupção. O casal real fez a sua entrada solene em Lisboa no dia 22.Apesar do casamento, D. João V continuou ininterruptamente a sucessão de aventuras amorosas. A Arquiduquesa, mais velha do que o Rei seis anos, não conseguiu prender o marido, apesar do casamento ter sido inicialmente feliz, a arquiduquesa depressa percebeu que a corte portuguesa prezava mais a beleza e o luxo do que as virtudes do conhecimento, tão populares em Viena.A nova rainha resignou-se rapidamente ao abandono que D. João V a votava. Muito devota, entregava-se muitas vezes a práticas piedosas, fundando conventos e igrejas, ajudando os pobre e dedicando-se a alimentação dos orfãos das principais cidades do Império Português. Interessava-se por coisas do mar, passeava ao longo do rio Tejo com a Família Real e a Corte, onde assistia frequentemente a festas e serenatas no rio e lançamentos de navios no mar.Apaixonada por música, a Rainha assistia sempre aos concertos e aos serões de ópera que havia na Corte do Paço da Ribeira, chegando mesmo a participar neles, ao cantar pequenas árias, que dedicava aos filhos.A rainha D. Maria Ana foi regente por duas vezes. A primeira foi em 1716, quando D. João V se afastou da capital. Retirado em Vila Viçosa, foi convalescer de uma doença séria mal esclarecida que apareceu depois de uma profunda crise de melancolia que atacou o Rei.Foi durante esta regência que o infante D. Francisco Xavier se aproximou da Rainha e tentou repetir os atos que o seu pai, o Rei D. Pedro II, tinha feito com o irmão D. Afonso VI. O Duque de Beja fazia uma corte descarada à Rainha, que, honestissíma, o repeliu.A sua segunda Regência ocorreu no fim do reinado do marido, a partir de 1742, quando D. João V já estava completamente dominado pela doença que o matou. Esta regência teve uma influência enorme no reinado seguinte, aos níveis políticos, económicos e religiosos, e foi D. Maria Ana que aproximou Sebastião José de Carvalho e Melo das esferas do poder. No Conselho da Regente, Sebastião José era estimado e, para além disso, o futuro Marquês de Pombal era casado com a filha do marechal de Daun, da mais alta aristocracia austríaca.A rainha-mãe morreu no Palácio de Belém, a 14 de agosto de 1754. D. Maria Ana foi enterrada no Mosteiro de S. João Nepomuceno, dos Carmelitas Descalços Alemães, por ela fundado. De acordo com o testamento, o coração foi levado para Viena e guardado lá na cripta imperial. Mais tarde, em 1780, por vontade da rainha D. Maria I, sua neta, os seus restos mortais foram trasladados para um novo mausoléu. Em 1855, sendo D. Fernando II regente na menoridade de D. Pedro V, foi preparado novo depósito régia, desta feita em S. Vicente de Fora. Em consequência disso, os despojos de D. Maria Ana de Áustria seguiram para o referido templo, para junto do seu marido. Atualmente, o túmulo de D. Maria Ana de Áustria encontra-se no Museu Arqueológico do Carmo, estabelecido nas ruínas da Igreja do Carmo, em Lisboa. D. Maria Ana de Áustria teve seis filhos do seu casamento com D. João V, dos quais três se sentaram nos tronos de Portugal e Espanha:D. Maria Bárbara (1711-1758), Rainha de Espanha pelo seu casamento com o rei Fernando VI;D. Pedro, Príncipe do Brasil (1712-1714);D. José I, Rei de Portugal (1714-1777);D. Carlos, Infante de Portugal (1716-1730);D. Pedro III, Rei consorte de Portugal (1717-1786);D. Alexandre, Infante de Portugal (1723-1728).
  • D ANNA LUISA FRÍSIA DE PORTUGAL (1605-1669 PRINCESA DE PORTUGAL FILHA DO PRINCIPE DOM MANUEL E NETA DE DOM ANTONIO I  REI DE PORTUGAL E  PRIOR DE CRATO. CARTA DIRIGIDA AO  ELEITOR PALATINO  FILIPE GUILHERME DE NEUBURGO (1615-1690)  EM 1 DE JANEIRO DE 1664.  NO TEXTO ESCRITO EM FRANCÊS NA CIDADE DE HAIA A PRINCESA FORMULA VOTOS SERENISSIMO SENHOR E VOSSA ALTEZA ELEITORAL  DE UM FELIZ ANO NOVO E FESTA DE REIS. RENDE MUITAS HOMENAGENS, PROTESTA SUA AFEIÇÃO E AGRADECE AO ELEITOR PALATINO, SEU PRIMO, EM SEU NOME E NO DE SEUS FILHOS E FINALMENTE AGRADECE A PROTEÇÃO QUE O ELEITOR DISPENSOU A SEU IRMÃO POR TE-LO COMO  PROTEGIDO (D. MANUEL ANTONIO DE PORTUGAL (1600-1666) . ASSINA COMO PRINCESA DE PORTUGAL. NOTA: D. ANNA LUISA FRÍSIA DE PORTUGAL era neta de DOM ANOTNIO I, PRIOR DO CRATO, que reinou por um único mês em Portugal sendo derrotadona Batalha de Alcantara contra Filipe II da Espanha  que reivindicou o trono de Portugal . Começou aí o período da dinastia Filipina em que Portugal passou a ser um reino governado pelos Reis da Espanha. Assim se deram os fatos: Dom Antonio foi o último rei da Dinastia de Aviz.  Depois da morte do cardeal-rei D. Henrique e com o retorno da sua família a Portugal, e ainda, com a aclamação do seu pai como rei de Portugal a 24 de Julho de 1580 em Santarém, Manuel passou a ostentar o título de Príncipe herdeiro de Portugal. Mas o reinado do seu pai seria curto e atribulado porque no dia 25 de Agosto do mesmo ano, o seu pai perde o trono na Batalha de Alcântara para Filipe II de Espanha. Depois da derrota das tropas do seu pai, e para evitarem serem aprisionados, D. António e D. Manuel fogem para Coimbra, onde recrutam 6 mil homens para enfrentar outra vez as tropas espanholas, mas seriam outra vez derrotados. Sem opções, D. Manuel e o seu pai passam alguns dias escondidos entre mosteiros e casas de amigos, mas são obrigados a fugir com o resto da família para França. Mas antes, D. António dirige-se a Inglaterra para pedir auxilio à rainha Isabel I da Inglaterra, que aceitou, mas a armada inglesa nem chegou a Portugal, devido à peste que atacou os soldados ingleses. Mas D. António continuou a ser aclamado rei até 1583, nos Açores, até as tropas espanholas conseguiram entrar no território açoriano. Depois do exílio da família em França, D. Manuel segue para a Holanda para casar com Emília de Nassau, na altura como Príncesa de Orange, e casaram-se a 17 de novembro de 1597, em Haia, e tiveram oito filhos, mas Emília viria a falecer em 1629. Mas D. Manuel não tardou muito em voltar a casar, casando pela segunda vez em 3 de abril de 1630 com Luísa Osório. Manuel morre em Bruxelas, em 1638, com 70 anos. Curiosamente Dona Emilia era irmã do Príncipe Maurício de Nassau que invadiu com os Holandeses a Capitania de Pernambuco no Brasil . Desse enlace nasceram oito filhos dentre os quais a Princesa Anna Luisa Frísia de Portugal, autora dessa carta.
  • DOM CARLOS II (1661-1700)  RARO E BELO  DOCUMENTO EM PERGAMINHO  EM QUE O MONARCA ESPANHOL   SE APRESENTA COMO REI DE PORTUGAL LOGO APÓS AS INCONTESTÁVEIS DERROTAS SOFRIDAS EM BATALHA PELOS ESPANHOIS NA RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL. A CARTA É ASSINADA POR SUA MÃE A REGENTE DONA MARIANA DAUSTRIA (1634-1696) VIÚVA DE PHILIPPE IV. CARTA DE OUTORGA AO FIDALGO PORTUGUES AGOSTINHO DE LENCASTRE (1639-1720) 3. DUQUE DE ABRANTES COMO COMENDADOR MOR DA ORDEM DE SANTIAGO. EXCERTOS DO TEXTO: DOM CARLOS POR GRAÇA DE DEOS REY DE PORTUGAL E DOS ALGARVES DE AQUEM E ALEM MAR EM AFRICA SENHOR DE GUINÉ E DA CONQUISTA, NAVEGAÇÃO E COMÉRCIO DA ETHIOPIA, ARÁBIA, PÉRSIA E DA ÍNDIA. COMO GOVERNADOR E PERPÉTUO ADMINISTRADOR DO MESTRADO DA CAVVALERIA E ORDEM DE SANTIAGO DA ESPADA COM A RAYNHA DONA MARIANA  DAUSTRIA SUA MÃE COMO SUA TUTORA E CURADORA E GOVERNADORA DE SEUS REINOS E SENHORIOS FAÇO SABER AOS QUE ESSA MINHA CARTA VIREM QUE EL REY MEU SENHOR QUE SANTA GLÓRIA HAJA  QUE TENDO RESPEITO AOS SERVIÇOS E MUITOS MERECIMENTOS DE DOM AFFONSO DE ALENCASTRO QUE DEOS PERDOE QUE FOI DUQUE DE ABRANTES E COMENDADOR MÓR DA DITA ORDEM DE SANTIAGO POR QUATRO VIDAS MAIS DO QUE A QUE SE PASSOU , ALVARÁ AO DUQUE DE ABRANTES DOM AGOSTINHO DE ALENCASTRE SEU FILHO E SUCESSOR MEU MUITO PREZADO SOBRINHO CAVALEIRO PROFESSO DA ORDEM DE SANTIAGO PORQUE AGORA POR PARTE DO DITO DUQUE DE ABRANTES DOM AGOSTINHO DE ALENCASTRE ME FOI PEDIDO LHE MANDAR PASSAR DESPACHO EM FORMA DA DITA MERCÊ EU A FIZ POR BEM E POR ESSA MINHA CARTA LHE FAÇO MERCE DA DITA DIGNIDADE DE COMENDADOR MOR DA ORDEM DE SANTIAGO HEY PROMETIDO DE POSSE DELA PARA QUE A TENHA GOZE E EXERÇA COM TODAS AS PRERROGATIVAS GRAÇAS E EMOLUMENTOS COM QUE ATÉ ENTÃO GOZAVAM TODOS OS COMENDADORES MORES SEUS ANTERIORES ESPECIALMENTE COMO SEU PAI O DUQUE DE ABRANTES. PELO QUE MANDO AO REVENDO PRIOR DE PALMELA E A TODOS OS COMENDADORES CAVALEIROS CONHECERÃO AO DUQUE DOM AGOSTINHO DE ALENCASTRE POR COMENDADOR  MOR DELA E O RESPEITEM  EM TUDO O QUE CONFORME AOS ESTATUTOS E OFFICOS DA MESMA ORDEM O DEVEM RESPETAR E OBEDECER. O DITO DUQUE SE OBRIGOU POR ESCRITO SEU A PAGAR TANTO QUE FOR RESTAURADO PORTUGAL TUDO QUE POR RAZÃO DESSA MERCÊ FOR OBRIGADO A PAGAR A ORDEM E A MIM...DADA EM MADRID ANO DO NASCIMENTO DE NOSSO SENHOR DE 1668 EM 26 DE FEVEREIRO.ASSINA DONA MARIANA DA ÁUSTRIA REGENTENOTA: Alemcastre, Alfonso de. Duque de Abrantes (I). ?, fs xvi-ps xvii  Madrid, 1659. Fidalgo português, chefe dos exilados portugueses em Madrid depois de 1640.Aquele que foi chamado para desempenhar um dos papéis mais proeminentes  e menos conhecidos  na corte de Filipe IV nasceu filho da mais antiga aristocracia portuguesa. Seu pai era Álvaro de Alemcastre (ou Lencastre, ou Lencastro, conforme a grafia em uso), III Duque de Aveiro, e sua mãe Juliana de Alemcastre, sobrinha do primeiro. Filha única de Jorge de Alemcastre, II Duque de Aveiro e II Marquês de Torres Novas, o seu tio Álvaro intentou uma ação judicial para a sucessão do título ducal de Aveiro - o único existente em Portugal além do de Bragança -, questão que Felipe II resolveu instando o casamento entre ambas as partes como meio de reconciliação.Isto ocorreu em 1598, e da união dos dois Alemcastres nasceram dezasseis filhos, dos quais vale destacar o primogénito, Jorge de Alemcastre, e o seu irmão seguinte, Alfonso de Alemcastre. Jorge de Alemcastre, sendo herdeiro, casou-se com Ana María de Cárdenas Manrique, de quem nasceu Raimundo de Alemcastre. Dado que Jorge de Alemcastre morreu sem se tornar o 4.º Duque de Aveiro, o título passaria para o seu filho Raimundo quando falecesse a sua avó viúva, Juliana de Alemcastre, 3.ª Duquesa de Aveiro.Isso aconteceu em 1636. Foi então que o tio de Raimundo, Alfonso de Alemcastre, reivindicou o título na Justiça, repetindo assim a história de seus pais, Álvaro e Juliana de Alemcastre.Mas desta vez a sentença, tornada pública em 18 de setembro de 1637, foi inteiramente favorável ao sobrinho, pelo que Afonso não atingiu o seu objetivo.O tempo mostraria o significado deste evento, seguido em Madrid e Lisboa com a paixão que se esperava.A verdade é que quando Alfonso de Alemcastre reivindicou a sucessão do Estado e Casa de Aveiro já tinha obtido um lugar de destaque na ordem social. Por seu casamento com Ana de Sande y Padilla, senhora da rainha Isabel de Borbón, Filipe IV fez dele marquês de Porto Seguro, no Brasil, em 18 de abril de 1627. Por ser também herdeira de Álvaro de Sande, III Marquês de La Pionera e I Marquês de Valdefuentes - título concedido por Filipe III em 1616 - e da Condessa de Mejorada, foram-lhe os títulos dos seus sogros. Estava, portanto, em situação adequada para tentar desenvolver uma carreira política que, no entanto, só alcançaria destaque após a separação de Portugal em 1640.No entanto, antes desta data o Marquês de Porto Seguro (título pelo qual era conhecido) ocupava o cargo de vereador da Casa da Suplicação, o tribunal superior de Lisboa. A sua posterior passagem pelo Conselho de Estado de Portugal - órgão consultivo que auxiliava os governadores ou, na sua falta, os vice-reis do reino - foi quase forçada pela sua linhagem espólio e, em comparação com outros vereadores, o seu papel foi discreto. Seja como for, no início dos conturbados anos de 1630 manteve-se à margem da facção que se formou em Lisboa contra a política reformista do Conde, Duque de Olivares ou, pelo menos, foi o que pensava o secretário em 1634. Diogo Soares. Sabe-se que em 1638 Filipe IV incluiu o marquês entre os nobres que a partir de Lisboa deviam enviar a sua opinião sobre a nova forma de governo que deveria ser implementada em Portugal depois dos graves motins anti-impostos que tomaram conta do sul do país entre o verão de 1637 e o inverno de 1638. Por esta altura Porto Seguro já deve ter simpatizado com os olivicultores Diogo Soares e Francisco Leitão (seus detratores o acusariam disso alguns anos depois) ou, pelo menos, não deve têm sido incômodos para eles. Pouco depois instalar-se-ia em Madrid (talvez devido à sua entrada no Conselho de Guerra) seguindo a trajectória habitual da aristocracia portuguesa com aspirações de prosperidade. Aqui você ficaria surpreso com a aclamação do Duque de Bragança como rei de Portugal.Esta mudança abrupta deu uma guinada inesperada na carreira do marquês. Como tantos portugueses, Alemcastre viu na Restauração uma oportunidade extraordinária para transformar a sua lealdade a Filipe IV numa fonte de favores capaz de colocar a sua família numa posição privilegiada que, em circunstâncias normais, teria perdurado por várias gerações. A necessidade que a Coroa teve de se desfazer destes portugueses, que logo se apresentaram como exilados, fez o resto. Nas primeiras reuniões portuguesas que Olivares organizou em Madrid em 1641 para preparar a reintegração supostamente imediata de Portugal, o Marquês de Porto Seguro já apareceu em três delas: na Reunião Ordinária de Portugal, numa outra de Portugal propriamente dita e na da Inteligência, cujas tarefas eram os assuntos gerais do reino a um nível inferior, as colónias portuguesas e a informação secreta do reino, respetivamente.Dos oito conselhos formados, a Porto Seguro não esteve apenas em três deles, mas sobretudo no mais importante, o de Inteligência. Este foi provavelmente o primeiro sinal da promoção que o esperava sob a proteção da sua lealdade austríaca. A segunda ocorreu em 3 de março de 1642 e consistiu na outorga do título de senhor e duque de Abrantes, lugar em Portugal, em três vidas e com setecentos e cinquenta mil reais de povoação, com jurisdição sobre a vila do mesmo nome. Houve vários motivos para a Coroa tomar esta ação. Por um lado, a consolidação da lealdade de um Alemcastre e a necessidade de ter um novo duque depois do que aconteceu com o de Bragança e Caminha  este último condenado à morte em Lisboa em 1641 por conspirar a favor de Filipe IV . Por outro lado, a memória do acórdão de 1637 que frustrou a aspiração do Marquês de Porto Seguro ao ducado de Aveiro deve ter estado na mente de todos, agora satisfeita. Além disso, o seu novo estatuto contribuiu para atenuar o confisco dos bens e rendimentos da Ordem de Santiago de que gozava em Portugal, decretado por D. João IV em 31 de dezembro de 1642. Em todo o caso, dado que o atual Duque de Aveiro, seu sobrinho , era uma criança que permaneceu em Portugal com a mãe, o novo duque português ascendeu como titular máximo desta categoria nobre com atividade política. Isto não se limitou à participação nas referidas reuniões.As duas ou três grandes figuras que o poderiam ofuscar, Francisco de Melo, Conde de Asumar, Manuel de Moura, II Marquês de Castelo Rodrigo, e Carlos de Borja y Aragón, VII Duque de Villahermosa, estiveram ocupados em diversas contingências.Os dois primeiros foram atribuídos ao governo dos Países Baixos entre 1641-1644 e 1644-1647, respectivamente, enquanto o terceiro morreu no último ano. Precisamente o novo destino de Melo na Catalunha em 1645 levou Abrantes a fazer parte da Junta de Portugal por excelência, ou seja, herdeira daquela instituída em 1639 após a supressão do Conselho de Portugal e que esteve sempre acima da criada em 1641 ( quase todos eles, por sua vez, foram dissolvidos em poucos anos). Há indícios de que Abrantes passou a dominar a gestão dos principais assuntos portugueses a partir daqui entre 1647 e até à sua morte. Na verdade, a eleição de Abrantes para esta Junta suscitou uma dura reclamação de um dos seus rivais, Jerónimo de Ataíde, Marquês de Colares, que considerava o duque menos sénior que ele para se juntar a ela. Na realidade, o protesto foi uma continuação das lutas faccionais do Portugal de Olivares, na medida em que Abrantes foi assimilado às criaturas do conde-duque que depois de 1640 procurou prejudicar os seus adversários de longa data, entre eles os Ataides.Estes foram, sem dúvida, os seus anos de poder máximo, exercido para defender as posições mais rígidas relativamente a Portugal. Recusou sempre qualquer tipo de negociação ou acordo com o regime de Bragança, que passou a considerar mais execrável do que aquele que surgira da rebelião dos holandeses, "porque não entregaram a coroa a um vassalo de Vossa Majestade". como fizeram em Portugal. Ele também rejeitou a oferta feita em 1647 pelos colonos do Rio de Janeiro e de São Paulo para aceitarem mais uma vez a soberania de Filipe IV em troca de concessões em questões econômicas e governamentais.Pode acreditar-se que esta inflexibilidade foi consequência do objectivo prosseguido por boa parte da nobreza portuguesa exilada em Madrid: recuperar as suas propriedades e rendimentos e também preparar o assalto definitivo às estruturas políticas de Portugal quando este se reintegrasse na Monarquia , uma operação que envolveria a eliminação dos grupos de apoio aos Braganças e mesmo daqueles que se mantiveram neutros. Do seu casamento com a citada Ana de Sande, Abrantes teve dois filhos, Agostinho de Alemcastre e Sande, seu herdeiro, e María de Alemcastre. Ambos casaram, respectivamente, com Joana de Noronha, filha do Conde de Linhares, também português, e com Pedro de Leiva y de la Cerda, III Conde de Baños.
  • PRINCESA DONA JOANA DE BRAGANÇA, PRIMEIRA PRINCESA DA BEIRA (1635-1653) FILHA DE DOM JOÃO IV  (1604-1656) REI DE PORTUGAL, RESTAURADOR DA INDEPENDENCIA DE PORTUGAL DA ESPANHA EFUNDADOR DA DINASTIA DE BRAGANÇA E PORTANTO FILHA DA RAINHA  DONA LUISA DE GUSMÃO. CARTA ESCRITA EM ALEMÃO PELA PRINCESA JOANA DE BRAGANÇA DATADA DE 13 DE AGOSTO DE 1649. ASSINADA POR ESTA E TAMBÉM COM SELO DA PRINCESA EM CERA VERMELHA. EXCELENTE ESTADO! 32 CM DE ALTURANOTA: Joana nasceu em Vila Viçosa a 18 de setembro de 1635. O seu pai criou-a Princesa da Beira, título posteriormente utilizado pela filha mais velha do monarca. Morreu solteira em Lisboa, aos 18 anos, a 17 de novembro de 1653. Foi sepultada primeiro no Mosteiro dos Jerónimos e depois transferida para o Mosteiro de São Vicente de Fora. D. Joana de Bragança, Princesa da Beira (Vila Viçosa, 18 de setembro de 1636 - Lisboa, 17 de novembro de 1653), foi a terceira filha do Rei João IV de Portugal e de Luísa de Gusmão.Nasceu no Paço Ducal de Vila Viçosa, na mesma vila, a 18 de setembro de 1636, sendo o seu pai, à data, ainda João II, 8.º Duque de Bragança. Foi batizada a 30 de setembro na Capela Ducal do mesmo Paço, pelo Deão António de Brito de Sousa, tendo por padrinho Frei António da Covilhã, sacerdote professo da província da Piedade (província de frades franciscanos fundada em 1517 e extinta em 1834), que ganhou fama de santidade.Em 1645, sendo na altura a filha mais velha de João IV, tornou-se a primeira Princesa da Beira, título criado por seu pai para ser atribuído à filha mais velha do monarca de Portugal, originalmente muito semelhante à francesa Madame Royale ou à Princesa Real britânica. Foi Infanta de Portugal de 1640 a 1645. António Caetano de Sousa referiu que a Princesa tinha sido dotada pela natureza de grande fermosura. Faleceu vítima de doença prolongada, no Paço da Ribeira, em Lisboa, a 17 de novembro de 1653, com apenas 17 anos, 6 meses após a morte do seu irmão Teodósio. Foi sepultada na capela-mor do Mosteiro dos Jerónimos, sendo trasladada, juntamente com os seus irmãos Teodósio, Afonso VI e Catarina, em 1855, para o Panteão da Dinastia de Bragança, onde jaz junto à sua mãe e irmã Catarina.
  • DOM AFONSO VI (1643-1683). LINDA  CARTA PATENTE EM PERGAMINHO  DO REI  DATADA  DE 4 DE SETEMBRO DE 1666, COM SELO SECO  CHANCELA DO MONARCA COM AS ARMAS DE PORTUGAL E ASSINATURA DESTE E SELLO PRIMEIRO DE 1666, NOMEANDO A JOÃO DE SANCLA COMISSÁRIO DE CAVALLARIA. JOÃO DE SANCLA FOI NO CONFLITO DA RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL HERÓI NAS BATALHAS CONTRA O EXÉRCITO ESPANHOL. EXCERTOS DO TEXTO: DOM AFFONSO PELA GRAÇA DE DEOS REY DE PORTUGAL E DOS ALGARVES DE AQUEM E ALEM MAR EM AFRICA SENHOR DA GUINÉ E DA CONQUISTA NAVEGAÇÃO E COMÉRCIO DA ETIÓPIA, ARÁBIA, PÉRSIA E DA ÍNDIA FAÇO SABER AOS QUE A ESSA MINHA CARTA PATENTE VIREM  QUE TENDO RESPEITO A QUALIDADE E AO MERECIMENTO QUE SE REUNEM NA PESSOA DE JOÃO DE SANCLA E AOS SERVIÇOS QUE ME TEM FEITO NO EXÉRCITO DE ALENTEJO DEPOIS QUE DE FRANÇA PASSOU A ESTE REINO QUE HÁ SEIS ANOS OCUPANDO OS POSTOS DE CAPITÃO DE CAVALLARIA LIGEIRA E DE COURAÇAS ACHANDO-SE COM ELAS NAS CAMPANHAS DE ARRONCHES, ALMANSA E  ÉVORA PARTICULARMENTE NA MESMA CIDADE ENQUANTO O INIMIGO USOU DE SÍTIO, DPOIS NA BATALHA DE AMEIXAL NA QUAL RECEBEU DUAS BALAS DE QUE FICOU ALEIJADO DE SUA PERNA E MELHORADO CONTINUA A ME SERVIR ATÉ O PRESENTE SEGUINDO NDO COM SUA COMPANHIA ATÉ A PRAÇA DE VALENÇA DE ALCANTARA ASSISTIR A TUDO O QUE SE OFFERECEU NO SÍTIO DELA ATÉ SE RENDER A MINHAS ARMASE FINALMENTE SE ACHAR NA BATALHA DE MONTES CLAROS   NELLA  NAS DEMAIS OCASIÕES REFERIDAS COMO EM OUTRAS MUITAS EM QUE CONCORREU COM GRANDE VALOR E SATISFAÇÃO E  POR ESPERAR DELE JOÃO DE SANCLA QUE EM TUDO O MAIS QUE O ENCARREGAR ME SIRVA MUITO A MEU CONTENTAMENTO COMO ATÉ AGORA O FEZ POR ASSIM O DEVER TAMBÉM  A CONFIANÇA E A ESTIMAÇÃO DO ZELLO COM QUE PROCEDE HEY POR BEM E ME COMPRAZ O NOMEAR COMO POR ESTA CARTA O NOMEIO PARA COMISSARIO GERAL DA CAVALARIA DO EXÉRCITO DA PROVINCIA DO ALENTEJO QUE VAGOU DE BARTOLOMEU DE BARROS CAMINHA...DADO NA CIDADE DE LISBOA EM QUATRO DE SETEMBRO DE 1666. ASSINA EL REY. 41 CM DE COMPRIMENTO.NOTA: Após o aumento da insatisfação com a Dinastia Filipina, homens da nobreza de Portugal liderados por Dr. João Pinto Ribeiro, D. Miguel de Almeida e D. Antão de Almada; planejaram um conspiração contra Filipe III de Portugal no ano de 1640. Este grupo foi responsável pela morte de Miguel de Vasconcelos, que era Secretário de Estado, e pelo aprisionamento da prima do rei Filipe III, a Duquesa de Mântua, a quem ele confiara o governo português. Outro fator que colaborou com a conspiração foi que a Espanha estava com grande parte de suas forças armadas envolvidas na Guerra dos 30 Anos, na qual tentava acabar com a revolta de Catalunha. Era o início da Guerra da Restauração.Depois de restaurada a independência, D. João IV tornou-se o novo rei português e, junto a seus apoiadores, preocupou-se em consolidar a autonomia alcançada na Guerra da Restauração. Primeiramente, D. João IV precisava de reconhecimento internacional como rei autêntico de Portugal. Dentro do reino português, esse status foi alcançado em 1641 após o juramento ante as Cortes de Lisboa. Para disseminar a ideia pelo resto do continente, o rei mandou embaixadores no intuito de angariar apoio de outras monarquias e obteve sucesso.Obviamente, esperava-se que Espanha rechaçasse a ação portuguesa com ataques militares para conseguir a plena soberania sobre o território novamente. Como o ataque da Espanha não foi imediato, D. João IV conseguiu organizar suas forças bélicas para proteger o território conquistado na Guerra da Restauração.Após o aumento da insatisfação com a Dinastia Filipina, homens da nobreza de Portugal liderados por Dr. João Pinto Ribeiro, D. Miguel de Almeida e D. Antão de Almada; planejaram um conspiração contra Filipe III de Portugal no ano de 1640. Este grupo foi responsável pela morte de Miguel de Vasconcelos, que era Secretário de Estado, e pelo aprisionamento da prima do rei Filipe III, a Duquesa de Mântua, a quem ele confiara o governo português. Outro fator que colaborou com a conspiração foi que a Espanha estava com grande parte de suas forças armadas envolvidas na Guerra dos 30 Anos, na qual tentava acabar com a revolta de Catalunha. Era o início da Guerra da Restauração.Depois de restaurada a independência, D. João IV tornou-se o novo rei português e, junto a seus apoiadores, preocupou-se em consolidar a autonomia alcançada na Guerra da Restauração. Primeiramente, D. João IV precisava de reconhecimento internacional como rei autêntico de Portugal. Dentro do reino português, esse status foi alcançado em 1641 após o juramento ante as Cortes de Lisboa. Para disseminar a ideia pelo resto do continente, o rei mandou embaixadores no intuito de angariar apoio de outras monarquias e obteve sucesso. Começava aí a Dinastia de Bragança. Obviamente, esperava-se que Espanha rechaçasse a ação portuguesa com ataques militares para conseguir a plena soberania sobre o território novamente. Como o ataque da Espanha não foi imediato, D. João IV conseguiu organizar suas forças bélicas para proteger o território conquistado na Guerra da Restauração.Embora a documentação retrate a insatisfação persistente dos comandantes em relação ao funcionamento da tropa, a verdade é que as forças portuguesas venceram todas as batalhas que se sucederam entre o início de 1659 e 1665, logrando impedir sempre a aproximação do exército espanhol a Lisboa.A batalha das Linhas de Elvas, travada em 14 de Janeiro de 1659, pondo fim ao cerco da cidade, que durava há três meses, é paradigmática do modo como Portugal se preparou para a guerra. Toda a cidade de Elvas estava rodeada por uma muralha abaluartada, ainda hoje visível em torno do seu centro histórico e destacou-se a recém-construída fortaleza de Santa Luzia, num outeiro a sul, que ajudou a suster o assédio das forças de Dom Luís de Haro. As forças portuguesas, por sua vez, puderam concentrar o seu potencial no contra-ataque que teve efeitos devastadores sobre os sitiantes.Em 1663, deu-se a invasão mais perigosa, em que os espanhóis obtiveram mesmo a rendição da cidade de Évora, mas o exército português, reforçado com cerca de dois mil soldados ingleses, obteve nova vitória, no Ameixial, em 8 de Junho de 1663. Nesse dia, enfrentaram-se quase 50.000 homens (22.000 por Portugal e 26.000 pela Espanha) número nunca atingido até então num campo de batalha em território português, o que demonstra quer o empenho de Filipe IV em recuperar o reino rebelde quer o dos portugueses em perseverar independentes.A batalha de Montes Claros, no dia 17 de Junho de 1665, assinalou a evidência da incapacidade espanhola de vergar a causa independentista portuguesa.A morte deFilipe IV dois meses mais tarde pôs fim à disputa. Depois de ambas as cortes resolverem os seus problemas internos (o afastamento de Dom Afonso VI pelo seu irmão Dom Pedro e a definição da regência do pequeno Carlos II, nascido em 1661) o tratado de paz através do qual Madrid reconheceu finalmente a independência de Portugal foi assinado a 13 de Fevereiro de 1668. Terminava a Guerra da Restauração.
  • DOM PEDRO II (1648-1706) REGENTE EM LUGAR DE SEU IRMÃO  DOM AFONSO VI (1643-1683). CARTA DO REGENTE PRÍNCIPE PEDRO (FUTURO DOM PEDRO II DE PORTUGAL) DATADA DE 5 DE NOVEMBRO DE 1670 E DIRIGIDA AO REITOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA D. ANDRÉ FURTADO DE MENDONÇA (1600-1676), BISPO DE MIRANDA,  COMUNICANDO A NOMEAÇÃO PARA LENTE DA INSTITUIÇÃO DO FREI THEODORO DO AMARAL. EXCERTOS DO TEXTO: DOM PEDRO PRÍNCIPE COM REGENTE GOVERNADOR DO REINO DE PORTUGAL E ALGARVES E COMO PROTETOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA FAÇO SABER AO DOUTOR ANDRÉ FURTADO DE MENDONÇA, DO MEU CONSELHO, REITOR DA MESMA UNIVERSIDADE, QUE MANDO VISTO SUA CONSULTA QUE PRECEDENDO INFORMAÇÃO E PARECER NOSSO, SOMOS PELO NOSSO TRIBUNAL DA MESA DE CONSCIENCIA SOBRE O PROVIMENTO DA CADEIRA QUE NO MOMENTO ESTÁ VAGA E TENDO RESPEITO AS LETRAS BOAS E PROVIMENTO QUE CONCORRE NA PESSOA DO MESTRE THEODORO DO AMARA, RELIGIOSO DA CONGREGAÇÃO DE SÃO BERNANDO E POR TAMBÉM CONFIAR NELE QUE A TUDO QUE LHE ENCARREGAR DARA DEVIDA ADMINISTRAÇÃO, HEY POR BEM E ME COMPRAS LHE FAZER MESTRE DA DITA CADEIRA DE GABRIEL. ASSINA PRINCIPE A UNIVERSIDADE DE COIMBRA, UMA DAS MAIS ANTIGAS DO MUNDO E TINHA ADMINISTRAÇÃO DIRETAMENTE LIGADA AO REI. DOM ANDRE FURTADO DE MENDONÇA A QUEM A CARTA DE NOMEAÇÃO FOI DIRIGIDA ERA , MESTRE EM ARTES E DR. TEÓLOGO, NATURAL DE LISBOA, FILHO DE JOÃO FURTADO DE MENDONÇA, COMENDADOR DE BORBA GOVERNADOR DO ALGARVE E DE ANGOLA, PRESIDENTE DA CÂMERA DE LISBOA E DO CONSELHO DAS ÍNDIAS E CONSELHEIRO DE ESTADO, E DE D. MAGDALENA DE TÁVORA, D PRIOR DE GUIMARÃES E DEPUTADO DA JUNTA DOS TRÊS ESTADOS E TINHA SIDO DEÃO DE LISBOA SENDO UM DOS TRÊS NOMEADOS PELA UNIVERSIDADE FOI PROVIDO NO LUGAR DE REITOR POR ELREI D AFONSO O VI DE QUE SE LHE PASSOU PROVISÃO EM 19 DE JULHO DE 1667 E TOMOU POSSE E JURAMENTO EM 6 DE OUTUBRO DO MESMO ANO. EL-REI D. PEDRO NOMEOU O REITOR PARA BISPO DE MIRANDA E DA PRIMEIRA VEZ QUE SE ACHA COM O TÍTULO DE BISPO ELEITO É EM 6 DE MAIO DE 1662, E GOVERNOU AINDA ATÉ 24 DE FEVEREIRO DE 1663, FALECEU EM MIRANDA, A 21 DE JULHO DE 1676, E ESTÁ SEPULTADO NA SÉ. NESSA ÉPOCA PORTUGAL PASSAVA POR UM PERÍODO QUE A HISTÓRIA CARACTERIZOU COMO UM GOLPE DE ESTADO DADO PELO PRÍNCIPE PEDRO CONTRA SEU IRMÃO O REI DE DIREITO DOM AFONSO VI. PORTUGAL, 1670, 31 CM DE ALTURANOTA: Afonso VI (Lisboa, 21 de agosto de 1643  Sintra, 12 de setembro de 1683), apelidado de "o Vitorioso", foi o Rei de Portugal e Algarves de 1656 até à sua morte, o segundo monarca português da Casa de Bragança. Era filho do rei João IV e a sua esposa Luísa de Gusmão, com sua mãe servindo como regente desde sua ascensão até 1662, quando foi removida por Afonso e seu favorito Luís de Vasconcelos e Sousa, 3.º Conde de Castelo Melhor. O seu reinado viu o final da Guerra da Restauração e o reconhecimento pela Espanha da independência de Portugal. Afonso também negociou alianças com a França através de seu casamento com Maria Francisca de Saboia. No entanto, era física e mentalmente fraco, o que fez com que seu irmão mais novo Pedro, Duque de Beja, conspirasse em 1668 para o declarar incapaz. Pedro tornou-se regente do reino, anulou o casamento de Afonso e casou-se com a princesa Maria Francisca de Saboia, Rainha de Portugal. Afonso passou o resto de seu reinado praticamente como prisioneiro. Nascido apenas como infante de Portugal, Afonso não estava destinado a reinar nem foi preparado para tal, em virtude de o herdeiro da coroa ser o seu irmão mais velho, o príncipe Teodósio de Bragança. A sua formação foi pouco cuidada, à semelhança dos restantes irmãos. Ao contrário dos seus irmãos, Afonso passou a sua infância e juventude em Lisboa, num ambiente tenso e mergulhado em preocupações políticas, governativas, militares, entre outras. Com 3 ou 4 anos de idade, foi atingido por uma febre maligna, que lhe afetou o lado direito do corpo, e que se repercutirá na sua vida em variados aspectos, desde políticos a familiares e sexuais. Uma doença do sistema nervoso central, pensa-se hoje, talvez uma meningoencefalite, uma doença de foro nervoso, como propõe Montalvão Machado A morte do irmão mais velho, Teodósio, sucede a 13 de maio de 1653 e, a 17 de novembro do mesmo ano, morre Joanam passando Afonso a ser o novo herdeiro do trono de Portugal. Poucos anos antes de falecer, D. João IV de Portugal dispensa em benefício do infante Pedro, que mais tarde se tornaria rei de Portugal, um vasto património de senhorios, grande parte deles expropriados a nobres contrários à Restauração, e que haviam partido para Espanha. Estes senhorios estendiam-se por todo o território português, do norte ao sul do Alentejo, e estão na origem da Casa. Garantia-se assim, não só o mantimento dos filhos segundos da coroa, nas palavras de Veríssimo Serrão, mas também o suporte da descendência, de forma a perpetuar o Sangue Real Português o mais que se pudesse. Porém, alguns historiadores interpretam esta medida de forma diferente: com a debilidade da Monarquia Portuguesa, que nem sequer era reconhecida internacionalmente, e a insegurança que representava da incapacidade do herdeiro, inclusive a gerar descendentes, esta medida conseguia colocar nas mãos da Família Real um vasto património, que garantiria a sua importância senhorial.A Casa do Infantado e a Casa do Cadaval, com quem a Monarquia mais tarde contraiu alianças, formavam com a família real a trindade da Nobiliarquia Portuguesa e, embora tivessem todas elas ligações à Coroa, as suas possessões estavam segregadas do património do Estado.Volvidos três anos, morre D. João IV, deixando como sucessor Afonso, cuja idade ainda não lhe permitia governar e com capacidade mental duvidosa para assumir a função. Foi aclamado e jurado rei a 15 de novembro de 1656. O boato de que sofria de alguma doença mental levou a que se levantasse a questão do adiamento da cerimónia. No entanto, a data manteve-se por entendimento da rainha. O discurso de praxe coube ao doutor António de Sousa Macedo, jurisconsulto e diplomata, o qual destacou não a figura de Afonso mas a de seu pai, a quem definiu como hum sugeito quasi divino. Não deixou de invocar os feitos dos reis anteriores, provavelmente com o propósito de despertar o brio do jovem monarca, cuja nação se preparava para o recomeço da ofensiva espanhola, que já se fazia anunciar, e ao qual incumbia o dever de juntar todas as forças para, ao fim de dezasseis anos de guerra, não comprometer a independência face ao país vizinho e todo o processo de restauração. Este era o dia em que se iniciava também a regência da sua mãe, Luísa de Gusmão. A regência de Luísa centrou-se, inicialmente, na organização do governo de modo a impor-se às facções palacianas em jogo. Nomeia então, Francisco de Faro, Conde de Odemira, para aio de Afonso e mantém os oficiais da Casa Real que exerciam tais funções no tempo do seu marido. Francisco, filho do segundo Conde de Faro, Estêvão de Faro, e de Guiomar de Castro, filha do quarto Barão do Alvito, João Lobo da Silveira, e neta, por parte da mãe, do segundo Senhor de Lavre e Estepa, João Mascarenhas. Através dos matrimónios das suas filhas, Maria e Guiomar, traçou relações com o sétimo Conde da Feira e com o primeiro Duque de Cadaval, o célebre Nuno Álvares Pereira de Melo, e com o terceiro conde de Vila Nova de Portimão, respectivamente. Francisco, como se constata, pertencia a uma das famílias mais poderosas e de maior tradição em Portugal, e com ligações de parentesco diretas com outras casas de suma importância, como é o caso da Casa de Cadaval. A Pedro Vieira da Silva e Gaspar Faria Severim, comendador de Moura, coube o Conselho de Estado. Porém a rivalidade entre Francisco e o Conde de Cantanhede dificulta a regência da mãe de Afonso. Esta vê-se obrigada a nomear a Junta Noturna, assim conhecida por ter reuniões à noite. Para além dos dois nobres em disputa, constavam nela outros oficiais de confiança, como o marquês de Nisa, Pedro Fernandes Monteiro, o conde de São Lourenço e frei Domingos do Rosário, diplomata experiente. Esta Junta teve bastante utilidade e agilidade aos comandos dos negócios públicos. Com 13 anos, narra Veríssimo Serrão, divertia-se observando de uma janela do paço real rapazes de baixa condição nas suas brincadeiras, que incluíam lutas e outras arruaças. O rei não se coibia de aplaudir tais lutas, incitando o grupo seu favorito. Nas arcadas do pátio para onde dava a dita janela, reuniam-se mercadores e outros negociantes. Entre eles estava António Conti, "que tinha tenda de fitas, meias e mais adornos femininos". Este astuto genovês soube insinuar-se nas boas graças do monarca, aplaudindo os seus protegidos e ofertando-lhe bugigangas condizentes com o seu pouco apurado gosto, sempre que o rei descia ao pátio para conversar com ele.7 Conti tratou de lhe apresentar o seu irmão e também outros rapazes, incluindo negros, lacaios, mouros e outros do que era tido então como de ínfima estirpe. Divertiam-se todos em combates de lebreus, primeiro no paço, depois no próprio terreiro, em público. Aquele bando ignóbil não abandonava nunca o rei; percorriam todos a cidade, de noite, apedrejando janelas, arremetendo contra os transeuntes. A incapacidade física de D. Afonso tornava ainda estes espectáculos mais repugnantes. Atirando-se por bazófia a empresas atrevidas, sempre se saía mal, obrigando-se a fazer-se reconhecer, para não ser maltratado pelas pessoas que provocava. Por vezes enchia o paço de mulheres perdidas, também por bazófia, porque não era menos incapaz para as lutas amorosas que para as lutas guerreiras.  Tomando posse da sua casa, a 7 de abril de 1660, deliberadamente, consegue Afonso um alojamento no paço para António Conti, um quarto com porta para a câmara do rei, atitude que provocou escândalo na corte. Atribui-lhe igualmente o foro de moço do guarda-roupa do rei. Assim, tinha o privilégio de assistir ao vestir e despir da real pessoa, que o designou também moço das chaves. António consegue ainda do rei que este o tornasse fidalgo, lhe concedesse uma comenda e ainda o hábito da Ordem de Cristo. O monarca dispensa-lhe ainda uma capela cujo rendimento se acercava dos 1 000 Cruzados. Nestas saídas noturnas, de acordo com as descrições do Conde da Ericeira, que documentou grande parte da Restauração, o rei não se poupava a esforços para conquistar a afeição tanto das mulheres mais expostas, quanto das mais recatadas, crescendo de sorte, que, passando do rebuço da noite à manifesta claridade do dia, não perdoava nem ao sagrado das igrejas De fato, Ana de Moura e Feliciana de Milão, duas freiras do convento de Odivelas (já frequentado pelos monarcas desde D. Dinis e onde floresciam casos amorosos), disputavam do favor régio. Provavelmente para impressionar alguma das duas senhoras, Afonso quis tourear no pátio daquele convento, acabando por cair e magoar-se. Segundo a tradição, foi sangrado e Ana de Moura sangrou-se também, não tanto pela necessidade, mas para fazer fineza a Sua Majestade. A regente, de início, tentou apaziguar estas atitudes e impedir que o rei mantivesse contacto com estes rapazes, aconselhando-o. Porém, Afonso não a escutava, nem tão pouco aos conselheiros, entre os quais o conde de Odemira, Francisco. As brincadeiras de mau gosto continuavam, eram motivo de preocupação na corte e no reino e Luísa teve que tomar uma medida drástica. É implementada a pena de açoites e degredo a quem, com mais de quinze anos, jogasse pedradas. António Conti é afastado da corte. Francisco de Faro aproveita o mote e expulsa o grupo do paço, que ali entrava a seu bel-prazer. Quem não gostou foi, obviamente, Afonso, que, ao ver-se impedido de contactar com os seus amigos, volta a sua ira contra a mãe e contra os membros do conselho de estado, incluindo Francisco. Surgem então na vida do jovem rei dois jovens cortesãos que lhe restituem as amizades perdidas, Jerónimo de Ataíde, filho de Filipa de Vilhena, e Luís de Vasconcelos e Sousa, conde de Castelo Melhor. Como diz Veríssimo Serrão, não se aproximaram de D. Afonso porque lhes conviesse a vida escandalosa deste mas porque sentiam que o favor régio estava a seu alcance logo que ele tomasse o poder.. Mereceu Afonso o epíteto de O Vitorioso, por no seu reinado Portugal ter vencido a Espanha em várias batalhas da Guerra da Restauração. Em dez anos, mais ou menos o tempo em que combateu o país vizinho, diz António Pereira de Figueiredo, que alcançou tão grande nomeada, que ninguém se pode comparar com ele no número de vitórias e na glória que delas resultou. Foram cinco as vezes em que os portugueses combateram os castelhanos durante o seu reinado, por ocasião da Guerra da Restauração, sempre em menor número que os adversários. Logo no início do ano de 1657, a regente é informada pelo Conde de Soure que os espanhóis reuniam tropas para  invadir Portugal na primavera. Pouco tempo depois André de Albuquerque, general português, precisa o local de ajuntamento das tropas: Badajoz. Constava ainda que o próprio monarca vizinho viria dirigir um poderoso exército a Mérida. Substituído o conde de Soure no comando das operações militares nacionais no Alentejo, é o conde de São Lourenço que se encarrega de tal tarefa. Providencia a nomeação de capitães nas praças de Castelo de Vide, Marvão e Vila Viçosa e chama reforços de Trás-os-Montes, das Beiras e do Algarve. A zona do Guadiana é, em princípios do mês de Abril, dominada pelos espanhóis. Não resistiram as praças de Olivença e Mourão. Já em 1658, sabe-se então da pretensão das tropas de Filipe em ocupar Vila Viçosa. Eis que surge um dos grandes generais da Restauração, Sancho Manoel, governador da Praça de Elvas. Luis de Haro e as suas tropas, de cerca de 20 mil homens e muita artilharia, cercam Elvas, cerco este que se mantém durante três meses. Dentro das muralhas, resistiram os portugueses sob diário fogo de artilharia. Trezentos mortos por dia foi o resultado da peste que também se abateu sobre os militares. Esperavam-se os reforços vindos de todo o país, comandados pelo conde de Cantanhede, António Luís de Menezes, que não tardaram a chegar. A batalha era decisiva, pois estava em causa o controlo de Lisboa. É a 14 de janeiro de 1659 que se dá a batalha nos campos de Elvas, ganha pelos portugueses. Sancho recebe em troca da sua valentia em Elvas, o título de Conde de Vila Flor. Porém, a batalha - viriam os portugueses a perceber mais tarde - não foi definitiva, pois o Tratado dos Pirenéus deixa a Espanha sem outros encargos militares. (...) em breve, o Rei voltaria a sentir os efeitos de uma ameaça, porventura mais grave. Antes, todavia, deflagra uma crise política no seio da corte, que opõe Luísa a Afonso, mãe e filho, pelas rédeas do Poder. A rainha chegou a encarar a hipótese de o infante Pedro, seu 3.º filho, vir a ser jurado herdeiro do trono, para o que recebeu a Casa do Infantado, ainda no tempo de D. João. Mas tendo falhado o golpe palaciano de 1662, que visava o desterro de António Conti no Brasil ou, talvez mesmo, a prisão do monarca, abriu-se o processo que levou ao termo da regência em 23 de junho de 1662, à entrega do poder efetivo ao rei.Foi a regente, Luísa de Gusmão, quem nomeou os condes de Castelo Melhor e Atouguia como aios do jovem monarca, mas essa nomeação iria voltar-se contra as suas pretensões e afastá-la definitivamente do poder do reino.Não oferece dúvida que foi o conde de Castelo Melhor o cérebro da manobra que afastou a rainha da vida pública, tendo nela participado o conde de Atouguia e Sebastião César de Meneses. Ambos levaram o rei para Alcântara, para onde convocaram a nobreza, retirando-se ao Paço da Ribeira o centro de decisão política. Para alcançar o poder, foram dois os argumentos de Afonso: a busca de meios para defrontar a ameaça que representava Castela e poupar a sua mãe do contínuo trabalho que lhe cabia como regente. Por Ordem Régia de 22 de junho de 1662, invoca-se um princípio jurídico inabalável, a que todos deveriam obedecer.A rainha, tratada com o maior respeito pelo grupo de Castelo Melhor, manteve-se no paço até março de 1663, recolhendo-se então ao convento dos Agostinhos Descalços (ou dos Grilos). Em carta à ausente filha Catarina, rainha de Inglaterra, define o ocorrido como uma conspiração. Na mesma carta, não chega sequer a referir o nome de Pedro, o seu segundo filho, irmão de Afonso, devido à sua tenra idade, que não lhe permitia a participação nesta disputa de poder. O país ficar-lhe-ia em dívida pela coerência e pulso firme com que garantiu a nova dinastia e as condições de independência de Portugal face ao país vizinho. A inclinação que teve pelo filho segundo terá provavelmente sido fruto da incapacidade que Luísa via no legítimo herdeiro e que poderia comprometer os vinte anos de luta que se travaram até ali. Morreu ela a 27 de fevereiro de 1666, no convento dos Grilos em Xabregas. Em testamento, lavrado a 26 de fevereiro de 1666, declara Afonso como seu herdeiro e testamenteiro. Ao outro filho deixou as dívidas, a proteção dos criados que a serviam e pede-lhe ainda que proteja as obras de caridade às quais o seu nome se encontrava ligado. O golpe palaciano que a depôs é assim descrito: O conde de Castelo Melhor, auxiliado por alguns fidalgos, conseguiu que o monarca saísse para Alcântara, e daí fizesse saber a sua mãe que resolvera assumir o poder. A rainha tentou resistir por boas razões e conselhos, porém nada conseguiu, porque o conde de Castelo Melhor, disposto a subir ao poder, não desistia por caso algum. A 29 de junho de 1662, el-rei assumiu definitivamente o governo do reino, ou antes, em seu nome o conde de Castelo Melhor, que se fez nomear escrivão da puridade. O conde empregou sua astúcia em afastar de junto do rei as pessoas que podiam ofuscar-lhe o seu valimento; até conseguiu que a própria rainha se afastasse, acolhendo-se ao convento do Grilo. É certo porém, que se o conde se serviu de meios nem sempre dignos para subir ao poder, mostrou-se digníssimo em exercê-lo. O reinado de D. Afonso VI deveu-lhe a glória que o iluminou, e o inepto soberano pôde alcançar na história o epíteto de o vitorioso.Luís de Vasconcelos e Sousa, terceiro conde de Castelo Melhor, com apenas 26 anos vivera exilado em França durante dois anos, devido a suspeitas do seu envolvimento na morte do conde de Vimioso. Quando regressa a Portugal, combate em defesa do Minho, Em 1667, um grupo de nobres que incluía o marquês de Marialva, o conde de Sarzedas e o conde de Vila Flor, conseguiu derrubar o conde de Castelo Melhor. A 27 de outubro a Câmara de Lisboa pediu a convocação imediata das Cortes, enquanto Castelo Melhor se exilava num mosteiro de arrábidos perto de Torres Vedras, exilando-se depois nas cortes de Saboia, França e da Inglaterra (sua situação só se desanuviou depois da morte da Rainha em 1683). A Rainha deixou o Paço em 21 de Novembro, recolhendo-se ao convento da Esperança em clausura com suas damas e oficiais, no que se considerou grande escândalo.Após seu afastamento em 1667 Afonso foi compelido por sua mulher, Maria Francisca, e irmão, Pedro, a abdicar do trono no dia 22 de Novembro. O infante Pedro justificou a tomada do governo pela exigência do Senado lisboeta. Guardou apenas o título de curador e governador do Reino. Desde 26 de novembro de 1667 os documentos vêm assinados pelo Infante e só depois de Cortes em 1668 passaram a sê-lo pelo Príncipe. Fez membros do Conselho de Estado o duque de Cadaval, Nuno Álvares Pereira de Melo, D. Vasco Luís da Gama, marquês de Nisa. escolheu como Presidente da Mesa do Desembargo do Paço o marquês de Gouveia, João da Silva, e como vedor da Fazenda o velho general António Luís de Meneses, marquês de Marialva. Eram todos elementos ligados ao partido francês, vitoriosos sobre a facção inglesa comandada por Castelo Melhor.Afonso foi banido para a ilha Terceira, nos Açores. Tais actos foram sancionados pelas Cortes de Lisboa de 1668.Instalado na ilha Terceira, ali permaneceu ao longo de cinco anos. Viveu caprichoso, em turbulência constante e com grande violência física, nem mesmo poupava os criados. Em fins de 1673 descobriu-se em Lisboa uma conspiração para favorecer seu regresso. Diversos conspiradores foram mesmo enforcados no Rossio. O Rei, mandado vir, chegou a Lisboa em 14 de setembro de 1674, sendo conduzido ao Palácio de Sintra. Durante nove anos viveu ali, fechado em seus aposentos, com servidores da inteira confiança do duque de Cadaval. No início de 1683 foi sangrado, tomou purgas, em 30 de maio teve agastamentos, com dores, na manhã de 12 de setembro teve um acidente apoplético e ficou sem fala, morrendo logo. Montalvão Machado, em Causas de Morte dos Reis Portugueses, Lisboa, 1974, diz que o rei morreu de tuberculose pulmonar, como outros filhos de João IV de Portugal e a princesa Luísa de Gusmão. A sua morte suscitou suspeitas de envenenamento, nunca provadas.O rei morreu após 9 anos de prisão no quarto a que foi dado o seu nome do Palácio Real de Sintra. A morte ocorreu quando o prisioneiro saía do quarto para se dirigir à capela do Palácio.Está sepultado, juntamente com o seu irmão Pedro II de Portugal e Maria Francisca, no Panteão dos Braganças, na cidade de Lisboa.ficando ferido com gravidade. Retornado à corte, recebe em 1659 o ofício de reposteiro-mor do Paço, e já em 1662 exercia funções de camareiro de serviço, estando constantemente em contato com as figuras régias e a família real, o que o tornava uma das personalidades mais distintas na corte portuguesa. Hoje equivaleria às funções de um Primeiro-Ministro. Terá encabeçado o golpe que destituiu a regente, e colocou o soberano à cabeça do poder do reino, juntamente com o Conde de Atouguia e outros fidalgos de nobreza média. Todos veriam no rei um espaço para a sua ascensão social e política.Após a crise de 1662 que lhe concede o poder efetivo, Afonso VI logo reconheceu os préstimos do conde Luís ao nomeá-lo criado de escrivão da puridade, fiando-lhe os maiores negócios do reino Este cargo, ao longo da segunda dinastia, tinha sido quase sempre destinado ao funcionário régio de maior confiança. Portanto, com este ofício, à mercê da centralização do poder que a Restauração impunha, era-lhe confiada a máquina de administração pública. Se o reino usufruiu da eficiente regência de Luísa de Gusmão, também nada perdeu com a troca, pois Luís, aos comandos da administração pública demonstrou a garra de um verdadeiro estadista, como refere Veríssimo Serrão. Essa firmeza política demonstrou-a na condução das grandes batalhas que se seguiriam à tomada de posse de Afonso. Em 1652 falhou o casamento com a filha do príncipe de Parma, o mesmo sucedendo pouco depois com Mademoiselle de Montpensier, e tampouco resultou o plano de o casar com a filha do duque de Orléans, origem de uma missão de Francisco Manuel de Melo. Afinal o marquês de Sande, D. Francisco de Melo e Torres, assinou em Paris a 24 de fevereiro de 1666 o contrato matrimonial com Maria Francisca Isabel de Saboia, Mademoiselle d'Aumale. O casamento foi celebrado por procuração, em La Rochelle em 27 de junho, e a nova rainha chegou a Lisboa a 2 de agosto.  Maria Francisca alimentou esperanças de gravidez, em que pese a corrente favorável ao infante Pedro (o duque de Cadaval, o embaixador francês e outros) dizer depois que o casamento não se consumara. Pelos autos sabe-se que de facto, apenas dois dias após ter conhecido o noivo, a rainha já havia desabafado ao seu confessor, o jesuíta Francisco de Vila: "Meu padre, parece-me que não terá Portugal sucessores deste Rei." Nos meses que se seguiram, ainda em confissão, continuou a queixar-se ao religioso que o Rei era "inábil e impotente", a rainha acabou por recolher-se ao Convento de Nossa Senhora da Esperança em Lisboa, e a entrar, no dia seguinte, com um pedido de anulação do matrimónio no Cabido de Lisboa, designando como seu procurador no processo, o duque de Cadaval. Deixou ao Rei uma carta onde se justificava: "Apartei-me da companhia de Sua Majestade, que Deus guarde, por não haver tido efeito o matrimónio em que nos concertámos (...)". Desse modo, de 9 de janeiro a 23 de fevereiro de 1668, nas tardes de segundas, quartas e sábados, 55 testemunhas foram chamadas ao paço do Arcebispo de Lisboa para depor, em audiências públicas, sobre a incapacidade sexual do monarca.O processo foi julgado por três autoridades eclesiásticas e um júri com quatro desembargadores e quatro cónegos. Entre as primeiras testemunhas, encontravam-se 14 mulheres com quem o rei havia tentado envolver-se. Não compareceram quaisquer testemunhas a favor do rei. e acordo com o historiador português Joaquim Veríssimo Serrão "o processo constitui uma página lamentável da história de Portugal", mas mesmo que a tese da não consumação possa suscitar reservas, o processo contém matéria abundante para provar a incapacidade do monarca em assegurar a sucessão do Reino.Não resiste à menor crítica, segundo o mesmo historiador, a versão posta a correr de os dois cunhados terem amores incestuosos. Antes da anulação ser declarada, já as cortes de 1668 tinham sentido o grave problema e sugerido ao infante o casamento com a Rainha, "para quietação do Reino e segurança de sua real sucessão". Efetuaram-se diligências em Roma para a necessária dispensa, no impedimento publicae honestatis que pudesse haver entre os nubentes, tendo a bula de autorização chegado a Lisboa a 27 de março. Seguidamente foi deposto por decisão do Conselho de Estado. Em 1667, um grupo de nobres que incluía o marquês de Marialva, o conde de Sarzedas e o conde de Vila Flor, conseguiu derrubar o conde de Castelo Melhor. A 27 de outubro a Câmara de Lisboa pediu a convocação imediata das Cortes, enquanto Castelo Melhor se exilava num mosteiro de arrábidos perto de Torres Vedras, exilando-se depois nas cortes de Saboia, França e da Inglaterra (sua situação só se desanuviou depois da morte da Rainha em 1683). A Rainha deixou o Paço em 21 de Novembro, recolhendo-se ao convento da Esperança em clausura com suas damas e oficiais, no que se considerou grande escândalo.Após seu afastamento em 1667 Afonso foi compelido por sua mulher, Maria Francisca, e irmão, Pedro, a abdicar do trono no dia 22 de Novembro. O infante Pedro justificou a tomada do governo pela exigência do Senado lisboeta. Guardou apenas o título de curador e governador do Reino. Desde 26 de novembro de 1667 os documentos vêm assinados pelo Infante e só depois de Cortes em 1668 passaram a sê-lo pelo Príncipe. Fez membros do Conselho de Estado o duque de Cadaval, Nuno Álvares Pereira de Melo, D. Vasco Luís da Gama, marquês de Nisa. escolheu como Presidente da Mesa do Desembargo do Paço o marquês de Gouveia, João da Silva, e como vedor da Fazenda o velho general António Luís de Meneses, marquês de Marialva. Eram todos elementos ligados ao partido francês, vitoriosos sobre a facção inglesa comandada por Castelo Melhor.Afonso foi banido para a ilha Terceira, nos Açores. Tais actos foram sancionados pelas Cortes de Lisboa de 1668.Instalado na ilha Terceira, ali permaneceu ao longo de cinco anos. Viveu caprichoso, em turbulência constante e com grande violência física, nem mesmo poupava os criados. Em fins de 1673 descobriu-se em Lisboa uma conspiração para favorecer seu regresso. Diversos conspiradores foram mesmo enforcados no Rossio. O Rei, mandado vir, chegou a Lisboa em 14 de setembro de 1674, sendo conduzido ao Palácio de Sintra. Durante nove anos viveu ali, fechado em seus aposentos, com servidores da inteira confiança do duque de Cadaval. No início de 1683 foi sangrado, tomou purgas, em 30 de maio teve agastamentos, com dores, na manhã de 12 de setembro teve um acidente apoplético e ficou sem fala, morrendo logo. Montalvão Machado, em Causas de Morte dos Reis Portugueses, Lisboa, 1974, diz que o rei morreu de tuberculose pulmonar, como outros filhos de João IV de Portugal e a princesa Luísa de Gusmão. A sua morte suscitou suspeitas de envenenamento, nunca provadas.O rei morreu após 9 anos de prisão no quarto a que foi dado o seu nome do Palácio Real de Sintra. A morte ocorreu quando o prisioneiro saía do quarto para se dirigir à capela do Palácio.Está sepultado, juntamente com o seu irmão Pedro II de Portugal e Maria Francisca, no Panteão dos Braganças, na cidade de Lisboa.
  • DONA CATARINA DA ÁUSTRIA (1507-1578)  RAINHA CONSORTE DE PORTUGAL, ESPOSA DE DOM JOÃO III E REGENTE DO REINO NA MENORIDADE DE DOM SEBASTIÃO I. CARTA PATENTE DE DONA CATARINA DA ÁUSTRIA CONCEDENDO O TÍTULO DE CIDADÃO DO PORTO A DUARTE DE TOMAZ  EXCERTOS DO TEXTO: FAÇO SABER A QUANTOS MEU ...VIREM VINDO EM RESPOSTA AS QUALIDADES DE DUARTE DE TOMAZ E DE SEU PAI JERONIMO DE TOMAZ E GRÁCIA RODRIGUES SUA MÃE MORADORES NA CIDADE DO PORTO....ME APRAZ FAZER O DITO DUARTE TOMAZ CIDADÃO DA DITA CIDADE DO PORTO....POSTO QUE NÃO PASSAM PELA CHANCELARIA MALGRADO DA ORDENAÇÃO EM CONTRÁRIO. EU CATARINA FIZ ESCREVER.ASSINA DONA CATARINA DA ÁUSTRIA. INICIO DA DÉCADA DE DE 1560. NOTA: D. Catarina de Áustria nasce em Espanha, na cidade de Torquemada, a 14 de janeiro, de 1507. É filha de Joana, rainha de Castela, Leão e Aragão, e de Filipe I, rei consorte de Castela e Leão. Teve cinco irmãos, de entre os quais o imperador Carlos V. Durante os seus primeiros anos de vida, os tempos eram de profunda incerteza política. O seu pai morre no ano anterior ao seu nascimento, e a sua mãe, D. Joana, que ficou conhecida como A Louca, é encarcerada, em 1509, no paço régio de Tordesilhas, às ordens do rei Fernando, o Católico. D. Catarina vai partilhar o cativeiro com a mãe, fazendo a sua formação confinada ao Paço. Em 1518, ocorre um episódio que lhe altera significativamente a vida - é libertada pelo seu irmão, o imperador Carlo V que, embora não autorize a sua saída de Tordesilhas, lhe providencia condições de vida mais abonatórias. Dado o histórico de diferendos diplomáticos entre Castela e Portugal, Carlos V encarrega-se de atribuir um papel politicamente ativo à sua irmã, neste caso, para estabilizar as relações ibéricas. Assim, autoriza o casamento da irmã com D. João III, rei de Portugal, casando-se ele próprio com Isabel, filha de D. Manuel I. O casamento de D. Catarina com D. João III dá-se em 1525. Nesta altura, grande parte da população de Lisboa padecia de peste, sendo que o próprio rigor invernoso não permitiu que o recente casal real chegasse mais cedo à cidade. Segundo documentação da biblioteca da Ajuda, a festa da entrada régia registou a sua ocorrência no dia 24 de janeiro, depois de uma travessia do respetivo séquito em pequenos batéis, entre Alcochete e Lisboa, assistindo-se a grandes honras à nova rainha quer em mar como em terra. Com um temperamento vigoroso e dotada de uma inteligência pouco vulgar, exerceu forte influência nos negócios portugueses internos e externos, sendo admitida em todos os conselhos de Estado, uma honra conferida apenas excecionalmente. A morte de D. João III, em 1557, fez com que a sucessão transitasse para o neto, D. Sebastião. Note-se que o casal real teve nove filhos, mas todos faleceram ainda em vida do rei D. João III. Nesta medida, D. Catarina assume a regência do reino durante a menoridade do neto, convocando o cardeal D. Henrique para seu conselheiro. Mostrou-se permanentemente atenta com a educação do neto, procurando chamar à Corte os melhores mestres para formarem um príncipe digno do trono e das virtudes associadas a um responsável máximo de Estado. Nos assuntos externos, focalizou o seu empenhamento na conservação da conquista de territórios orientais, ordenando o envio de armada com o objetivo não só de mantê-los sob a alçada portuguesa, mas também para os submeter às leis do reino. No Norte de África, continuavam as tentativas de expulsão dos portugueses, cuja posse territorial era vista como uma afronta. Neste sentido, o rei de Marrocos veio a estabelecer cerco em Mazagão com um exército numeroso. A praça marroquina foi defendida pelo capitão Rui de Sousa que, depois do apoio militar concedido pela rainha, conseguiu finalmente repelir a ameaça. Relativamente à política administrativa interna, a rainha regente mostrou-se pragmática, atuando com prudência, ao escolher como ministros personalidades ativas e desinteressadas, como foi o caso de Gil Eanes. Tinha por hábito premiar os beneméritos, promovendo, por exemplo, na mitra primacial de Braga, D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Fundou em Lisboa, em 1519, o Colégio dos Meninos Órfãos, dotando-o de mestres para que educassem e instruíssem os órfãos. Mandou também construir os mosteiros do Vale Bem-feito, da ordem de São Jerónimo, de Pedrogão dos Dominicanos, e a igreja de Santa Catarina, entre outros. Enlevada pelo sucesso da sua política regencial manda, por carta de 11 de agosto, de 1560, que todos os estudantes portugueses das universidades de Paris, Lovaina e Salamanca, regressassem para estudar na Universidade de Coimbra, o que seria uma grande demonstração de respeito pela memória de D. João III. Consegue junto do Papa, a elevação da igreja de Santa Catarina de Goa a arcebispado, e a criação dos bispados de Santa Cruz, Cochim, Assunção e Malaca. Em 1560, agastada pela continuidade do esforço exigido pela regência, tenta transferir este papel para o cardeal D. Henrique, mas as manifestações em prol da sua continuidade revelam-se frutíferas, continuando a assumir esse encargo por mais dois anos. Posto isto, retira-se em 1562, passando a regência para o cardeal. Contam-se algumas divergências com o neto, o infante D. Sebastião, principalmente por este demonstrar, desde muito cedo, um certo fascínio das artes bélicas do espírito de cavalaria. Acaba por se retirar para o convento de Xabregas, onde vem a falecer a 6 de fevereiro, de 1578, apenas alguns meses antes de D. Sebastião desaparecer na batalha de Alcácer-Quibir.
  • D. JOÃO PEREIRA MATTOS EMBAIXADOR DO REI DE PORTUGAL DOM SEBASTIÃO I NA CORTE DE CARLOS IX DA FRANÇA (1550-1574). CURIOSA CARTA DATADA DE OITO DE ABRIL DE 1568 EM QUE O EMBAIXADOR D. JOÃO PEREIRA MATTOS DIRIGE-SE AO REI CARLOS IX PEDINDO REPARAÇÃO DE UMA INJÚRIA FEITA A ELE POR UM CIDADÃO PORTUGUÊS NA FRENTE DE TODA A CORTE FRANCESA. ASSINA D. JOÃO PEREIRA MATTO EMBAIXADOR DE PORTUGAL. FRANÇA, 1568.  VIDE NOS CRÉDITOS EXTRAS DESSE LÇOTE IMAGEM DE UM RETRATO DE CARLOS IX A QUEM ESSA CARTA FOI ENDEREÇADA. NOTA: CARLOS IX, era filho de CATARINA DE MÉDICIS passou para história por ser junto com sua mãe incentivador do MASSACRE DE SÃO BARTOLOMEU. O reinado de Carlos foi dominado pelas guerras francesas da religião, que colocaram várias facções umas contra as outras. Os huguenotes, os adeptos franceses do calvinismo, tinham um número considerável de seguidores entre os nobres, enquanto seus inimigos, posteriormente organizados na Liga Católica, eram liderados pela Casa de Guise, um ramo de cadetes da Casa de Lorena. A rainha Catarina, apesar de nominalmente católica, tentou inicialmente estabelecer um curso intermediário entre as duas facções, tentando manter (ou restaurar) a paz e aumentar o poder real. As facções se envolveram em violência antes mesmo da ascensão de Carlos: em 1560, um grupo de nobres huguenotes em Amboise planejava tentar sequestrar o rei Francisco II e prender os líderes católicos Francisco, Duque de Guise e seu irmão Carlos de Lorena-Guise. O enredo foi descoberto antes do tempo, e os Guises foram preparados, executando centenas de huguenotes. Isto foi seguido por casos de iconoclasmo protestante e represálias católicas.A regente Catarina tentou promover a reconciliação no Colóquio de Poissy e, depois disso, fez várias concessões aos huguenotes no Édito de Saint-Germain em janeiro de 1562. No entanto, eclodiu a guerra quando alguns servidores da Casa de Guise, na esperança de vingar a tentativa de Amboise. Em Wassy, França, em 1 de março de 1562, Francisco, Duque de Guise e suas tropas atacaram e mataram ou feriram mais de 100 fiéis huguenotes e cidadãos. A tragédia é identificada como o primeiro grande evento nas Guerras religiosas na França.Luís I de Bourbon-Condé, irmão do tenente-general e suspeito de ser o arquitecto da Conjuração de Amboise , já se preparara para a guerra e, tomando Wassy como pretexto, assumiu o papel de protetor do protestantismo e começou a apoderar-se da guarnição. cidades estratégicas ao longo do Vale do Loire. Em troca, a monarquia revogou as concessões dadas aos huguenotes. Depois que os líderes militares de ambos os lados foram mortos ou capturados em batalhas em Rouen, Dreux e Orleães, o regente mediou uma trégua e emitiu o Edito de Amboise (1563). Após a conclusão da Paz de Saint-Germain-en-Laye em 1570, o rei ficou cada vez mais sob a influência do almirante Gaspar II de Coligny , que sucedeu o príncipe morto de Condé como líder dos huguenotes após a batalha de Jarnac em 1569. Catarina, no entanto, tornou-se cada vez mais temerosa do poder descontrolado de Coligny, especialmente desde que ele estava buscando uma aliança com a Inglaterra e os holandeses. Coligny também foi odiado por Henrique, duque de Guise, que acusou o almirante de ter ordenado o assassinato de seu pai Francisco, Duque de Guise durante o cerco de Orléans em 1562.Durante o acordo de paz, um casamento foi arranjado entre a irmã de Carlos, Margarida de Valois, e Henrique de Navarra, o futuro rei Henrique IV, que na época era herdeiro do trono de Navarra e um dos principais huguenotes. Muitos nobres huguenotes, incluindo o almirante de Coligny, invadiram Paris para o casamento, que foi marcado para 18 de agosto de 1572. Em 22 de agosto, uma tentativa fracassada da vida de Coligny deixou a cidade em estado de apreensão, tanto os huguenotes como os católicos parisienses. temia um ataque do outro lado.Nesta situação, no início da manhã de 24 de agosto de 1572, o duque de Guise mudou-se para vingar seu pai e assassinou Coligny em seus aposentos. Quando o corpo de Coligny foi jogado na rua, os parisienses mutilaram o corpo. A ação da massa irrompeu no massacre da noite de São Bartolomeu , um massacre sistemático de huguenotes que duraria cinco dias. Henrique de Navarra conseguiu evitar a morte prometendo converter-se ao catolicismo. Nas próximas semanas, a doença se espalhou para mais cidades na França. No total, até 10 000 huguenotes foram mortos em Paris e nas províncias.Embora os massacres enfraquecessem o poder huguenote, eles também reacenderam a guerra, que só cessou depois que o Edito de Boulogne, em 1573, concedeu anistia aos huguenotes e limitou a liberdade religiosa. No entanto, no ano de 1574, houve um fracassado golpe huguenote em Saint-Germain e revoluções huguenotes bem-sucedidas na Normandia, no Poitou e no vale do Ródano, preparando o terreno para outra rodada de guerra.. No rescaldo do massacre, a frágil constituição mental e física do rei enfraqueceu-se drasticamente. Seus humores variavam de jactância sobre a extremidade do massacre a exclamações que os gritos dos huguenotes assassinados continuavam a soar em seus ouvidos. Freneticamente, ele culpou alternadamente a si mesmo - "Que sangue derramado! Que assassinatos!", Ele gritou para sua enfermeira. "Que conselho maligno tenho seguido! Ó meu Deus, perdoa-me ... Estou perdido! Estou perdido!" - ou sua mãe - "Quem além de você é a causa de tudo isso? O sangue de Deus, você é a causa de tudo!" Catarina respondeu declarando que ela tinha um lunático por um filho.A condição física de Carlos, tendendo à tuberculose, deteriorou-se a ponto de, na primavera de 1574, sua tosse rouca se tornar sangrenta e sua hemorragia se tornar mais violenta.Em seu último dia, 30 de maio de 1574, Carlos chamou Henrique de Navarra, abraçou-o e disse: "Irmão, você está perdendo um bom amigo. Se eu acreditasse em tudo o que me disseram, você não estaria vivo. Mas eu sempre Amei você ... Eu confio em você sozinho para cuidar de minha esposa e filha. Ore por Deus para mim. Adeus".Carlos IX morreu no Château de Vincennes, com 23 anos de idade. Como seu irmão mais novo, Henrique, Duque de Anjou, havia sido recentemente eleito rei da Polônia e estava fora da França, sua mãe Catarina retomou a regência até o retorno de Henrique da Polônia.

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